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A Bossa em Vitória - Por Carlos Lindenberg Filho

Bar Santos. São várias personalidades presentes no dia: Oswaldo Oleari, Sérgio Bittencourt, Xerxes Gusmão, Vilmar Barroso, Lurdinha Martins, Lulu Beleza e Rachel Benezath e muitos outros

Vitória esteve afinada com este movimento musical desde o seu nascedouro. Os músicos locais iam se entusiasmando com a bossa nova, ainda pouco conhecida e, aos poucos, a batida e a harmonia já estavam diferentes, enquadradas no moderno. Até o clássico Maurício de Oliveira participava com entusiasmo dos nossos encontros madrugada adentro na praça Costa Pereira. Algumas coincidências felizes fizeram com que os ventos da Bossa Nova chegassem a Vitória. João Gilberto, que revolucionou a batida, os acordes do samba e a forma de cantá-lo, baixou aqui para uma longa lua de mel com Astrud, sua primeira mulher. O Sérgio Ricardo, um compositor inspiradíssimo, cantor que se acompanha em vários instrumentos, veio a Vitória a meu convite e acabou se apaixonando por uma linda jovem, com quem nunca sequer conversou. Já meio enturmado com os caras locais, tinha razões de sobra para voltar inúmeras vezes aqui para fazermos serenatas em Vila Velha. O Tamba Trio veio com Ronaldo Boscoli fazer um show com a também capixaba Maysa e acabaram alugando uma casa e ficaram por aqui. Foram muitos os exempos, como estes, que ofereceram chance aos músicos capixabas de se atualizarem com as novidades musicais.

Jorge Saad, antes mesmo dos 18 anos, já coordenava ao piano o conjunto Jorginho Saad, recém-criado com Afonso Abreu, um irreverente, irrequieto e muito alegre contrabaixista, e o Mário Rui, baterista que foi seduzido por Afonso a trocar no conjunto, saindo do Gato Preto. Integrava ainda o grupo Honório Ramalho (Zé Colméia) que, apesar de excelente saxofonista, foi obrigado a deixar o time porque, com frequência, o Afonso se divertia roçando por trás, pela perna dele acima, a baqueta do baterista, sempre nas horas dos agudos, deslizando-a até os lugares mais delicados do corpo. Além do Honório, Afonso também teve momentos de frustração ao ver, tempos depois, o seu baixo acústico navegando e naufragando nas águas do Iate. Quanta brincadeira de mau gosto!

O conjunto de Hélio Mendes era o mais sofisticado e também mais tradicional, com Maurício Oliveira (guitarra), Cícero Ferreira (trompete e vocal), Marinho Carlos (acordeon), Moacyr Barros (sax e clarinete), Betinho (bateria) e Edílio (baixo). Tinha uma agenda cheia que os obrigava a ficar com o pé na estrada.

O Gato Preto, que atuava muito na região no Parque Moscoso, era também um conjunto inovador, e tinha no titular, José Anselmo, o seu grande charme. Ele tocava um violino lindo e afinado, instrumento que estava sendo apresentado à música popular por Fafa Lemos, nacionalmente aplaudido na época por participar das inigualáveis apresentações do Trio Surdina. O bandolim era também uma das habilidade musicais de José Anselmo, que continua produzindo lindas melodias.

 

Autor: Carlos Lindenberg Filho
Fonte: Livro Vitória de Todos os Ritmos – Música e Músicos (Escritos de Vitória), 2000
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2013

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