Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

A Bacia de Ouro da Cobiça – Por Maria Stella de Novaes

Capa do Livro - Lendas Capixabas, 1968

Chama-se Cobiça um lugar, no Município do Cachoeiro do Itapemirim, na margem da Estrada de Ferro Leopoldina, entre a Fazenda Cachoeira Alegre e o Sítio Volpato. Tem uma "Parada". Lugar bonito, cercado de montanhas, coberto de matas primitivas, quando o conhecemos. Formado pelas serras do Maquiné e da Cachoeira Alegre, existia um fosso, desfiladeiro profundo, misterioso, então, porque inteiramente oculto, na espessura da floresta! Devia ser um refúgio de serpentes e outros animais temíveis.

Diziam os sitiantes que era uma Bacia de Ouro!

Contava-nos uma didi que, à noite, fadas e anões, vindos pelas cristas das montanhas, reuniam-se, ali, para regalados festins. Desciam ao subterrâneo, palácio maravilhoso, em escadas de lianas floridas. Dançavam. Valsavam, no salão dourado, iluminado com a profusão de pedras raras, incrustadas nas paredes, e que refletiam raios especiais, que a Lua enviava, através da abertura do fosso. Completavam a iluminação o reluzir de miríades de vagalumes, e lanternas de jiquitiranabóia.

Dispunham de orquestra própria, superior às bandas de música dos homens.

Há muitos anos, não vamos à Cobiça, nem mesmo, por ali, passamos, de trem.

— Existirá ainda a Bacia de Ouro, coberta de mata virgem, ou terá desaparecido destruída pela dendroclastia, que vem liquidando a beleza e a poesia dos sítios capixabas?

 

Fonte: Lendas Capixabas, 1968
Autora: Maria Stella de Novaes
Compilação: Walter de Aguiar Filho, maio/2016

Folclore e Lendas Capixabas

Conversa Barrense - Por Bernadette Lyra

Conversa Barrense - Por Bernadette Lyra

Quando esta crônica estiver publicada, já passou do tempo em que, numa camurcenta tarde cor de milho dourada, Hermógenes Fonseca voltou de uma vez para Conceição da Barra

Pesquisa

Facebook

Matérias Relacionadas

Juparanã – Por Maria Stella de Novaes

A Lagoa Juparanã está saturada de fantasia, criada pela imaginação do povo, e que se tem perpetuado, através das gerações

Ver Artigo
Os remadores noturnos – Por Maria Stella de Novaes

Um dos afluentes do rio Doce, o "São José", tem o seu curso envolto em névoa lendária, que nos recorda os tempos idos da escravidão

Ver Artigo
O caçador de Forno Grande – Por Maria Stella de Novaes

Apostou com amigos: Havia de vencer o saci, representante do Príncipe das Trevas, naquele temido lugar

Ver Artigo
O Pássaro de Fogo – Por Maria Stella de Novaes

Conta-se que uma princesa indígena, belíssima, filha de valoroso soberano, e um jovem de tribo guerreira contrária, apaixonaram-se irredutivelmente

Ver Artigo
O sonho de Frei Pedro Palácios – Por Maria Stella de Novaes

Muitas são as lendas que saturam de poesia a vida de Frei Pedro Palácios, o irmão leigo franciscano, que trouxe, da Europa, a devoção a Nossa Senhora da Penha, para o Brasil

Ver Artigo
A Lanterna do Itabira – Por Maria Stella de Novaes

Encerrava algo de misterioso aquele sítio distante, junto ao Itabira, em Cachoeiro do Itapemirim

Ver Artigo
A Cruz das almas ou de Santo Antônio – Por Maria Stella de Novaes

Nos jornais antigos, lemos notícias de romarias à Cruz das Almas. Assim, a 3 de maio de 1876, alguns estudantes mandaram preparar uma Cruz

Ver Artigo
Quando o Penedo falava – Por Maria Stella de Novaes

Gênio bom e manso, fora enclausurado, no coração da pedra, para assistir a todos os triunfos e todas as amarguras da Terra Espírito-Santense

Ver Artigo
Como São Pedro aprendeu a pescar – Por Maria Stella de Novaes

Contou-nos certo pescador da Praia do Suá que São Pedro e seus companheiros de ofício lutavam sempre com a falta de peixes

Ver Artigo
A Manteigueira Assombrada – Por Maria Stella de Novaes

Desse romance entre a mulher índia e o colono luso, resultou a lenda de uma "assombração", para a Casa da Manteigueira

Ver Artigo
O Governador Afonso Cláudio – Por Maria Stella de Novaes

Teve mesmo de vender uma para atender ao decoro do cargo. A casa foi, depois, o Panamericano; hoje, é Irmãos Helal

Ver Artigo
Elisiário e Nossa Senhora da Penha – Por Maria Stella de Novaes

Rezou, com toda a confiança no poder da Virgem. Poderosa, jamais lhe faltaria, naquela hora de angústia!

Ver Artigo
Airemá e a Pedra do Oratório - Por Maria Stella de Novaes

Distanciaram-se cautelosamente do mar. Em explorações, nas vizinhanças do Penedo, andaram, subiram, aqui, desceram, ali

Ver Artigo
A tristeza do Urubu – Por Maria Stella de Novaes

Na grande família dessas aves, nascera um lindo rebento, portador de uma pena branca, frisada e bela, no peito

Ver Artigo