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Casa Comercial Duarte Beiriz faz de dois homens, “coronéis”

Firma Duarte & Beiriz em Iconha - Foto: Instituto Histórico e Geográfico

A Reportagem teve acesso exclusivo ao artigo: "O coronel vendeiro: de forasteiro Antônio José Duarte se tornou o senhor de um município", publicado na tese de mestrado do professor Aldieris Braz Amorim Caprini e mergulhou na história fantástica do município de Iconha.

Iconha se desenvolveu com base no comércio e na plantação de café, o que posteriormente faz com que os dois sócios se tornem mandatários e homens de muitas posses e poder. Porém, para que a cidade fosse de fato construída, foi preciso que dois comerciantes doassem terras para as primeiras construções: ruas, igreja, praça, cemitério... "A vila de Iconha foi surgindo e ganhando forma ao redor da casa comercial Duarte e Beiriz. É interessante observar que o centro comercial polarizou o desenvolvimento da vila. “O município foi construído por Duarte e Beiriz, sem a ajuda do Estado. Salvo os exageros, não se pode negar que a firma teve papel importante na formação de Iconha (Simão), afinal, além do interesse comercial havia interesse político".

A relação entre comércio e política em Iconha é fato, lembrando que, o comércio foi o meio para alcançar e manter o poder político no contexto oligárquico e coronelístico, verificado na ação política do coronel Antônio José Duarte e sua relação com a sociedade local.

Em 1870, a vila de lconha era povoada, segundo Aldieris, por poucas pessoas que viviam de agricultura de subsistência e, nessa época, pertencia à Piúma. "Quatro anos depois, chega à Piúma, Antônio José Duarte, com 16 anos para trabalhar na filial da firma Natividade, com matriz no Rio de Janeiro. Com 12 anos, Duarte chegou ao Brasil, em 1870. Ele veio sozinho e empregou-se na referida firma. A mesma resolveu colocar uma filial em Piúma para extrair madeira, produzir tijolos e retirar drogas, para ser exportado para a Europa. O jovem Duarte foi encaminhado, junto com outros funcionários, para ser o caixeiro na filial. Dois anos depois, a empresa Natividade criou outra filial na vila de lconha para facilitar a extração de matérias primas para a filial de Piúma, que mandava para o Rio de Janeiro. Duarte se torna gerente da mais nova filial", relatou Braz. Em 1879, um amigo ofereceu seis contos de réis para que Duarte abrisse seu próprio negócio, que o fez em Iconha. O arraial que possuía em torno de 10 casas e imigrantes europeus que começavam a chegar em 1877, assistiu um rapaz de 21 anos inaugurar um pequeno comércio. Era um início de um grande negócio que se tornaria uma das principais casas comerciais do estado", relata Aldieris no artigo.

A sociedade

Na vila de Piúma havia um comerciante português, José Gonçalves da Costa Beiriz, que vendo o espírito empreendedor de Duarte, resolveu estabelecer sociedade com ele. Em 1886, a pequena venda de Iconha passa a denominar-se Casa Comercial Duarte e Beiriz.

O Comércio Duarte Beiriz acabou crescendo muito e se tornou na época um dos principais comércios do ES. A forma com que se desenvolveu o empreendimento foi simples: à custa dos imigrantes que, ao chegarem à Iconha, acabaram se tornando os principais 'clientes' dos comerciantes, já que era o único comércio que abria 'crédito', ou seja, aguardava a colheita na lavoura para o acerto de contas.

Com o crescimento em ascensão da casa Duarte Beiriz, os comerciantes adquiriram as terras, ainda em matas virgens no interior do município, as dividiram em lotes que eram revendidas para os imigrantes que chegaram a partir de 1877. "Os italianos ficaram com o trabalho de derrubar a mata, plantar e colher o café. Depois levavam o produto até a firma e o entregavam para pagar as dívidas mas, continuavam a dever, isso porque continuavam a comprar o material para o trabalho e sustento e ficavam dependentes da firma Duarte e Beiriz".

A firma Duarte Beiriz estabeleceu filiais em várias comunidades, com a vila de Piúma.

Comunicavam-se por uma linha telefônica. A firma possuía 03 vapores de pequena cabotagem que navegavam, transportando passageiros e mercadorias do porto de Piúma à Vitória. Além de canoas que faziam o transporte do café de Iconha à Piúma, onde era armazenado em trapiche da firma. Praticamente todo café era levado para o porto do Rio de Janeiro pelas empresas Rio de Janeiro e Novo Lloyd Brazileiro.

 

Fonte: Jornal Espírito Santo Notícias – 15/07 a 30/07 de 2015 – 2º quinzena, nº 87
Caderno Especial: Iconha – 91 anos de Emancipação Política
Autora: Luciana Maximo
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2015

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