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A Prainha do meu tempo – Por Seu Dedê

Prainha no tempo do Seu Dedê, anos 30

Não existia o uso do termo Prainha por quem residisse onde hoje diziam ser a Prainha. Quando se falava vamos à Prainha era para pescar, mariscar, tomar banho de mar, ir à casa de um dos moradores da orla ou simplesmente ver a chegada dos pescadores do alto mar com o pescado (papa-terra, garoupa, vermelho, catuá, guaibira, sarda, peroá, boca de velho, roncador, pargo etc).

Nas pedras, pescador dos pesqueiros Ucharia, Queixo de Burro, Caturé, Ilha da Forca, Melo e outros, conseguia fisgar algum burdião, batata, sargo de dente ou de beiço, samendoara, baiacau, pinta no cabo, piaba, agulha, caramuru e outros.

Quando chegava a noite, a prainha ficava iluminada aqui e ali pelos fachos acesos dos catadores de camarões nas algas verdes trazidas dos arrecifes à praia, pelas ondas da maré cheia.

As ondas da prainha, conhecidas como marolas, por serem muito pequenas, permitiam que até as crianças pudessem afundar suas mãos na areia do fundo à cata de burdigão.

Existiam dois cais, o dos Padres, nas Timbebas, e o das Pedrinhas ao pé do Morro do Cruzeiro, conhecido também como Pedra de Nossa Senhora. O Cais dos Padres data do tempo do primeiro donatário (Vasco Fernandes Coutinho), e nele funcionou a alfândega da Província. Foi de grande importância para a história de Vila Velha; ali desembarcaram os principais viajantes nacionais e estrangeiros dos séculos passados que estiveram em visita ao Convento da Penha. Dali partiu a primeira viagem da imagem da Virgem da Penha em visita à Vitória, em 1669, e a segunda, cem anos depois, na grande seca de 1769.

Presenciou o desembarque dos holandeses na Prainha, em 1653, na ocasião em que se deu o grande saque ao Convento da Penha.

Finalizando, ali aconteceu o início da Colonização do solo espírito-santense.

O Cais das Pedrinhas, também conhecido como Cais do Anselmo Cruz, mais tarde Cais de Dona Celeste, foi muito utilizado para o transporte de mercadorias de Vitória, para abastecer o comércio de Vila Velha. Era um dos pontos ideais para mergulho na maré cheia.

Os moradores da periferia, em relação ao Centro de Vila Velha, diziam: “Vamos lá embaixo? Tem festa lá embaixo!”. Lá em baixo se referia à Igreja do Rosário com suas praças, comércio e a enseada da Prainha.

Ao sair da beira mar, o pedestre vinha subindo até à Avenida Jerônimo Monteiro e, ao ultrapassar a linha de bonde, descia até a Toca dos Coelhos e daí em plano ia atravessando valões e alagados até alcançar o cômoro da praia de Itapõa ou Itaparica.

As famílias de maior recurso residiam no trecho compreendido entre a Prainha (centro) e a linha de bondes na Avenida Jerônimo Monteiro.

 

Nota: O autor era carinhosamente conhecido por Seu Dedê

 

Fonte: Memória do Menino... e de sua Vila Velha – Casa da Memória Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha-ES, 2014.
Autor: Edward Athayde D’ Alcântara
Compilação: Walter de Aguiar Filho, junho/2020

Vila Velha

Átyla Freitas Lima

Átyla Freitas Lima

Sempre nutri vontade de divulgar os atos pitorescos que se passaram em Vila Velha, na época de nossa infância. Agora lendo em “A Gazeta” um artigo do meu amigo José Luzio, em que ele focaliza um desses fatos ocorridos como o nosso inesquecível “Demi Malcriado”, resolvi por em prática este meu desejo.

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