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Av. Gil Vellozo - A origem desse nome

Foto tirada do Ed. Guruçá - Início da urbanização da Av. Gil Vellozo, na administração do então Prefeito Tuffy Nader (1959-1962)

A maior parte das pessoas que circulam pela movimentada Avenida Gil Vellozo, na Praia da Costa (Vila Velha/ES), desconhece a origem desse nome. Raros sabem tratar-se de um homem que – em apenas meio século de vida – participou de alguns dos momentos mais importantes da história do Espírito Santo e do Brasil – como jornalista, homem de letras, vereador, prefeito, deputado estadual e deputado federal. A histórica União Democrática Nacional (UDN) foi o partido pelo qual se elegeu para todos esses mandatos.

Como prefeito, Gil Vellozo sancionou a lei que devolveu ao Município – antes denominado Espírito Santo – o nome de Vila Velha, que permanece até hoje, e conseguiu a proeza de tocar a urbanização da cidade, mesmo tendo contra si a oposição sistemática de toda a Câmara Municipal. Isso mesmo: amargou uma oposição de três longos anos, período em que todos os seus projetos foram barrados pelos vereadores.

Quando terminou o boicote, esse comportamento da Câmara motivou uma queixa educadamente registrada por ele no Relatório de Atividades Administrativas, enviado ao Legislativo quando terminou o seu mandato, em 1959. Naquele momento, a paz com os vereadores já estava celebrada e o prefeito administrava num clima de normalidade.

Naquele relatório, Vellozo lamentava não só a oposição sofrida, mas também o fato de o eleitorado de Vila Velha pulverizar seus votos em candidatos estranhos à terra. Em consequência disso, mesmo tendo capacidade para eleger três parlamentares, o município não contava com um único representante na Assembleia Legislativa. Isso representava um grande prejuízo para o Município, pois cada deputado tinha (e ainda tem) direito a uma fatia anual do orçamento estadual para ser destinada às bases eleitorais. Como Vila Velha não tinha um representante na Assembleia Legislativa, ficava só com a sobra dos outros municípios.

Por isso mesmo, no Relatório sobre o seu mandato, Vellozo defendia, pioneiramente, o voto distrital – sistema em que o Estado é dividido em regiões eleitorais.  A eleição por regiões (distritos), em tese, amplia o compromisso de cada parlamentar com seu eleitorado. Como ele argumentava, essa era a única forma de Vila Velha não ter mais que mendigar as sobras dos outros municípios.

Se sofria com a oposição da Câmara, o prefeito tinha o apoio do Governo do Estado, chefiado por Francisco Lacerda de Aguiar, do seu partido. Como tudo tem um lado positivo, a oposição radical contribuiu para o aperfeiçoamento político do prefeito, um conciliador de habilidade reconhecida. Vellozo passava a imagem de prefeito criativo e esforçado, apesar do confronto parlamentar. A posterior pacificação da Câmara permitiu um trabalho sossegado, acelerando a administração. Essa associação de fatores reuniu condições para ele tentar e conseguir um mandato na Assembleia Legislativa, onde, enfrentando as forças políticas abrigadas na sigla do PSD, tutor do Estado, procurou ser o deputado necessário para Vila Velha. Foi bem sucedido a ponto de sair da Assembleia para a Câmara Federal. Tanto na Assembleia como na Câmara Federal, ele verificou como a política pode ser irônica nos papéis destinados a seus atores.

Deputado estadual, o udenista Gil Vellozo, criticava o Governo do pessedista Carlos Lindenberg. Até aí tudo certo, porque era esse o seu papel. Mas ele criticava a administração de Carlos Lindenberg não só porque UDN e PSD representavam forças políticas antagônicas; fazia-o também em defesa do seu sucessor em Vila Velha, Tufy Nader. Aí moravam a contradição e o detalhe: Tuffy era filiado ao mesmo PSD de Carlos Lindenberg. Mas, pelo simples fato de ter contado com o apoio de Vellozo e da UDN, Carlos Lindenberg relegava sua administração ao desprezo.

O mandato de Vellozo na Assembleia refletiu tudo isso, com duras críticas ao governo de Lindenberg e com a defesa constante à administração de Tufy Nader. Bom de tribuna e articulador habilidoso, Antônio Gil Vellozo tinha um estilo que foi aprovado pelas urnas.

Assim, aquele observador atento das transformações políticas e econômicas do País durante o século passado obteve um mandato na Câmara Federal num período reconhecidamente sensível: o Brasil tinha passado pela ditadura de Getúlio Vargas e por seu retorno à Presidência, ainda lembrando o suicídio no Palácio do Catete e a consequente crise política.

Juscelino Kubistchek prometeu fazer 50 anos em cinco e acelerou a industrialização de um país onde boa parte da economia era lastreada em sacos de café carregados em lombos de burros. Estonteou os brasileiros e impressionou o mundo com a construção e a arquitetura de Brasília. A Fábrica Nacional de Motores – fundada no período Vargas – acabou lhe dedicando um luxuoso carro, o JK, enquanto a imprensa o apelidava de presidente Bossa Nova.

A UDN de Gil Vellozo participou com entusiasmo da vitoriosa campanha de Jânio Quadros para a presidência da República e teve a decepção de vê-lo renunciar reclamando de supostas “forças ocultas”. O vice João Goulart só assumiu a Presidência em agosto de 1961, depois de ser contornada uma imensa crise e de ser implantado o regime parlamentarista de governo, com Tancredo Neves como primeiro-ministro. Foi a forma encontrada para acalmar os militares.

Pouco mais de um ano após Jango chegar ao Palácio do Planalto, Vellozo chegou à Câmara Federal pronto para fazer oposição. Integrava uma UDN liderada por Carlos Lacerda, que ambicionava a Presidência e via na conspiração contra o presidente um atalho para atingir seu objetivo.

Os udenistas estimularam abertamente os militares que derrubaram Jango, pensando erroneamente que o golpe era uma ação oportuna, necessária e transitória, com fim previsível numa suposta reorganização do País. Antônio Gil Vellozo morreu desgostoso, num acidente de carro em 1966, decepcionado com os militares.

No registro de sua morte, uma matéria do Jornal do Brasil, na época jornal de influência e circulação nacional, classificou-o como um parlamentar “reformista católico, de doutrina social-democrata, ideologicamente centrista” e, dentro da Câmara dos Deputados,  um “lacerdista firme”. Foi muito pouco para aquele cujo nome, ainda em vida, já estava impresso nas páginas da história do Espírito Santo.

 

Fonte: Coleção Grandes Nomes do Espírito Santo - Antônio Gil Vellozo, 2013
Texto: Roberto Moscozo
Coordenação: Antônio de Pádua Gurgel

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