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Bandeirantes esquecidos – População

Rio Doce visto do espaço - Fonte: O Vale do Rio Doce, CVRD - 2002

As minas continuavam preocupando aos mais ousados. Não raro os documentos citam nomes de bandeirantes esquecidos da História oficial. Nomes inexpressivos porque não alcançaram sucesso – que glorifica e imortaliza. Encontramos referências a um tal Bruno,(52) ou Bueno,(53) que teria descoberto terrenos auríferos na margem direita do Manhuaçu; e, de 1780, existe uma representação de Francisco Xavier Teixeira Álvares, dirigida à rainha, pedindo fossem enviados seis padres para várias aldeias de gentios situadas nas cabeceiras do rio S. Mateus e licença para explorar o ouro que encontrasse, além de certas regalias que era costume conceder aos primeiros povoadores.(54)

O rio Doce, não obstante a ferocidade das tribos ribeirinhas, já era utilizado como estrada para o comércio entre Minas Gerais e os portos do Espírito Santo.(55)

A darmos crédito aos recenseamentos da época, a capitania iniciou o último quartel do século em condições excepcionalíssimas. Basta dizer que, em um decênio, a população dobrara de número. De 7.773 habitantes – que acusou o censo de 1774-75 – subiu a 15.600, em 1780.(56)

Com os elementos disponíveis não se pode explicar o fenômeno, merecedor, aliás, de estudo mais demorado.

 

 

NOTAS

(52) - DAEMON, Prov. ES, 184.

(53) - RUBIM, Notícias, 342.

(54) - ALMEIDA, Inventário, II, 461.

(55) - Instrumento em pública-forma com o teor de uns autos de justificação a que procedeu o Juiz ordinário da comarca do Espírito Santo Domingos Fernandes Barbosa Pita Rocha sobre o comércio de Minas Gerais que se fazia pelo Rio Doce para os portos do Espírito Santo. Vila da Vitória, vinte e dois de outubro de 1781 (ALMEIDA, Inventário, III, 181-2).

(56) - Mapa da enumeração da gente e povo desta Capitania da Bahia, pelas freguesias das suas comarcas, com a distinção em quatro classes das idades pueril, juvenil, varonil e avançada, em cada sexo, com o número dos velhos de mais de 90 anos, dos nascidos, dos mortos, e dos fogos, conforme o permitiram as listas que se tiraram do ano pretérito; no que é de notar que aqui não se incluem onze freguesias das Minas e Sertão do Sul, que passaram à jurisdição secular da Capitania das Gerais, ainda que se conservaram na eclesiástica da Bahia, cinco de dezembro de 1780.

“Capitania do Espírito Santo – população, 15.600 almas; freguesias, 4.

Total de toda a população de ambos os sexos no ano de 1780: 287.850 almas [em toda a ‘Capitania da Bahia’]” (ALMEIDA, Inventário, II, 480).

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, junho/2018

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