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Bar-bicacho, o bar dos tropeiros

Houve um tempo em que os bares levavam no nome a palavra básica BAR. Assim: bar-batana, o dos pescadores contadores de lorotas; Bar-bitúrico, o do pessoal que era chegado num torpor; Bar-bicacho, o dos tropeiros (esses, num tempo bem remoto); Bar-carola (não vendia bebida e cigarro), o dos que rezavam em excesso (se bem que acabo de achar que nunca é um tanto demais, do jeito que as coisas andam); Bar-cana, o dos que gostavam da pura, sem fazer cara feia e esboçar o gesto de sarava. Bar para tudo quanto é tipo de barzófilo, inclusive o dos melômanos, o Johann Sebastian Bach. O dos cinéfilos – pasmem – se chamava Baretta. E o dos velejadores, Barquinho.

Foi nessa onda de bares com endereço tão certo que surgiu um estabelecimento comercial vendedor de molhados que ousou chamar-se Jatobar. Ali se reuniam os apressadinhos. A xícara de cafezinho ficava sempre pela metade, o papo ia de “como vai” até a resposta “vou...” e o outro inquiridor já ia. Era comum ali uma cerveja ser tomada por meia dúzia, porque era o único bar em que o dono servia cerveja a retalho, já que nem dava para esquentar.

No Jatobar, se era dia de folia, tipo seresta, era comum uma canção como Amélia começar pelo “Nunca vi fazer tanta” com três zunidores e terminar com 150 vozes, no total do revezamento. Uma verdadeira procissão.

O bar não durou muito, ali na Duque de Caxias dos anos 60. Os apressadinhos nunca conseguiam fazer uma turma. E bar sem turma vai mesmo à falência, porque o que conta neste tipo de estabelecimento que vende molhados é a esticada sem compromisso, a conversa em tom de confessionário, sinuosa, espichada. O ritual de jogar conversa fora não permite hora marcada.

Por isso, o sucesso veio com o Zanzibar, em que todo mundo ficava zanzando e se azarando. Até a noite acabar.

 

Livro: Escritos de Vitória – bares, botequins, etc.
Autor: José Irmo Gonring (Nascido em Santa Teresa. Jornalista, dramaturgo e escritor)

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