Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Ano de 1837 – Por Basílio Daemon

José Tomás Nabuco de Araújo

1837. Chega ao Rio Doce em fevereiro deste ano a expedição mandada da Inglaterra a verificar se as informações dadas pelos engenheiros Stephenson e Brunel eram exatas; mas tão infeliz foi a expedição que naufragou na barra daquele soberbo rio, perdendo-se todos os instrumentos e muitos objetos de valor.

Idem. Assume em 25 de abril deste ano a administração da província o vice-presidente padre Manoel de Assunção Pereira,495 por ter o presidente bacharel José Tomás Nabuco de Araújo ido tomar assento na Assembleia Geral.

Idem. Entra novamente em exercício do cargo de presidente da província a 29 de outubro deste ano o bacharel José Tomás Nabuco de Araújo,496 por ter voltado da Corte, onde fora tomar parte nos trabalhos legislativos, como deputado geral.

Idem. É pela lei provincial nº 4, de 16 de dezembro deste ano, mandada restabelecer a festa de Nossa Senhora da Vitória, padroeira da província, e que tinha caído em esquecimento, sendo por essa lei obrigada a Câmara Municipal a fazer a dita festividade.497

Idem. A 16 de dezembro deste ano é pela lei provincial nº 5 elevada à categoria de paróquia a antiga igreja de Carapina, construída em 1746 e pertencente à primitiva fazenda deste nome, e que tinha por invocação Nossa Senhora da Ajuda, cuja imagem fora mandada vir pelo padre Rocha, um dos possuidores dos terrenos pertencentes aos irmãos Pimentéis, ficando a nova freguesia com os mesmos limites do Juízo de Paz. A divisão desta freguesia com a vila da Serra foi mais tarde, pela lei provincial nº 17, de 21 de novembro de 1870, marcada da foz do rio Irema ao porto da lagoa Jucuném (nome derivado de jucei, comer, nem, vamos), desta à estrada da Serra, no lugar Pedrinhas, próximo à casa dos herdeiros de José Francisco de Barcelos Silva, e daí em linha reta ao cume do morro da Serra, passando pela casa de João Francisco da Rocha. O primeiro vigário que teve a paróquia foi o padre-mestre João Luís da Fraga Loureiro, cuja provisão foi lida no dia 30 de julho de 1848, sendo então mudado o orago da igreja para São João Batista, ficando a freguesia com o título de São João de Carapina; o segundo foi o padre Francisco Antunes de Siqueira, que foi paroquiá-la a 20 de janeiro de 1855 e deixou-a em novembro de 1856, sucedendo-lhe logo no parocato o padre Ovídio José Goulart de Souza por poucos meses, indo a 30 de setembro de 1857 o padre Antônio Martins de Castro a ser vigário encomendado. Sendo em 1859 postas a concurso as freguesias da província, foi o padre Castro o que obteve aquela freguesia, sendo colado por carta imperial de 20 de abril e provisão de maio de 1860; mas tendo enfermado gravemente em 1862, retirou-se para a capital, indo ali poucas vezes, até que, sendo atacado de loucura, faleceu no dia 30 de setembro de 1871. Foi, como já dissemos, todo o terreno desta freguesia uma grande fazenda dos jesuítas, que ali montaram casa, engenhos, havendo uma linda capela, com uma imagem existente hoje em poder do Sr. José Correia Maciel, porque parte desta fazenda veio por herança a pertencer à família. Daqueles edifícios ali levantados pelos jesuítas, só hoje se veem os vestígios nas ruínas que ainda subsistem em alicerces, pilares e paredes derrocadas.

494 Idem, p. 64.

495 Ofício da Assembleia Legislativa: toma posse o padre Manoel de Assunção Pereira como presidente da província do Espírito Santo, 24 de novembro de 1837. (b) Vasconcelos, Ensaio, p. 64.

496 Vasconcelos, Ensaio, p. 64.

497 Lei provincial nº 4, de 16 de novembro de 1837, Art. 1º: Pela lei fica a Câmara Municipal da comarca de Vitória incumbida de preparar as comemorações da festa de Nossa Senhora da Vitória, padroeira dessa província.

 

Nota: 1ª edição do livro foi publicada em 1879
Fonte: Província do Espírito Santo - 2ª edição, SECULT/2010
Autor: Basílio Carvalho Daemon
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2018


História do ES

Fortificações: um legado esquecido

Fortificações: um legado esquecido

Um aspecto da evolução urbana de Vitória que está intimamente ligado ao crescimento da própria cidade, é o sistema defensivo, do qual, por alguma sorte, ainda resta uns poucos vestígios

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Quarto Minguante – Marcondes de Souza e Bernardino Monteiro

O período de 1912 ao começo de 1920 corresponde ao princípio e ao fim da crise internacional, oriunda da primeira guerra, que rebentou em julho de 1914 e teve armistício em novembro de 1918

Ver Artigo
Jerônimo Monteiro – Urbanismo em Perspectiva

O volume de terra, material escasso na ilha de Vitória; para aterrar o banhado, não preocupou o governo de Jerônimo Monteiro 

Ver Artigo
As guerras imperiais e seus reflexos no Espírito Santo – Por João Eurípedes Franklin Leal

O Ururau era em brigue de transporte, armado com seis bocas de fogo, que próximo a barra da baía de Vitória combateu por hora e meia um barco argentino o “Vencedor de Ituzaingu”

Ver Artigo
O recrutamento do Ururau - 1827

Gravíssimo incidente abalou o Espírito Santo quando da passagem, pelo porto de Vitória, do brigue de guerra Ururau, em 1827

Ver Artigo
Finda o Governo do Primeiro Donatário - Por Mário Freire

Confiou o governo a Belchior de Azevedo, como Capitão, com os poderes e a jurisdição que o donatário exercera: firmou esse ato na "vila de N. S. da Vitória"

Ver Artigo