Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Boate Papagaio

Foto ilustrativa década de 1970

No dia 5 de abril de 1979, a noite capixaba mudou. Em meio à efervescência da Era Disco, a boate Papagaio chegava a Vitória. Se estivesse em atividade, o espaço estaria completando 30 anos em 2009. A abertura da franquia da casa carioca comandada pelo empresário Ricardo Amaral modificou os hábitos noturnos dos jovens da Capital.

Os sócios daqui (Carlos Evandro Monjardim, o Charles; Maurício Tristão, o Bombom; e Márcio Espíndula) trouxeram o know-how que incluía mão-de-obra paulista e carioca para a construção, projeto do arquiteto Gerard Paris, e treinamento profissional para os atendentes. Era a primeira danceteria de Vitória. “A Papagaio apareceu em uma época de boom das discotecas no Brasil. Mas antes, aqui não tinha nada”, recorda Rodrigo Espíndula, discotecário da extinta danceteria.

Naquele tempo, final dos anos 70, a vida noturna em Vitória engatinhava e Rodrigo, com 22 anos, passou então a freqüentar a casa. “Foi um divisor de águas na noite da cidade e para mim, já que aprendi a ser discotecário lá”, conta Rodrigo, que sabe o endereço de cor até hoje: Avenida Nossa Senhora da Penha, 1.297 (lugar onde funciona atualmente o São Firmino Botequim).

Eram noites memoráveis que reuniam cerca de 1,5 mil pessoas, entre jovens da sociedade capixaba e colunáveis como Hélio Dórea e Danuza Leão. As festas temáticas também faziam sucesso – de desfiles de moda, com a presença de Monique Evans e Ísis de Oliveira, a concursos de beleza (como o Glamour Girls e o College Girls), passando pela batalha “Beatles versus Rolling Stones”.

“Foi a boate da minha adolescência”, revela o radialista Fábio Pirajá, que tinha 14 anos no período de funcionamento da danceteria. Segundo Fábio, para quem gosta de música, a fase é inesquecível. “Marcou muito porque não tinha outra danceteria. O que acontecia mais na cidade eram bailes. A Papagaio foi a pioneira”, acrescenta.

No melhor clima de “Embalos de Sábado à Noite”, a trilha sonora da noite passava por Rapper’s Delight, George Benson, Love Unlimited, Donna Summer, Anita Ward e Doobie Brothers. Tudo muito dançante. “A trilha sonora era bem atualizada, até porque os donos tinham morado nos Estados Unidos e compravam muitos discos”, conta o DJ Luís Cláudio Casado, que também era freqüentador das matinês da Papagaio.

O empresário Toninho Miura, 51, chegou a ser sócio cotista da danceteria. “Eu tinha um cartão da casa. Foi a melhor época da minha vida. Era um lugar sadio, com segurança, alegre e espaçoso”, lembra Miura, que tinha 22 anos em 79.

A boate durou de 1979 a dezembro de 80, sendo substituída pela Black Horse, que teve um fim trágico em março de 1983, quando um incêndio destruiu a construção.

Fonte: A Gazeta (4/04/2009)

Por: Tatiana Wuo

 LINKS RELACIONADOS:

>> A Bossa em Vitória
>> Tachinhas e calça de lycra

Matérias Especiais

A âncora da Prainha

A âncora da Prainha

A âncora da Praça Tamandaré que fica localizada em frente ao Fórum e a Casa da Memória na Prainha, em Vila Velha, foi presenteada pela Marinha ao município de Vila Velha

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

A Cidade em outros tempos

Bondes, lanchas, manguezais e catraeiros nos remetem há uma época que creio não retornará. Vou citar alguns fatos e nomes de alguns personagens

Ver Artigo
Mercados e Feiras

Entreposto de vida nas cidades. Os mercados e feiras fazem a ligação, do campo para a cidade, do pão nosso de cada dia. É onde a cidade vai buscar o seu alimento...

Ver Artigo
Vitória da Bossa

O mundo inteiro sabe que o nascimento da Bossa Nova se deu na Zona Sul do Rio, mas poucos se dão conta de que Vitória exerceu papel de coadjuvante na criação do movimento

Ver Artigo
A lenda do judeu pescador

O judeu, natural do Algarve, era católico, e atribuía a sua boa sorte à devoção de São Tiago e Santa Marta, cujas imagens mantinha num oratório

Ver Artigo
Festejos de Natal: Reis

O Reis foi introduzido em Vila Velha pelo Padre Antunes de Sequeira. Filho de Vitória, onde nascera a 3 de fevereiro de 1832

Ver Artigo