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A Cruz do Campo em Vila Velha – Por Maria Stella de Novaes

Anchieta - O cortejo fúnebre

A lenda histórica da Cruz do Campo, relaciona-se com a derradeira viagem de Anchieta, de Reritiba a Vitória. Viera de canoa e devia assumir a direção da Casa Colegial, enquanto não chegasse o Superior Pe. Pedro Soares. Tivera a companhia do Pe. Jerônimo Rodrigues, até Guarapari. Na altura de Vila Velha, porém, ao passar diante de uma pedra, sobre a qual se erguia uma Cruz, num maciço de alvenaria, seu pedestal, teve a surpresa de encontrar-se com outro viajante, o seu compadre e amigo Manuel de Vide, que se dirigia, em sentido contrário, para Reritiba.

A Cruz assinalava o aparecimento de dois cadáveres, naquele ponto. Manuel de Vide era proprietário do sítio denominado Campo de Piratininga, vendido, posteriormente ao Convento da Penha, pela quantia de 5$000, negócio feito pela viúva de Vide.

Encontro de compadres tem sempre conversa. Entretiveram-se, por isso, com as notícias e, na despedida, ponderou Anchieta que, no mesmo local, se reuniriam, de novo, dentro de pouco tempo; mas, em silêncio. De Vide, porém, jamais poderia supor que, decorridos apenas alguns meses, ali encontraria, de fato, um cortejo imenso e fúnebre, que transportava, inânime, o corpo do seu querido compadre, para ser inumado, em Vitória. Conta-se que desejou, com insistência, inteirar-se da realidade cruel; por isso, foi-lhe permitido abrir o ataúde. E a Cruz do Campo, lugar bem conhecido, em Vila Velha, ficou, assim, na História e na Lenda, relacionado com a vida exuberante e bela de Anchieta, no Espírito Santo.

 

Fonte: Lendas Capixabas, 1968
Autora: Maria Stella de Novaes
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2015

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