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Campismo - Por Cacau Monjardim

Acampamento

Deve-se a um capixaba – Ricardo Menescal – o impressionante desenvolvimento experimentado pelo campismo brasileiro, que iniciou os seus efetivos serviços no distante ano de 1966.

Não se pode, quando o próprio Camping Clube do Brasil, que tem o capixaba Ricardo Menescal como seu Presidente, aponta os números que justificam o seu crescimento e mostra as perspectivas de sua participação no desenvolvimento turístico nacional, deixar de tributar ao pioneiro e incentivador insubstituível do campismo, a homenagem dos que assistiram de perto, como nós, toda a brilhante trajetória desta verdadeira massa que agora circula pelo país, praticando um sistema novo e atraente de turismo, conjugando lazer com natureza nas suas mais belas formas e sentidos.

O ano de 1974 oferece um quadro do desenvolvimento do campismo, dentro do qual ele se revela credor de 462 mil pernoites, representando uma evolução, em relação ao ano anterior, de 40,60%. Para aqueles acanhados 90 pernoites conquistados em 1966, este resultado se afigura como uma plataforma de êxito, tributo à tenacidade, ao espírito de luta e à capacidade que Menescal dedicou à afirmação de seu sonho, desde a primeira hora, quando como um velho bandeirante seguia sozinho para a Europa, num aprendizado que veio colocar a serviço de expansão do campismo nacional.

No nosso Estado, no Estado de Menescal, temos apenas um camping: o de Setiba. Mantivemos durante todo o tempo em que permanecemos à frente da EMCATUR, vários e proveitosos contatos com o Camping Clube do Brasil, porque tínhamos assumido conosco o compromisso de deixar pelo menos um camping instalado no Estado, atendendo os desejo de Menescal.Infelizmente, razões adversas, falta de compreensão de alguns Prefeitos e falta de entusiasmo de alguns setores administrativos determinaram um atraso nesta programação. O exemplo de Setiba, sem dúvida, pode representar um agradável reencontro com esta realidade, cuja força potencial sustenta o dimensionamento de qualquer política turística. Recomendamos, portanto, com o mesmo entusiasmo de ontem, aos atuais dirigentes, que reabram o diálogo com o Camping Clube do Brasil e ofereçam a Menescal a oportunidade de pontilhar alguns de nossos mais encantadores pontos turísticos com a alegria, a descontração e o sereno comportamento desta imensa legião de campistas.

Estamos implantados dentro da região sudeste, onde também se encontra o maior mercado do campismo brasileiro. Mais de 60% dos associados do Camping Clube do Brasil residem no eixo Rio-São Paulo. Dos 35 campings instalados no país, de norte a sul, em termos de utilização, o nosso Setiba encontra-se numa excelente posição. Está em nono lugar em termos de pernoite. Este dado justifica uma maior compreensão para o problema de ampliação da rede estadual, sob a correta orientação da entidade nacional, oferecendo-se perspectivas de imediata implantação de unidades em Linhares, às margens da Lagoa Juparanã em Santa Teresa ou Domingos Martins, dentro do aproveitamento do circuito da BR-262 e aproveitando-se ainda a generosa opção de montanha, onde estamos completamente descobertos.

Temos que entender que a prática do campismo é um imperativo do momento que vivemos. Ele responde aos traumas do homem-urbano. Ele é a opção de lazer e saúde. Ele é a opção contra a alta desenfreada do custo de diárias. Ele representa a correção nos custos das utilidades básicas, porque está equipado para isto. O campismo e os motéis são instrumentos de correção no comportamento da corrente turística.

Se algumas grandes empresas hoteleiras nacionais se entregam hoje à implantação dos chamados motéis rodoviários, incrustados em panoramas de beleza e descontração, agasalhados sob o verde e batidos pela brisa, colorindo as nossas rodovias federais e os principais entroncamentos estaduais, é porque se encontraram com a realidade deste país-continente.

Esta prática que permite a redução dos custos de manutenção, que oferece a contrapartida da natureza e um certo apoio logístico ao turista rodoviário, o grande consumidor do setor nacional, é o reflexo de uma solução que pretende, de pronto, com objetividade, aproveitar-se economicamente das disponibilidades financeiras desta corrente, tradicionalmente fugitiva do formalismo luxuoso e ostensivo das grandes unidades hoteleiras que construímos nos últimos 10 anos.

Ricardo Menescal, cuja experiência internacional é uma grande garantia para o programa de expansão do campismo em nosso país, teve o mérito, estamos certos, de ter entendido há 10 anos que esta era a grande opção que se poderia oferecer ao nosso país, ao homem brasileiro.

 

Abril de 1974  

 

Fonte: Capixaba, sim. (hoje mais do que ontem)-Vitória ES/2006, segunda edição
Autor: Cacau Monjardim

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