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A política e o coronelismo em Iconha - Por Luciana Maximo

O coronel Antônio José Duarte

A formação política de Iconha surgiu com o desenvolvimento do comércio, em especial, da Casa Comercial Duarte Beiriz por volta de 1879. O Jornal conversou com Aldieris Braz Amorim Caprini, que cedeu alguns artigos de sua tese de mestrado que descreve com detalhes a história política do município.

Segundo Aldieris, grandes transformações econômicas, políticas e sociais ocorreram em lconha e Piúma, devido ao povoamento do interior, à cultura do café e o desenvolvimento da Casa Comercial Duarte Beiriz, nas duas últimas décadas do século XIX.

Instalado na região e detentor de posses, emergiu como poder político, o coronel Antônio José Duarte, sócio da referida casa comercial, e que através do comércio alcançou e mantém o poder, interferindo no processo de urbanização da vila de lconha a partir das relações comerciais.

Vale ressaltar, que até 1879, quatro ou cinco famílias habitavam a região que hoje compreende Iconha e essas eram tidas como forasteiras, pois todas viviam da agricultura de subsistência. Nesse ano, Antônio José Duarte, imigrante português abriu a casa comercial na referida vila e logo recebeu como sócio o comerciante José Gonçalves da Costa Beiriz, que possuía negócios na vila de Piúma, denominando-se Casa Comercial Duarte e Beiriz.

Como muito bem descreveu Aldieris em sua tese, a Casa Comercial Duarte e Beiriz tornou-se uma das maiores do estado e foi responsável pela transformação de uma região praticamente desabitada em um município com infra-estrutura. Os sócios da firma, especialmente, Antônio José Duarte, tornaram-se grandes chefes políticos locais, tanto é, que tinham o título de coronel. No entanto, esse desenvolvimento comercial não ocorreu por acaso ou sorte, nem as obras públicas realizadas pela firma foram fruto da caridade, bem como, o poder político obtido pelos comerciantes foi resultado de seus méritos espontâneos nas urnas. Se, em 1879 a Região de Iconha era completamente desabitada, os comerciantes tinham um claro objetivo ao investir na abertura da Casa Comercial, pois como observa Aldieris, não era lucrativo na época. Entretanto, Duarte e Beriz focavam o futuro. Terras boas para o plantio era uma boa proposta para quem quisesse investir pelas bandas de cá. O problema era como pagar. Os dois detinham a posse das terras e em 1877 chegaram imigrantes italianos em busca de terra para o plantio do café. Visionários e empreendedores, os comerciantes compraram as terras que hoje compõem o município e dividiram em grandes lotes. Quando os imigrantes chegaram esses lotes eram vendidos com a condição de pagarem através das futuras colheitas de café.

Dependência financeira

Paralelo ao desenvolvimento comercial, o coronel Antônio Duarte foi ganhando espaço político. A vila de lconha pertencia ao município de Piúma, mas com seu crescimento tornou-se a sede do poder municipal e tinha no coronel a sua força maior.

Como já fora dito na matéria relacionada à Casa Comercial, o terreno para que fossem feitas ruas, cemitérios, igrejas e escola, foi doado pelos sócios. Inclusive, o coronel Antônio Duarte fundou a biblioteca municipal. Para dar suporte ao poder público, foi construída a delegacia, prefeitura e posto do correio. Quanto mais se desenvolvesse a vila, a população aumentaria atraída pela infra-estrutura e as possibilidades de trabalho.

"Assim, automaticamente haveria mais compradores para a casa comercial e as obras realizadas na cidade pelo Duarte criavam uma imagem do benfeitor que deveria ser recompensado nas urnas. Desse modo, o coronel conseguia manter-se como o chefe político do clã eleitoral. Seu poder político advinha também da dependência dos imigrantes com a casa comercial, pois quem não estivesse com o coronel não tinha para quem vender a produção e teria as dívidas cobradas. Assim, em época de eleições, a população conduzia seu voto conforme as necessidades econômicas. O poder político era construído a partir das necessidades da sociedade, uma vez que não havia outra alternativa, todos estavam presos ao coronel", salientou Aldieris.

Ressalta o artigo de Aldieris Braz Amorim, que a casa comercial polarizava a vida da vila, "era o vendeiro que, por estar próximo do produtor e ser o único com instrução, estabelecia os vínculos com as pessoas. Ele era o responsável por dar conselhos, ajuda econômica e apadrinhar. Como o comerciante também era o político, arrumava empregos públicos e fazia as leis do município".

O comércio foi o sustentáculo de poder político à medida que através dele o coronel manteve a sociedade atrelada à sua casa comercial e, portanto, deveria retribuir por meio do voto, afirma Caprini no artigo. "A firma financiava as obras que, para a população dominada, era um ato de bondade, mas simbolizava, na verdade, o poder do coronel na região".

A escalada ao poder foi resultado das condições de dependência de imigrantes para com um coronel na aquisição das terras, na falta da ação do governo estadual e federal na construção de obras públicas que deu espaço para o poder privado apropriar-se e torna-se o senhor do município. Isto, sem citar pormenores que mereceriam um estudo aprofundado.

 

Fonte: Jornal Espírito Santo Notícias – 15/07 a 30/07 de 2015 – 2º quinzena, nº 87
Caderno Especial: Iconha – 91 anos de Emancipação Política
Autora: Luciana Maximo/ com base no texto: Comércio, Urbanização e Poder Político em Iconha (1879-1915) /// CAPRINI, Aldieris Braz Amorim
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2015

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