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A seda indígena - Sua descoberta no Espírito Santo

Mamona

Como já acontecera com o povoamento do solo, inaugurando no Espírito Santo o movimento imigratório do País, com a abertura de estradas, como recordista das maiores entre as maiores até então construídas; com as culturas do trigo, do linho e do cânhamo, nas planícies de Viana, das quais foi também o pioneiro da Capitania, coube igualmente a Rubim a glória do descobrimento, por um capixaba e durante o seu governo, de uma nova qualidade da seda produzida pelo bicho da mamona, com o intrincado processo da criação, reprodução e alimentação desse bicho, bem como, de modo como é colhido dos respectivos casulos e conservado até final aproveitamento.

Chama-se Antônio José Vieira da Vitória esse nosso coestaduano que desejou enriquecer a nossa indústria com as suas curiosas pesquisas.

Os anos se passaram e ele em fastidiosas observações, até que, em 1817, já tendo estudado o seu processo natural de obtenção, deliberou apresentar-se ao governador Rubim, dele conseguindo o indispensável beneplácito, do qual também, teve ciência o intendente Paulo Fernandes Viana, na época o nosso melhor medianeiro junto a Corte do Rio de Janeiro.

Como se vê, trata-se de uma vitória muito expressiva, embora difícil e pacientemente conquistada, esta que Vieira da Vitória obteve no ano de 1810, de cuja primeira experiência fez uma meada que ofereceu ao Príncipe Regente.

No campo ainda quase virgem da indústria nacional, proibida e vigiada pelo governo, para acautelar as indústrias de além mar, foi mais do que uma vitória, porque foi uma prova; heroísmo do seu descobridor, procurando enveredar por um setor proibido, para, a custa do seu sacrifício, legar a sua pátria um novo ramo de atividade, consubstanciado naquela “nova espécie de seda” que descobrira o primeiro que, na América, realizara tal feito, levado pelas conclusões a que chegara, de que também nesta parte do mundo podemos produzir, a nosso modo e conforme o clima, “tudo quanto a Ásia tem de mais raro, a Europa de mais sublime e a África de mais útil”.

Não podia o governador auxiliá-lo diretamente, com recursos monetários, sem autorização superior, tendo em vista as restritas atribuições dos governadores, simples prepostos do poder real, ao qual estavam rigorosamente sujeitos. Não obstante, solicitou encarecidamente do Regente a sua proteção para a nova descoberta, o mesmo fazendo junto do intendente geral de polícia, que o atendeu solicitamente.

E esse apoio serviu muito, pelo menos para que da ocorrência a história registrasse alguns pormenores através do expediente trocado entre eles, por meio do qual pudemos fazer alguma luz sobre esta prioridade capixaba, no campo das grandes conquistas nacionais.

Animado pelo governador, continuou Vieira da Vitória nas suas indagações e dirigiu-se ao Rei, pedindo-lhe a sua nomeação para inspetor da nova indústria no Espírito Santo. Não ambicionava o impossível, mas tão somente o direito de zelar pela sua descoberta e aperfeiçoamento da indústria, mediante era justo que o solicitasse alguma remuneração, “visto ser o suplicante órfão de pai e mãe”.

Uma vez recebido pelo Corte, foi o seu requerimento encaminhado ao governador Rubim, com a Carta Régia de 27 de maio de 1818, em que se exigiam pormenores do assunto, sendo por este informado, depois de minuciosamente ouvido o interessado.

Na sua exposição, deu Vieira da Vitória conta dos seus esforços, das suas fadigas de longos anos em observações, principalmente dos conhecimentos práticos que adquirira no trato da matéria. Numa palavra já era um verdadeiro técnico no assunto.

Observara, por exemplo, que o bicho da seda alimentava-se de diversas plantas, como a amoreira, o ariticum, a mamona e outras, mas que de todas devia preferir-se esta última, a seu ver mais proveitosa no país e menos dispendiosa, levando-se em conta a dificuldade de frutificação da amoreira em todo o terreno, que obstava de persuadir-se o lavrador a cultivá-la nos seus terrenos, contrariamente ao que sucede com a mamona que, por ser uma planta nativa e de produção espontânea, largamente usada na medicina e no uso doméstico, poderia ser facilmente adquirida, ampliando-se as plantações, mediante garantia aos cultivadores do seu aproveitamento também desta utilidade. A sua exposição é, portanto, um verdadeiro tratado sobre o bicho da seda.

Não foi feliz o grande pioneiro no seu desejo de inspecionar oficialmente a sua descoberta, na sua terra natal, que ele sonhara engrandecer. A história, que tão vagamente registrou o seu grande feito, a ponto de deixá-lo quase desconhecido dos capixabas, do mesmo modo retrocedeu em relação ao desprezo do soberano, com referência ao seu pedido de simples recompensa para tão grande serviço.

Nem mesmo o prestígio do intendente geral de polícia perante o soberano, que Rubim havia implorado, e o interesse por este manifestado, mandando experimentar as amostras para se aquilatar da qualidade da seda e da conveniência do auxílio oficial, lhe valeram nessa difícil conjuntura perante o regente, capaz de todos os favores e prodigalidades porque era um homem bom mas reconhecidamente indeciso e fraco.

Apesar das inúmeras realizações do seu governo, pela grandeza do país, e do seu temperamento condescendente, D. João era um homem curioso e pitoresco. Daí porque costumava deixar, algumas vezes, certos problemas de importância, como o de que se trata, para preocupar-se pura e simplesmente com as suas comezainas.

A indústria desta nova espécie de seda não ficou apenas circunscrita a esta Província, onde foi amplamente cuidada em Nova Almeida, embora logo descurada, como mesmo observou D. Pedro II, em 1860 e posteriormente, na Colônia de Rio Novo, dela tomando conhecimento elementos destacados do próprio governo, no Rio de Janeiro, interessado em introduzir ali a criação do famoso bombix. Não só o bicho da seda, por toda a parte corria a notícia dos ensaios e realizações que o governador Rubim já levara a efeito, na sua Capitania, tentando oficialmente as culturas do trigo, concomitantemente com as da pimenta e do cânhamo, mediante a sua ajuda e proteção.

Segundo a professora Orminda Escobar Gomes (“Reminiscências”, 20 – 1951), teria sido nos Pelames, em Vitória, na parte mais seca do brejal que existia ao lado do Convento do Carmo, nos terrenos que davam para os fundos das casas da atual rua 7 de setembro (antiga rua da Várzea) onde abundava a mamoeira que Vieira da Vitória colhera os casulos do bicho da seda (bombix brasiliense) com os quais concretizara o seu descobrimento.

Confiante na verdade filosófica de que nenhuma coisa foi criada em vão, tinha conseguido “ser o primeiro que em todo o reino descobriu este mimo novo da natureza”, deixando aos seus comprovincianos, essa preciosa descoberta, fruto de tantos sacrifícios, mas infelizmente relegado ao abandono.

 

Fonte: O Povoamento do Espírito Santo – A Marcha da Penetração do Território. 2012
Autor: Heribaldo L. Balestrero
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2012 

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