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A origem do Banestes

BANESTES - Lançamento da Pedra Fundamental, em 16 de outubro de 1962, para o início de uma nova sede

A origem do Banestes

 

O Estado do Espírito Santo no período de 1931 a 1935 ficou sem um banco estadual, somente o banco do Brasil, que aqui está desde 1917, não era suficiente para atender a demanda de todas as atividades econômicas na linha de créditos.

As principais fontes de receitas do Estado como as lavouras de café e a pecuária de corte e leite sofriam com a falta de assistência de crédito. O governo também sentia a necessidade de criar um banco que servisse de depositário e que estivesse a sua disponibilidade.

O Estado estava sobre o comando do Interventor Federal o Major João Punaro Bley, nomeado por Getúlio Vargas na revolução de 1930, conhecido mais como Governador Bley, em sua homenagem está o estádio do Rio Branco e uma avenida famosa no centro de Vitória.

Esse Capa Preta, se assim podemos mencionar, baixou o Decreto nº 6639, de 09 de Agosto de 1935, criando o Instituto de Crédito Agrícola do Espírito Santo, com funções rotineiras como qualquer outro banco, operações de crédito agrícola, crédito fundiário, depósitos, empréstimos, cobranças e ordens de pagamento.

Em 30 de Abril de 1937 o Instituto passa a se chamar Banco de Crédito Agrícola do Espirito Santo, sob o Decreto 8452, lavrado no Cartório do 4º Oficio de Notas, a fls 4/18, do livro nº38, uma sociedade anônima com sede na Capital.

Segundo o professor Ormando Moraes que publicou o livro “História dos Bancos no Espirito Santo” e a qual tenho minhas referências, o capital inicial foi de cinco mil contos de réis, dividido em 50.000 ações nominativas de cem mil réis cada uma, ficando subscritas ao Estado 49.249 ações.  Para os demais subscritores, destaque para Jones dos Santos Neves com 30 ações.

Com 20 ações para cada um, Antenor Guimarães & Cia. Ltda., A. Prado & Cia. , Arens & Langen, Banco Popular dos Empregados do Comercio de Vitoria, Manoel Alberto Silva, Oswald Cruz Guimarães, Oliveira Santos & Cia, Ltda., Oswaldo Duarte Marques, Pedro Nolasco da Cunha, Romulo Leão Castelo, Milton Alberto Silva.

E com 10 ações cada, Mario Aristides Freire, Alfredo Lemos Neves, Alberto Sarlo, Alberto Magalhães, Anizio Fernandes, Angelo Pagani Sobrinho e Alfredo Morgado Horta.

Sua primeira diretoria foi composta por apenas dois diretores: Na presidência Mário Aristides Freire, e na carteira de empréstimos Jones dos Santos Neves. Sua sede foi inaugurada em 15 de outubro de 1937 na antiga Rua do Comércio, nº 22, (hoje Avenida Florentino Avidos). O prédio era de propriedade dos Irmãos Pagani e foi alugado pela quantia de um conto e cem mil réis mensais.

Inaugurado a sede nesse local, os dois primeiros que ali depositaram uma respectiva quantia foram Nolasco & Cia. e Alberto de Oliveira Santos.

Em 13 de Dezembro de 1937 sua atual diretoria já sonhava com uma sede própria cujo projeto foi elaborado pelo Dr. Jayme Figueira, estava no papel o então Palácio da Bolsa de Café, essa parceria contava com o financiamento do próprio banco, da bolsa de café, da Cia. Espírito Santo e Minas de Armazéns Gerais, da Associação comercial e até mesmo o Instituto Histórico e Geográfico do Espirito Santo. Mas por falta de recursos sua construção não saiu do papel.

Sua primeira sede própria foi inaugurada em 24 de Janeiro de 1942, sob a responsabilidade do engenheiro José Tarquínio da Silva e o empreiteiro Manoel Antônio José de Brito, situada na praça oito, esquina do Beco do Douto.

Os municípios de Cachoeiro de Itapemirim e Colatina ganharam dois escritórios nos dias 1 e 2 de Junho de 1938, Alegre em 1 de Março de 1939 e São Mateus em 15 de Abril de 1939, todos esses escritórios em pouco tempo, foram transformados em agências.

Outras agências foram abertas ao longo de sua história:

Afonso Cláudio em 1 de Setembro de 1941; Baixo Guandu em 20 de Outubro de 1941; Bom Jesus do Norte em 10 de Setembro de 1942; Guaçui em 30 de Setembro de 1952; Muqui em 2 de Março de 1953;  Linhares em 3 de Junho de 1953; Nova Venécia em 18 de Novembro de 1957; Barra de São Francisco em 3 de Junho de 1958; Itarana em 23 de Janeiro de 1961; Aracruz e Mimoso do Sul em 9 de Julho de 1962; Ecoporanga em 3 de Setembro de 1962; Jardim América em 15 de Outubro de 1962; Iuna em 3 de Dezembro de 1962; Domingos Martins em 12 de Junho de 1963; São Gabriel da Palha em 5 de Agosto de 1963, Glória em 14 de Outubro de 1963; Alfredo Chaves em 11 de Novembro de 1963; Montanha em 16 de Junho de 1964; Muniz Freire em 29 de Novembro de 1965; São Silvano em 16 de Maio de 1966; Conceição da Barra em 21 de Fevereiro de 1968; Pinheiro em 22 de Fevereiro de 1968; Santa Maria de Jetibá em 11 de Março de 1968; Moscoso em 17 de Março de 1969. Sua primeira agência fora do Estado foi no Rio de Janeiro, inaugurada em 16 de Novembro de 1965.

No final da década de 60 a denominação Banco de Crédito Agrícola do Espírito Santo

(Rural – bank) passa a se chamar Banco do Estado do Espírito Santo S.A (Banestes) ao longo dos seus 75 anos de existência, esse banco conquistou e acreditou no povo Capixaba, homens como Governador Bley, Jones dos Santos Neves e aos demais citados aqui, fizeram jus ao lema de nossa bandeira “Trabalha e Confia”.

 

Autor: João Coutinho Junior 

Técnico em Biblioteconomia
Graduando em Biblioteconomia - UFES
Estagiário da Biblioteca da Procuradoria Geral do Estado do Espírito Santo
Postado em outubro/2012 
Nota do Site: Fernando Achiamé identificou algumas pessoas na foto de lançamento da Pedra Fundamental do Banestes

Em 1962 tinha 12 anos, mas consegui identificar o primeiro à direita. É o Sr. José Valls, então presidente do Banestes, com as mãos juntas, certamente discursando. A pessoa que está logo atrás dele é Salim Calil Salim, então gerente. E atrás do senhor com a mão na mesa e segurando um guarda-chuva está um homem de óculos e cabeça baixa - é Adelpho Poli Monjardim, então prefeito de Vitória.

 

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