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Bahia, armazém do Brasil no período colonial

Estátua de Vasco Fernandes Coutinho, em exposição na Casa da Memória de Vila Velha

A Bahia tornou-se então a metrópole da América Portuguesa. Além de centro dos negócios públicos, era o armazém da colônia, onde se ia abastecer das utilidades outrora vindas diretamente de Lisboa para cada donataria. Disso há testemunhos nos mandados de quatro de março de 1550, em que o provedor-mor autorizava o tesoureiro e o “Almoxarife dos armazéns, e mantimentos da Cidade do Salvador” a entregar a Francisco de Oliveira, feitor e almoxarife do Espírito Santo, “dois sellos de metal, um que diz Livro, e outro da espera”, e peças de balança com respectivos pesos, além de “quarenta espadas guarnecidas com suas bainhas”.(24)

Também o mandado de vinte e dois de março do mesmo ano, de Cardoso de Barros para Cristóvão de Aguiar, “almoxarife dos armazéns e mantimentos da Cidade do Salvador”, autorizava a entrega ao capitão e governador do Espírito Santo das “cousas seguintes a saber; seis meios berços, e um falcão de metal com suas chaves com tres Camaras para cada peça do meio berço, e duas para o falcão, e cento e cincoenta pelouros; cento, e vinte para os meios berços, vinte para cada um e trinta para o falcão, e um quintal de polvora, e dez lanças, e dez piques, e quarenta espadas ...”(25)

Anteriormente, a quinze de dezembro de 1549, foram mandados da Bahia, para o almoxarife do Espírito Santo, “um falcão de metal com duas camaras, e uma chave, e trinta pelouros”. (26)

Comércio direto com Portugal – Basílio Daemon informa que se inaugurou nesse ano de 1550 o comércio direto com Portugal e Angola, ligando tão auspicioso acontecimento à instalação da alfândega na capitania.(27) Já nos referimos ao primeiro carregamento de açúcar despachado para a metrópole, no barco de Brás Teles, em 1545.

 

NOTAS

 

(24) - DH, XXXVII, 41.

– A catorze de setembro de 1550, o provedor-mor passou um mandado para o almoxarife dos Armazéns, Cristóvão de Aguiar, fornecer a Francisco de Oliveira “a artilheria e munições abaixo declaradas; a saber um falcão de metal com seu reparo e duas Camaras, e uma chave, e setenta pelouros, e um barril de polvora de bombarda, e dois quintaes de ferro, as quais cousas eram para estar na dita Capitania para defensa della, e por elle com seu conhecimento em forma feito pelo Escrivão de seu cargo assignado por ambos, em que declarasse receber delle as ditas cousas com toda a mais artilheria, e munições, que lhe eram entregues pela Redizima da dita Capitania pelos preços, que vieram dos armazens do Reino lhe sejam levados em conta, e se lhe entregará mais seis arrateis de polvora de espingarda”

(DH, XIV, 93). – Mais tarde, isto é, a quinze de dezembro de 1552, novo mandado do provedormor, agora dirigido ao mestre da nau São João, de Sua Alteza, autorizava a entrega ao feitor e almoxarife da Capitania do Espírito Santo, “de seis arcabuzes, e seis espingardas com todos seus aparelhos; e que por elle, e seu conhecimento em forma feito pelo Escrivão de seu cargo assignado por ambos de como recebeu as ditas cousas, e lhe ficam Carregadas em Receita lhe sejam Levados em Conta” (DH, XXXVIII, 109).

(25) - “...a qual artilharia e cousas o dito Vasco Fernandes pagará pelos preços que vierem dos armazens do Reino e que por elle com conhecimento do dito Vasco Fernandes feito pelo Escrivão da Feitoria da dita Capitania assignado por ambos, em que declare receberem as ditas cousas lhe sejam levadas em conta” (DH, XXXVII, 42-3).

(26) - DH, XIV, 391.

(27) - Prov. ES, 62.

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, maio/2017

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