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Arnaldo Soares Pagani

Arnaldo Soares Pagani

As pessoas são, muitas vezes, o produto da terra onde nasceram; onde fixaram raízes que jamais poderão ser, por motivo algum, extirpadas.

A história do nosso Estado é cheia destas vidas, cujas raízes estão plantadas no passado de seus municípios, ou vivências que estão ligadas aos acontecimentos que de alguma forma as envolveram.

ARNALDO SOARES PAGANI, por exemplo, nasceu em Colatina, município cujo desbravamento influiu decisivamente para a penetração da civilização rumo ao norte do Estado, levando o progresso e o desenvolvimento, surgindo da coragem dos homens que penetraram mata adentro fazendo surgir São Francisco, Ecoporanga e Mucurici. Tempos de pioneirismo da Companhia Territorial, da qual participaram homens da envergadura de Sylvio Avidos e Attilio Vivacqua, Xenócrates Calmon e tantos outros. A conquista do Rio Doce e a construção da ponte para São Silvano permitiram o avanço por regiões em que o homem havia temido pisar, devido à hostilidade dos aborígenes e às doenças, autênticos desafios.

Quando ARNALDO PAGANI chegou a este mundo, Colatina era — por assim dizer — chamada a "Princesa do Norte”, dividindo as honras de importância municipal com Cachoeiro do ltapemirim, sendo maior município produtor de café do Brasil. Ele nasceu no dia 4 de fevereiro de 1943, em plena II Guerra Mundial, seu pai, o Sr. JOSÉ PAGANI, e sua mãe, a Sra. ADEGUIMAR SOARES PAGANI, depois de terem comerciado em Itapina, instalaram-se em Colatina onde abriram uma loja de secos e molhados com o nome de "A BODEGA", que foi, depois, transformada na firma J. PAGANI S/A, da qual JOSÉ PAGANI é presidente, atuando mais como Conselheiro, oferecendo a todos o seu exemplo de vida, seu espírito comunitário, sua fé em Deus, suas excepcionais qualidades morais e seus defeitos humanos.

Arnaldo guarda profundas lembranças de sua mãe, professora normalista, formada no Colégio Nossa Senhora do Carmo, em Vitória, onde também estudou piano. Ela faleceu em 22 de outubro de 1951, não sem antes transmitir-lhe os ensinamentos que o ajudaram a caminhar sozinho pela vida. Seus pais sempre lhe transmitiram objetivamente os princípios da lealdade, obediência, amizade e sinceridade.

Foi aluno no Colégio Cristo Rei, no Colégio Irmãos Maristas, formando-se em Ciências Contábeis, em Colatina. Fez curso de "Marketing" em São Paulo em 1974.

Analisando seu comportamento em diversas fases de sua vida, ARNALDO PAGANI, acha que na mocidade os adultos lhe inspiravam segurança e seriedade, passando para a idade madura que mudou alguns dos seus pontos de vista. Para ele, agora, as pessoas ficaram mais difíceis de serem compreendidas e as coisas que antes achava distantes e difíceis de serem alcançadas, tornaram-se mais perto e mais fáceis de serem atingidas, apesar de sempre exigirem algum esforço para tê-las.

Os dois grandes momentos de sua vida que o marcaram foram: a morte de sua mãe quando tinha somente 8 anos de idade e o nascimento do seu primeiro filho.

O amor, para ele, pode ser descrito como um sentimento de profunda expectativa e cheio de esperanças alegres. Talvez, se ele pudesse, repetiria, nesta hora tão importante de sua vida, as palavras da imortal Cecília Meireles: "ASSIM AOS POUCOS VAI SENDO LEVADA A TUA AMIGA, A TUA AMADA! E ASSIM DE LONGE OUVIRÁS A CANTIGA DA TUA AMADA, DA TUA AMIGA. ABREM-SE OS OLHOS — E É DE SOMBRA, A ESTRADA PARA CHEGAR-SE À AMIGA, À AMADA"!

Este jovem com sua grande sensibilidade, nunca deixou de se dar conta da importância do lar e da família. Por esta razão o casamento para ele sempre foi uma boa forma para a busca do equilíbrio total do ser humano, não sendo por isto suficiente a sua formalização para que se alcance o desejado. O relacionamento marital, diz ARNALDO PAGANI, é fundamental e básico para a verdadeira harmonia do casal, sendo necessário que não se transforme em qualquer tipo de pressão. Problemas com os filhos não existem, nem mesmo quanto ao aspecto de educação e anseios quanto ao futuro, pois apesar de adultos, as crianças crescem e os substituem na Sociedade seja ela qual for.

Convicto de princípios realistas e objetivos, ARNALDO sempre encarou a vida e o mundo do modo mais simples, assumindo os seus atos e particularmente os fatos nos quais se envolveu, acreditando sempre no poder da verdade e da liberdade de decisão de cada um.

Para um homem que pensa assim, definir amigos num patamar de igualdade não é difícil. E ele confessa: "EVIDENTEMENTE NÃO POSSO PROCURAR A TODOS E NEM SOU PROCURADO POR TODOS. TODAVIA, SEMPRE RECONHEÇO O QUANTO FUI E SOU AJUDADO POR MUITOS AMIGOS".

Sente-se integrado à sua vida profissional sob todos os aspectos possíveis. Mas tem posição definida quanto à atuação comercial. No seu entender, no comércio nem todos sabem fazer a integração da atividade comercial com a comunidade e procuram sempre, e exclusivamente com a obtenção do lucro puro e simples, uma forma de realização. Da mesma forma, exprime seus sentimentos como um processo para a realização da atividade inerente à vida e observa: em meus negócios, muitos confundem inteligência com esperteza.

Ao longo da estrada da vida, ARNALDO PAGANI, só se considera derrotado, quando não consegue harmonizar "negócios" e "vida no lar". O seu sentimento de vitória é não se sentir vitorioso ou derrotado, ao ganhar a primeira batalha, buscando sempre a harmonia como base para a concretização de um todo.

Dentro da sua filosofia, que tem muito das idéias herdadas do pai, ARNALDO, considera que todos são importantes, na medida em que precisam dele ou de sua ajuda, estando sempre ciente das necessidades dos que estão mais próximos, de modo que estes são os mais importantes em quase todos os momentos de sua vida. Por isto mesmo o seu maior desejo pessoal é continuar vivendo em paz e satisfeito consigo mesmo, porque sem isto não teria condições de ajudar a quem quer que seja.

Não tendo nenhum hobby, a sua excentricidade é estar sempre pronto para participar da vida e vivê-la com franqueza, lealdade, verdade, intensamente.

O que sentiu no dia do seu casamento, ele afirma, foi um profundo sentimento de responsabilidade com relação à sua esposa e aos seus descendentes. Não é átoa que a família é o seu primeiro mundo, mas considera que no mundo um homem não pode deixar de levar em conta que possui outros relacionamentos semelhantes aos da família, como, por exemplo, no seu caso, com os funcionários da firma, irmãos, parentes e amigos conhecidos e desconhecidos.

Casado com a Sra. Regina Dalla Pagani, teve com ela os seguintes filhos: Marcela, Arnaldo Júnior e Graziela.

Sua receita para vencer na vida é a seguinte: confiar em Deus, confiar em si próprio e viver satisfeito consigo mesmo, aceitando a todos como na verdade são, para que aceitem a nós mesmos como somos na verdade.

Ter dinheiro, diz ele, é importante para o êxito das pessoas até onde saibam utilizá-lo com lealdade, sinceridade e correção honesta. Aparentemente o dinheiro proporciona status e "prestígio", mas na verdade o que proporciona alguma posição destacada é a conservação dos princípios morais, que todos aprendem com os pais, sem contudo, perderem a liberdade de decisão quando necessário, sendo flexíveis ou não, mantendo sempre o equilíbrio geral.

ARNALDO PAGANI acha que começou a sua escalada para ter destaque na Sociedade, quando foi considerado útil à comunidade que se dignou valorizar o seu trabalho em benefício dela. Para chegar a este ponto, teve lutas de natureza econômico-financeira; lutas de natureza moral e social; lutas de natureza subjetiva. Mas foi, ele mesmo afirma, ajudado por Deus, seguindo-se a ajuda do pai, da família e de todos os integrantes da firma J. PAGANI S.A. E com certa ironia comenta que foi ajudado até por alguns que pensaram em prejudicar a sua caminhada, por que aprendeu com eles como não se deve proceder.

Suas maiores ambições continuam sendo: viver e conviver em paz com todos; proporcionar, aos que necessitam de sua ajuda, uma oportunidade; estar sempre satisfeito consigo mesmo e com os outros; não perder jamais a sua fé em Deus e a confiança nos homens.

Ao conhecer a Argentina, país que visitou, trouxe a impressão de que é uma grande Nação, pela mentalidade e espírito patriótico dos seus dirigentes e do seu povo.

Aos jovens, ARNALDO PAGANI, deixaria a seguinte mensagem para o futuro: "Não deixem jamais de confiar em Deus e, apesar de tudo que consideram errado nas gerações antigas, utilizem ao máximo a experiência que transmitiram com os erros e acertos que praticaram, evoluindo sempre com lealdade, franqueza e sinceridade, crendo sempre no poder da verdade".

Temos certeza, de que no universo pessoal de suas crenças, ARNALDO PAGANI, um lutador abnegado e consciente, há de estar sempre criando inovações que aplicadas no sentido prático da vida, resultarão em benefícios para todos. A obra maior do homem será sempre, por mais absurda que possa parecer, uma integração entre o sentimento e a inteligência. Na vida de ARNALDO PAGANI, nesta dosagem entre uma coisa e outra, ele sempre soube, até agora, racionalizar e ordenar as coisas, na certeza de obter como produto final a concretização de seus ideais.

 

Fonte: Personalidades do Espírito Santo. Vitória – ES. 1980
Produção: Maria Nilce
Texto: Djalma Juarez Magalhães
Fotos: Antonio Moreira
Capa: Propaganda Objetiva
Compilação: Walter de Aguiar Filho, julho/2020

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