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A Baixa Grande - Por Adelpho Monjardim

Farol e Praia de Santa Luzia, anos 50

Fora da barra, não mui distante, como famintos tubarões as baixas — Grande, Pequena e Cavalo, formam um triângulo irregular, com o vértice virado para terra e não muito afastado da Ponta de Santa Luzia. A Baixa Grande e a Pequena são os perigosos catetos. O óbice maior é a Grande, seguindo-se-lhe a Pequena. Consiste aquela em traiçoeira laje, submersa, com cem metros de comprimento e quarenta de largura. Nas marés altas acoberta-se sob dezoito pés de água e doze nas baixas. É extremamente temida pelos homens do mar. Não há quem a defronte sem medo e sem pavor. O seu acervo de naufrágios é respeitável. Entre os principais o do “Nápoles”, navio italiano, com carregamento de mármore e o inglês “Glenorchy”. A sua história é um rosário de sinistros, uma seqüência de mortes, de luto e de desespero.

Paciente o monstro espera o navegante incauto que se vai estralejar nas suas agudas e afiadas arestas e sepultar-se num túmulo de rochas e de algas.

Muitos pescadores do antigo Porto das Pedreiras encontraram a morte naquelas sinistras paragens. Em uma única noite uma família inteira de pescadores pereceu nas suas águas. Ali o mar é sempre agitado. Nas marés baixas ondas gigantescas rolam sobre as rochas com espantoso fragor, levando o pânico ao coração mais animoso. É uma reprodução do Inferno de Plogoff, na Ponta do Raz, onde não se passa sem medo e sem pavor. Tudo ali é pérfido, tudo ali é traiçoeiro, águas assassinas. De súbito o mar se agita, alteia e se encrespa em vagalhões, montanhas rolantes que se despenham na baixa, porejando em volta a branca espuma, na sua fúria epiléptica.

À sua passagem os mais curtidos marinheiros rezam, implorando a proteção da Santa da Penha.

Ouvimos, de encanecidos pescadores, que nas escuras noites invernais, quando ali é mais tempestuoso o mar, ou, vem-se, do profundo pélago, gemidos dos que pereceram no abismo das suas águas.

“Rugem na vaga as cóleras do oceano,

Saem das ondas doloridas notas

E, então, a espuma é o pensamento humano;

Palpita, aqui; desfaz-se além, em mágoas,

E nós passamos míseras gaivotas,

Mas aí não cessa o soluçar das águas”.

(Augusto de Carvalho Aranha)

 

Fonte: O Espírito Santo na História, na Lenda e no Folclore, 1983
Autor: Adelpho Poli Monjardim
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2015

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