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Canal da Passagem

Ponte da Passagem de concreto armado

O canal da Passagem, impropriamente denominado rio da Passagem, é um braço de mar que separa, ao norte, Vitória do continente.

Corre em sentido oeste-leste e põe em comunicação a baía exterior com a interior – o Lameirão ou Lamarão. Separam sua águas Camburi, da Ponta Formosa, pela Barrinha, fronteira à ilha do Fato. Dois quilômetros a montante atravessa o canal a ponte da Passagem, moderna construção de cimento armado, lançada em substituição à antiga, de madeira, sobre pilares de alvenaria e datada dos tempos coloniais.

É de um só vão e mede cerca de cinquenta metros de extensão. Os pegões firmam-se sobre as rochas de um travessão, que impossibilita o trânsito de embarcações maiores, embora atinja a profundidade, em alguns pontos, de seis metros. Desliza todo o tempo entre margens baixas e alagadiças, em que predominam os mangues.

Cerca de uma milha a oeste da ponte, no fundo do canal, curiosa disposição de lajes, no sentido da corrente, pavimentando-o simetricamente, evidencia a mão do homem. A gente do lugar denominou-o de “Calçada”. Além de excelente pesqueiro é curiosa interrogação aos nossos arqueólogos. Obra do homem? Provavelmente. Com que finalidade?

São também interessantes as ilhas perdidas no labirinto dos mangues, sem falar na do Apicu, após o grande braço formador do canal Norte, que depois de longo trajeto volta a desaguar no Lameirão, pouco abaixo de Jacuí. Sem um prático dos canais que se bifurcam em direções diversas, não é fácil a saída do amplo estuário do Lameirão. Por uma passagem pouco conhecida, chega-se a ilha da Margarida. Pequena, mas de margens elevadas, a ilha é rico sambaqui de onde farto material foi remetido para o Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. Várias peças foram enviadas ao Rio de Janeiro, para competente classificação, entre as quais um dente, de cerca de dez centímetros, bastante gasto na extremidade inferior interna, igual à presa de um javali.

No presente o trânsito do canal é quase nulo por carecer de importância como via de comunicação. Entretanto é bastante procurado pelos pescadores devido à piscosidade das suas águas. No Lameirão termina por de trás de larga cortina de mangues, através da qual se infiltra por estreitos braços que exigem conhecimento dos que por eles transitam, a fim de se não perderem no inferno de raízes e galhos que não parecem ter fim.

 

Fonte: Vitória Física (Geografia, História e Geologia), 1995
Autor: Adelpho Monjardim
Compilação: Walter de Aguiar Filho, julho/2012
Nota do Site: A primeira edição recebeu o Prêmio Cidade de Vitória de 1949 



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