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Curas Miraculosas

"Achava-se gravemente enfermo de febres contínuas o Irmão corista Frei João dos Anjos, em o mesmo convento da Vila da Vitória, e tendo tomado alguns remédios sem efeito, lhe agravaram mais os achaques; e indo naquele mesmo dia o Guardião aonde estava o enfermo, e levando um dos ossos do Servo de Deus, lhe lançou ao pescoço, advertindo-lhe que encomendasse com fé, a Deus, na proteção do seu Servo, e que esperasse ter melhora, a qual o enfermo logo conseguiu. Com a fama deste prodígio concorreram logo outros vários, a pedir Relíquias dos ossos, que, sendo-lhes dados, sararam todos.

"Na mesma ocasião, Duarte de Albuquerque, de uma enfermidade grave, que se não explica no processo (processo preliminar de beatificação de Frei Pedro, em 1616), e nos dias seguintes, João Gonçalves, a mulher de Lourenço Afonso e uma menina sua, e Gomes Fernandes, todos estes e outros mais, por depoimentos seus próprios e de várias testemunhas, sendo uma destas Frei João da Assunção, que depõem o milagre do Religioso enfermo, sendo ele nesta ocasião o presidente do Convento da Vitória, e presenciou o caso. Todos estes e outros semelhantes constam por depoimento das testemunhas referidas no alegado instrumento, sendo três destes o mesmo Lourenço Afonso, Gomes Fernandes e Frei João da Assunção, o qual, além da milagrosa saúde do Religioso enfermo do Convento da Vitória, depõe que, achando-se depois assistente no do Rio de Janeiro, indo em um dia visitar a Gaspar da Cunha, que se achava enfermo gravemente de febres na cidade, em casa de Baltazar de Serós, e pedindo o enfermo ao dito Padre algumas Relíquias do Servo de Deus, Frei Pedro, que ouvia dizer obrava com elas muitos prodígios e lançando-lhe uma ao pescoço - que era dos seus ossos - incontinenti ficou livre o enfermo daquele mal.

"De outros semelhantes dizem as mesmas testemunhas ouviram falar obravam os ossos do Servo de Deus, sarando com a aplicação deles muitas pessoas, de várias enfermidades, e especialmente de febres e sezões, de que o Servo do Senhor, naquela Capitania, é particular advogado tomando dos seus

ossos algumas Relíquias desfeitas em água, ou trazendo-as ao pescoço.

"Com estes prodígios e maravilhas, quis confirmar o Senhor os merecimentos do seu Servo, pelos quais não só nos certificamos da bem-aventurança de sua alma no Céu, mas também a de o podermos venerar na terra entre os varões Santos, como a um deles; porque é certo que os milagres e prodígios nos Servos de Deus, se a não fazem, mostram eles a sua Santidade. A esta podemos, por conclusão, ajuntar o grande testemunho de outro Servo do mesmo Senhor, e seu grande Operário nesta mesma vinha do Brasil, o venerável Padre José de Anchieta, da Sagrada Companhia de Jesus, que em uma carta sua, escrita no ano de 1572, e se guarda em Coimbra no cartório do seu Colégio, diz estas palavras, falando de Frei Pedro de Palácios: Varão Evangélico, que viveu e morreu santamente."

Há, dessas curas milagrosas, um testemunho insuspeito: o de Frei Vicente do Salvador - a cujas instâncias se iniciou, a 27 de julho de 1616, o processo sobre a vida prodigiosa e santa de Frei Pedro: "na trasladação de seus ossos desta igreja [Penha] para o nosso convento [São Francisco em Vitória] fez muitos milagres, e poucos enfermos os tocam com devoção que não sarem logo, principalmente de febres, como tudo consta do instrumento de testemunhas que está no arquivo do convento." 

 

Autor: Guilherme Santos Neves
Fonte: História Popular do Convento da Penha - 3ª edição, 2008 

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