Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

D. Pedro II em Linhares

Laurita Calmon Dessaune bisneta do Comendador Rafael Pereira de Carvalho

Já li muito sobre a visita de D. Pedro II ao Espírito Santo. Contudo, tais escritos fazem sempre a mesma indagação: por que Linhares teve a honra de receber a visita de D. Pedro II? Nasci e fui criada em Linhares e, assim sendo, decidi contar o que conheço sobre esse trecho da nossa História.

Desde criança, ouvi de pessoas criteriosas que existia uma grande amizade entre o comendador Rafael Pereira de Carvalho, meu bisavô, e D. Pedro II.

O comendador morava no Rio de Janeiro com sua esposa, Maria Joaquina, e seu único filho, Augusto Rafael. Prova da amizade e da intimidade que a família Carvalho gozava com a família imperial é o fato de que o filho do comendador, meu avô Augusto, quando criança, brincava com a princesa Isabel.

Certa feita, o comendador partiu do Rio de Janeiro com destino a Linhares, para conhecer as riquezas que ali existiam. Descobriu que aquele lugar era de fato encantador, pelas belezas naturais e fertilidade de sua terra.

Com tanto encanto, o comendador tornou-se dono de sesmaria em torno da Lagoa Juparanã e não mais retornou ao Rio de Janeiro, onde deixou sua esposa e filho. O tempo passava e, com a ausência do marido, Maria Joaquina adoeceu e veio falecer. Diante dos tristes acontecimentos, o comendador mandou buscar o filho Augusto, de 15 anos, rapaz inteligente e culto.

Mais tarde Augusto veio a se casar com Maria Alberto da Silva Carvalho e teve cinco filhos, entre eles minha mãe, Graciosa, que se casou com meu pai, Lastenio Calmon. Além do magistério, meu avô exerceu diversos cargos públicos e ainda foi deputado estadual em 1990.

Como amigo íntimo de D. Pedro, o comendador mandava-lhe com freqüência notícias das belezas e fertilidade das terras linharenses, junto com um convite para que um dia viesse pessoalmente conhecer aquelas plagas brasileiras.

Aceito o convite, o comendador mandou construir com antecedência uma bela canoa, que serviria para o traslado de D. Pedro II e passeios pelo rios Doce e Juparanã. Foi nessa canoa, sempre acompanhado do comendador, que D Pedro também foi levado a conhecer a bela Lagoa Juparanã, diante da qual exclamou: “Que maravilha, que beleza! Quanta água!”

Nessa Lagoa existe uma única ilha, então de propriedade do comendador, para onde ele levou o monarca e lá ofereceu-lhe um lauto almoço. Depois dessa visita, o local passou a se chamar Ilha do Imperador.

D. Pedro II visitou Linhares em 3 de fevereiro de 1860, a convite do meu bisavô, seu amigo, o comendador Rafael Pereira de Carvalho, e lá se hospedou na melhor casa na época, que pertencia a Anselmo Calmon, filho de João Felipe Calmon, fundador da cidade.

 

Material transcrito por Walter de Aguiar Filho – Setembro/2010
Fonte: 
Jornal A Gazeta 15/11/2004

Autora: Laurita Calmon Dessaune é viúva do ex-reitor e fundador da Universidade Federal do Espírito Santo, Jair Etienne Dessaune.

 

Nota do Site: Dona Laurita Calmon Dessaune faleceu em 18/08/2010 aos 97 anos, conhecida em todo o país como umas das "vovós aventureiras" que, em 2002 e 2007, rodaram mais de 20 mil quilômetros de carro por várias regiões do Brasil. 

 

LINKS RELACIONADOS:

>> Linhares
>> Visita de D. Pedro II ao ES 
>> D. Pedro II e o Rio da Costa
>> D. Pedro II no ES  
>> 200 Anos da Família Real no Brasil



GALERIA:

📷
📷


História do ES

A febre amarela no Espírito Santo em 1850

A febre amarela no Espírito Santo em 1850

A Providência Divina vela certamente sobre a população desta Província que, sem o seu auxílio, estaria hoje extinta por falta de recursos da medicina

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Basílio Daemon - Biografia

Por seus filhos capitão Dr. Ticiano Corrégio Daemon e tenente Daemon

Ver Artigo
Quarto Minguante – Marcondes de Souza e Bernardino Monteiro

O período de 1912 ao começo de 1920 corresponde ao princípio e ao fim da crise internacional, oriunda da primeira guerra, que rebentou em julho de 1914 e teve armistício em novembro de 1918

Ver Artigo
Jerônimo Monteiro – Urbanismo em Perspectiva

O volume de terra, material escasso na ilha de Vitória; para aterrar o banhado, não preocupou o governo de Jerônimo Monteiro 

Ver Artigo
As guerras imperiais e seus reflexos no Espírito Santo – Por João Eurípedes Franklin Leal

O Ururau era em brigue de transporte, armado com seis bocas de fogo, que próximo a barra da baía de Vitória combateu por hora e meia um barco argentino o “Vencedor de Ituzaingu”

Ver Artigo
O recrutamento do Ururau - 1827

Gravíssimo incidente abalou o Espírito Santo quando da passagem, pelo porto de Vitória, do brigue de guerra Ururau, em 1827

Ver Artigo