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As minas do Castelo- Por Adelpho Monjardim

O Brasão oficial do Município de Castelo foi instituído pela Lei Municipal número 581/70, de 28/10/1970

Atribui-se aos jesuítas, ainda no Século XVII, o desbravamento do território do Município de Castelo. Ali fundaram a Aldeia do Mato, que se tornaria famosa. Práticos, os loyolistas associaram o útil ao agradável. Evangelizando alimentavam o espírito e, minerando, alimentavam o corpo. Dois proveitos num saco só.

Para alguns historiadores as atividades da Companhia de Jesus, no Brasil, tornaram-se suspeitas à Coroa Portuguesa, como responsável pela evasão do seu ouro para as arcas do Vaticano, motivando o controverso Decreto Pombalino.

Isentos de quaisquer suspeitas os primeiros jesuítas aqui chegados, credores todos de uma dívida que o Brasil jamais poderá saldar. Finda a catequese os que vieram depois tiveram tempo para cuidar de assuntos outros e assim se tornarem agricultores, senhores de ricas e importantes fazendas. A Companhia tornara-se poderosa, nada lhe vedando o acesso às nossas riquezas naturais, dando azo aos que pretendem ver, na proteção ao íncola, interesses outros acobertados pelo manto da caridade.

Não somos contrários a que eles juntassem o útil ao agradável; mesmo porque de nada valiam as riquezas ocultas na terra, incrustadas nas rochas ou perdidas nos socavões de remotas serranias.

É crença geral que acumularam riquezas, que se verdadeiras foram, seguramente, ampliadas pela fértil imaginação do povo.

Como sabemos foram os primeiros mineradores das Minas do Castelo, empreendimento em que não foram bem sucedidos. As minas não pertencem à lenda, mas à História. Perdeu-se o seu roteiro em meio ao complexo e agitado sistema orográfico daquele município. Zelosos do território nativo, importunados pelos aventureiros atraídos pelo ouro, os puris alçaram-se em guerra, forçando os forasteiros à fuga. Nem mesmo os jesuítas escaparam à fúria selvagem e se deram por felizes escapando com as imagens, o sino e todos os para-mentos, para o Baixo Itapemirim.

Perdeu-se o roteiro das minas, mas o ouro ainda se faz presente nas areias do rio Castelo.

O Coronel José Francisco de Andrade e Almeida Monjardim, que por mais de meio século foi figura de projeção no cenário da Província do Espírito Santo, possuía duas bengalas cujos maciços castões eram de ouro das Minas do Castelo. Uma delas perdeu-a quando de uma visita ao Imperador, no Paço. A restante herdou-a o Senador Monjardim, já falecido.

A história das minas é uma trágica sucessão de lutas, de sangue, terror e morte. Um dos mais funestos episódios conta-nos antigo livro sobre as minas do Brasil. Pelo descrito situava-se em lugar de difícil acesso, cercadas de precipícios alucinantes. Para atingi-las passava-se por precária ponte, arremedo caboclo de uma pensil estruturada com cipós, tendo por tabuleiro pranchas de madeira, móveis como teclado de piano.

Uma tarde, ao escurecer, quando os mineradores deixavam as minas, já no meio da oscilante passagem sobre o abismo, surgem os puris, que ali aguardavam o momento. Soltando gritos selvagens, gritos de guerra, surdos aos apelos dos infelizes, cortaram as ligações da ponte, precipitando-os na voragem.

Assim, de modo trágico, terminou a mineração das Minas do Castelo, que desapareceram sem deixar vestígios.

 

Fonte: O Espírito Santo na História, na Lenda e no Folclore, 1983
Autor: Adelpho Poli Monjardim
Compilação: Walter de Aguiar Filho, junho/2016

 

História do Município de Castelo - Estado do Espírito Santo

Data de Emancipação: 25/12/1928

1º Prefeito: Américo Viveiro Costa Lima

 

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Por que Castelo

O nome da cidade tem sua origem relacionada aos primeiros aventureiros em busca do ouro. As fontes históricas relatam que o nome surgiu quando um dos exploradores deparou-se com montanhas semelhantes a um castelo de estilo feudal.  Para reforçar, a serra ao lado desta formação tinha o aspecto de muralhas no entorno de um castelo. Essa formação rochosa é conhecida atualmente como Pico do Forno Grande.

A colonização

São duas as hipóteses que tentam explicar os primórdios da colonização  no município de Castelo.

Alguns pesquisadores atribuem aos padres jesuítas o ônus da fundação dos primeiros povoados na região das Serras do Castelo, no ano de 1625. 

No entanto, uma outra perspectiva interpretativa atribui aos bandeirantes tal façanha. Essa dúvida atravessa a história e persiste até hoje.

Isto porque não há, ainda, suporte documental histórico para que uma delas torne-se majoritária.

Primeira hipótese: a ação dos Jesuítas

A Companhia de Jesus foi fundada no ano de 1534 pelo espanhol Inácio de Loyola. A Ordem foi criada no contexto da Reforma Católica, também denominada Contra Reforma, em oposição à Reforma Protestante iniciada por Martinho Lutero.

Desde o inicio os Jesuítas, que também ficaram conhecidos como “padres soldados”,   se destacaram por seu trabalho missionário e educacional.

Rapidamente ganharam força dentro da Europa e expandiram-se por diversos paises e continentes. Eles chegaram ao Brasil no ano de 1549, trazidos pelo Governador Geral Thomé de Souza.

Chefiados por Frei Manuel da Nóbrega foram os responsáveis pela fundação de São Paulo de Piratininga e de seu famoso colégio. Dalí partiram para a sua extensa obra de catequização indígena, fundando aldeamentos chamados de missões.

No Espírito Santo, os jesuítas fundaram escolas e aldeamentos em vários lugares. Nessa empreitada destacou-se a figura do padre José de Anchieta, que chegou ao Brasil em 1553. Junto com ele vieram mais seis padres jesuítas, todos doentes.

Em nossa região, por volta de 1625, os jesuítas teriam fundado as Missões de Monte Castello, composta por quatro reduções: a do Caxixe ,do Ribeirão, a da Barra do Rio Castelo e a de Salgado.

Na região do “Castello” também foi construída uma igreja em homenagem a Nossa Senhora do Amparo. Ela teria sido a primeira no interior da Capitania do Espírito Santo.

Controvérsias

Muitas controvérsias cercam a presença dos jesuítas nas Serras do Castelo. Alguns estudiosos acreditam que, para além da catequese indígena e das atividades agrícolas, os padres também estavam em busca de ouro. Entretanto, até hoje não foi encontrada nenhuma prova de que eles tenham iniciado alguma atividade de mineração.

Segunda hipótese: os bandeirantes

A busca pelo ouro motivou aventureiros de todas as partes da Colônia a enveredarem-se pelo interior do território brasileiro.

Abandonando o litoral e arriscando toda a sorte nessa jornada, os bandeirantes abriram trilhas na densa floresta e, por volta de 1695, lograram êxito em sua jornada, descobrindo as primeiras pepitas na região das Gerais.

Embora tenha havido uma intensa corrida em direção às Gerais, alguns bandeirantes seguiram outros caminhos em busca dos metais preciosos, como foi o caso do bandeirante Paulista Pedro Bueno Cacunda.

Cacunda foi o pioneiro da atividade de exploração do ouro nas “Serras do Castelo” e nos iniciais do século XVIII, fundou um arraial denominado Santana, na região hoje conhecida por Fazenda da Povoação.

O povoado tornou-se referência para a prática da mineração, contando com mais de duzentas pessoas, criação de animais e intensa produção de alimentos.

O conflito com os padres jesuítas, as dificuldades na lida com os nativos, a natureza inóspita e a falta de apoio da Coroa portuguesa abateram os ânimos do bandeirante Pedro Bueno Cacunda que, três décadas mais tarde, se retira da região e vai tentar a sorte em outras terras.

Mesmo após a saída de Pedro Bueno Cacunda da Região das Serras do Castello, a atividade mineradora continuou, embora não fossem raros os conflitos entre índios e garimpeiros.

Neste cenário de animosidades, destacaram-se os padres jesuítas. Eles foram os responsáveis por manter, ao longo de alguns anos, o frágil equilíbrio entre os grupos da região.

Entretanto, com a expulsão da Ordem Inaciana do Brasil, no ano de 1759, a trégua nas relações entre os nativos e exploradores foi rompida, fato que resultou em inúmeras batalhas.

A mais sangrenta de todas ocorreu no ano de 1771, na entrada da Gruta do Limoeiro, e os indígenas saíram vitoriosos, obrigando os exploradores a se refugiarem no Baixo Itapemirim.

Os constantes ataques indígenas colaboraram para o abandono da região até o inicio do século XIX. No entanto, a esperança de fazer da região um grande centro da exploração do ouro nunca deixou de existir.

Em 1816 uma Carta Régia ordenava ao Governador do estado Francisco Alberto Rubim a “adiantar os exames, a descoberta e a lavra das Minas do Castelo”.

Apesar de todos os esforços empreendidos, por volta de 1830 havia cessado a busca intensiva pelo metal precioso. A aventura continuou apenas pela iniciativa de alguns ousados garimpeiros, atravessando o tempo e chegando até as primeiras décadas do século XX.

Ainda hoje é possível encontrar em toda a região vestígios da exploração do ouro: rios com leitos desviados, canais entalhados na pedra, sulcos profundos nas montanhas, montes de cascalhos aglomerados, além dos próprios nomes de algumas comunidades: Bateia, Patrimônio do Ouro, Fazenda da Prata, Córrego da Prata.

 

SÍMBOLOS DO MUNICÍPIO

Brasão

O Brasão oficial do Município de Castelo foi instituído pela Lei Municipal número 581/70, de 28/10/1970.

 

É um escudo português que forma um campo de ouro, com uma elevação montanhosa verde ao centro. No alto da elevação montanhosa, um solar ou castelo feudal em cinza. Na parte inferior da elevação montanhosa, dentro do campo de ouro, uma caverna em verde, tendo à sua entrada em prata, três estalactites na cor cinza.

No ângulo superior direito do campo de ouro, um paralelepípedo em prata. No ângulo esquerdo, um ramo frutado de café, com folhas verdes e frutos em vermelho. Por cima do campo de ouro, uma faixa vermelha com frisos delgados em prata. Nesta faixa, quatro losangos verdes e quatro quadriláteros azuis.

Ao pé do brasão, uma faixa com os seguintes dizeres, em prata: “ 1845 – Castelo – 1928”.

Na parte superior do brasão, Coroa de cinco torres de prata, tendo sobre a torre central uma elipse em azul, carregada com uma cruz de ouro.

Simbolismo do Brasão

O Escudo Português representa a origem lusitana do Brasil.

A montanha ao centro significa os dois mil metros do Pico do Forno Grande.

O Castelo feudal indica a origem do nome do Município.

O ramo frutado de café, a lavoura cafeeira.

O paralelepípedo representa as jazidas de mármore.

A caverna na parte inferior significa o patrimônio histórico do município( a Gruta do Limoeiro).

Os losangos, os quadriláteros e os frisos representam a fé cristã de seu povo, como a tradicional Festa de Corpus Christi.

A cruz, em elipse, representa Nossa Senhora da Penha, padroeira do Município.

 

Datas

1845 – Ano de fundação da Fazenda do Centro

1928 – ano da emancipação da cidade de Castelo.

 

Simbolismo das cores

Ouro – força / Prata – Candura / Vermelho – Intrepidez / Azul – Serenidade / Verde – Educação / Cinza - Respeito

 

Bandeira

Também foi instituída pela Lei número 581/70. Seu tamanho é o padrão oficial.

É composta de três faixas verticais nas cores vermelha, azul celeste e amarela.

O Brasão é sobreposto à faixa azul, no centro do Pavilhão.

 

Hino de Castelo

Letra e Música de Gerson Costa

 

Castelo, terra querida

Que ostenta paz e tradição

És o halo de uma raça destemida

Que tem Castelo no coração

 

Ó terra iluminada!

Um sol com todo esplendor!

Tua gente é por Deus abençoada

Porque labora com fé e amor!

 

Em tuas matas verdejantes

Repousa a luz de um céu gentil!

Castelo..., Castelo...,

Pedaço do meu Brasil!

 

Da sementeira do passado,

És uma flor primaveril!

Castelo..., Castelo...,

Essência do meu Brasil!

 

Se a pátria os teus filhos convocar,

Eles partirão contentes!

Mostrarão aos povos de outras terras

Que os filhos de Castelo são gentis e são valentes!

 

Fonte: http://www.castelo.es.gov.br

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