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A Cruz das almas ou de Santo Antônio – Por Maria Stella de Novaes

Cemitério de Santo Antônio 1912

Era costume antigo firmar-se uma Cruz, — um Cruzeiro, dizia-se, — nos lugares em que houvesse ocorrido algum fato impressionante, doloroso ou trágico: — morte súbita de algum viajante, desastre fatal, homicídio, visões sobrenaturais, etc. E o transeunte, que divisasse o augusto sinal da Fé, descobria-se. Raramente omitia uma prece. Rezava, pelo repouso eterno do finado, ou para que Deus perdoasse a alma penada, responsável pela assombração.

As Cruzes indicavam igualmente pontos envoltos em mistérios ou lendas, como, por exemplo, a que existia na Fazenda Santo Antônio, hoje, bairro adiantado, na Cidade da Vitória. Indicava o sítio em que foi encontrado o cadáver de um padre muito respeitado, pelas suas virtudes, e que vinha celebrar a Santa Missa, na Cidade. Pessoas devotas ergueram, ali, numa pedra, uma Cruz substituída sempre quando arruinada pelo tempo. Situava-se o ponto à beira-mar, onde pela profundidade, chamava-se perau. Notabilizou-se, na imaginação popular, em conseqüência de acontecimentos diversos e trágicos: — morte de um barqueiro, de duas crianças, de uma senhora, etc. E o povo considerava-o assombrado, porque, à noite ou pela madrugada, ao lado da Cruz, aparecia um vulto sentado; outras vezes, surgiam raios luminosos que, aliás, uma senhora viu, na aurora, quando apanhava água. E tudo passou a ser relacionado com a lenda: — "Certa vez, um padre, ali, jogara uma caixa de ferro, com objetos de ouro". Evitava talvez o confisco de bens, em conseqüência da expulsão dos missionários jesuítas. E a lenda atraía sempre a atenção geral. Seu poder crescia, de modo que os remadores, principalmente os de Santa Leopoldina, atiravam n’água moedas de cobre, — o vintém daquele tempo, quando passavam diante da Cruz das Almas.

Nos jornais antigos, lemos notícias de romarias à Cruz das Almas. Assim, a 3 de maio de 1876, alguns estudantes mandaram preparar uma Cruz; enfeitaram-na, depois de benzida, na capela da Santa Casa da Misericórdia, pelo Revmo. Pe. Bermudes de Oliveira. Transportaram-na, com música e cânticos, até o lugar. Registra a imprensa que "a Banda de Música do São Francisco, ou Caramuru, acompanhou o préstito, sem moleques e negras"...

Escolheu-se o dia 3 de maio, porque dedicado à Exaltação da Santa Cruz. E tornou-se tradicional a romaria. A 3 de maio de 1886, por exemplo, os alunos da Escola Noturna da Maçonaria foram, com a Banda de Música, levar capelas de flores naturais, para a Cruz de Santo Antônio ou das Almas.

(Parte desta lenda nos foi referida pelo Sr. Cassimiro Fonseca, residente, em Santo Antônio, e conhecedor das estórias locais.)

 

Fonte: Lendas Capixabas, 1968
Autora: Maria Stella de Novaes
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2016

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