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Carapina e sua Origem

Carapina ou Andiroba - árvore que deu nome ao bairro da Serra, ES (Carapina)

O cientista Barbosa Rodrigues, diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em 1893, registrou importantes conhecimentos sobre a caraça, meliácea originária da Guiana Francesa e do Amazonas, também conhecida como carapina e andiroba. Trata-se de uma das mais belas árvores que se aclimatou naquele jardim onde reverdesce, compondo a aléa Carlos Glass, plantada pelo mesmo diretor.

Grande árvore que alcança até trinta metros de altura, sua madeira resistente era empregada para mastreação de barcos, marcenaria, carpintaria, enquanto sua grossa casca e as grandes folhas tinham uso em cozimento, como sucedâneas da quinina no combate à febre tremedeira e serviam ainda para o curtume. O óleo retirado das amêndoas reunidas em pequenos cachos substituía o da mamona na iluminação das candeias. Era, também, usado pelos indígenas, em mistura com o corante vermelho originado da planta grajuru-piranga que esfregavam no corpo como proteção contra a picada dos insetos. Avalia-se a importância desse repelente pela resposta dada por um chefe índio ao sábio-viajante Barão de Humboldt: imaginava o paraíso celeste tal qual a lua onde não havia mosquitos.

Barbosa Rodrigues ressaltou que a espécie botânica “contém um princípio ativo alcalino, que Robinet denominou Carapina”.

Um outro ex-diretor do Jardim Botânico, não menos ilustre, Manuel Pio Corrêa foi mais circunstanciado no volumoso Dicionário de plantas úteis do Brasil, ajuntando que a andirobeira que vegeta de preferência nas várzeas próximas aos leitos dos rios presta-se em seu aspecto elegante para arborização de ruas.

Segundo relatório do major Antônio Florêncio Pereira do Lago, chefe de uma comissão exploradora dos rios Tocantins e Araguaia, em 1876, o fabrico de azeite de andiroba naquela região era indústria florescente. Constituía bom ramo do comércio, tendo o Tocantins exportando no ano anterior, perto de dez mil potes de azeite. O major forneceu detalhes sobre o preparo rudimentar de maceração ainda o mesmo que se empregada há dois séculos atrás. Constatou que a andirobeira podia ser encontrada em grande abundância na Amazônia. Acentuou a urgência do aperfeiçoamento do processo extrativo mormente naquela ocasião uma vez que estava generalizado o uso do petróleo e bem próximo o dia em que a capital seria iluminada a gás.

Árvore frequentemente lembrada desde os mais antigos registros como o de André Thevet (1558) nas Singularidade da França Antártica, a que outros chamam América, mencionada pelos índios como peno-absou, nela achavam excelente remédio para as chagas, usando o azeite na parte ofendida do corpo.

Ao relacionar as madeiras de primeira qualidade para construções náuticas e civis do Espírito Santo, nosso historiógrafo Basílio Daemon incluiu as andirobas no seu livro editado em 1879.

Não seria absurda a hipótese de que o tabuleiro junto à baía de Vitória fosse coberto de andirobeiras antecedendo muito e muito ao tempo dos navegantes do Novo Mundo.

No Dicionário da Língua Tupi, editado em 1858, Gonçalves Dias registra o vocábulo: “Carapina – carpinteiro.” Braz da Costa Rubim não o inseriu nos Vocábulos Indígenas introduzidos no uso vulgar, in revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, tomo 45.

O prof. Teodoro Sampaio, no livro, O Tupi na Geografia Nacional, dá sua definição no verbete: Carapina – corr. Carapin, tirar a casca grossa; descascar, lavrar. Como adj.: aparado, cortado curto, breve”.

Antônio Geraldo da Cunha, no precioso Dicionário Histórico de Palavras Portuguesas de Origem Tupi, analisa: “Carapina – Carpinteiro – Ibigrapãdara, também dizem carapina.

O dicionário de Aurélio numa outra acepção leva-nos ao pica-pau: “Ipecu, carapina, pica-pau, designação a aves da origem dos piciformes, cuja maioria das espécies edifica em ocos de paus que elas mesmas perfuram.”

Visualizando as ruas do município de Carapina no catálogo da lista telefônica foi baldado meu esforço em encontrar o nome de algum carapina ilustre como indicativo de rua ou logradouro público da cidade, Também não se encontra homenageada a andirobeira, espécie florística fatalmente extinta na região conforme ocorreu com o ibirapitanga ou pau-brasil. Curiosamente, em análogo exame da nomenclatura das ruas de Cachoeiro de Itapemirim, situada no bairro Otho Martins, conexando com a rua Antônio Vieira, lá está constando: rua Andiroba.

O citado autor Basílio Saemon contou que o segundo donatário da Capitania do Espírito Santo, ao conceber sesmarias a Miguel Pinto Pimentel tornou-o, em 1614, possuidor da extensa gleba compreendida no distrito de Carapina. Pimentel tratou se aproveitar as árvores para demarcar nelas seu terreno. Ali fundou um próspero engenho de açúcar e faleceu em 1644 doando seus bens aos Jesuítas que requereram nova remarcação da área, “visto estarem se apagando os marcos feitos nas árvores”. Foram assentados então, marcos de pedras.

Em 1828, Inácio Acioli de Vasconcelos, nosso primeiro presidente da Província, relatou na Memória Estatística, que Carapina, distrito de Vitória, possuía uma área em terreno baldio de dez léguas de extensão e uma largura de que se serviam os moradores contíguos para criação.

Aquelas árvores (seriam adirobeiras?!), perseguidas pelos carpinteiros e carapinas dos engenhos, pelos construtores da cidade ou pelas derrubadas e queimadas haveriam mesmo de desaparecer... E, provavelmente, de trazerem confusão para a origem da denominação do lugar...

 

Fonte: Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. 1991/1992, Nº 41
Autor: Levy Rocha
Compilação: Walter de Aguiar Filho, maio/2012 

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