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Aldeia de Reritiba - Heribaldo L. Balestrero

O padre Anchieta deu começo à povoação “na rampa de uma montanha defronte de um rio que os índios denominavam Iriritiba

Estávamos no ano de 1565, cujo prenúncio era dos mais lisonjeiros, com o início da fundação dessa aldeia mais tarde conhecida por Benevente e posteriormente por Anchieta.

O padre Anchieta deu começo à povoação “na rampa de uma montanha defronte de um rio que os índios denominavam Iriritiba, por corrupção, posteriormente conhecido por Reritiba, estabelecendo aí diversas tribos indígenas que erravam pelos arredores”.

Anchieta tinha a princípio – diz Maximiliano de Wied, 6.000 índios, tendo sido a maior aldeia da costa, mas os índios se espalharam, de modo que os habitantes por ele encontrados, incluindo os portugueses não passavam de 800, dos quais, dizia ele, 600 eram índios.

“No seu religioso mister de catequizar almas para a seara do Senhor era de ver-se a coragem com que o grande apóstolo afrontava as intempéries do tempo e a ferocidade dos índios, trazendo por escudo uma simples cruz pendente ao pescoço e assim chamar ao grêmio da igreja muitas ovelhas tresmalhadas do rebanho do Senhor”. (Cezar Marques, Dicionários Histórico e Geográfico da Província do Espírito Santo, p. 145).

Benevente tornou-se sob a égide da cruz, a segunda vila da Capitania, pois possuía aproximadamente 3.017 habitantes livres e 102 escravos, segundo estatística do ano de 1790.

Durante 32 anos (1565-1597) viveu o padre Anchieta na terra capixaba, espalhando o bem, no seu trabalho da catequese, tendo trazido ao seio da religião cerca de 12.000 neófitos que se cristianizaram em Anchieta e dali saíram para outros rincões da pátria no desempenho da mesma função espiritual.

Naqueles mesmos lugares que ouviram a ressonância da sua palavra evangelizadora, pelas quebradas das montanhas, muitas vezes sufocando até revoltas, fechou ele seus olhos para a vida presente, sobre cujo fato já nos referimos com o mesmo carinho com que sempre procuramos elevar bem alto a sua obra, no conceito dos nossos concidadãos, não somente pelos trabalhos da escola do seu apostolado entre os silvícolas, dando exemplos como também pelos relevantes serviços que prestou a nossa pátria, fundando aldeias que depois se transformaram em cidades, algumas das quais – São Paulo e Rio de Janeiro – são verdadeiras metrópoles entre as  maiores do mundo, no setor do progresso movimentado pelos mais modernos processos de tecnologia.

A sua morte simboliza para nós capixabas, um dos mais comoventes fatos da nossa história, porque marcou com letras de ouro no livro da nossa civilização, o que de mais perfeito pode um homem de espírito bem formado realizar na terra, em benefício dos seus semelhantes.

Anchieta foi elevada à Vila a 10 de janeiro de 1759 e à cidade por lei nº 6, de 12 de agosto de 1887, para o que muito contribuiu o bispo, D. Pedro Maria de Lacerda, junto ao Imperador D. Pedro II.

Uma das maiores colaborações prestadas por esse pequeno município ainda hoje tão mal olhado nas suas últimas reivindicações, apesar da glória que lhe dispensou o Apóstolo do Brasil, foi ter contribuído, no século passado, para a instalação no seu território das grandes imigrações iniciadas pelo governo Imperial na Colônia do Rio Novo, dali se irradiando para seu interior e para o interior do município de Guarapari, através do rio Benevente.

 

Fonte: A Obra dos Jesuítas no Espírito Santo, 2012
Autor: Heribaldo Lopes Balestrero
Compilação e Foto: Walter de Aguiar Filho, setembro/2012 

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