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De bonde com Grijó - Pela Praça do Trabalho

Praça do Trabalho e a casa do Dr. Duquinha, pai da cantora Maysa Monjardim

Descendo a Academia de Comércio, vamos encontrar a antiga Praça do Trabalho, onde morava o Sr. Olívio Fraga, viúvo e antigo funcionário dos Correios e Telégrafos. Era um tipo miúdo com no máximo 1,60 m. Tinha cinco filhos: Diva, Dina, Dilma, Délio e Dório. Tudo com a letra D inicial. Era uma casinha antiga, talvez uma das mais velha de Vitória. Ao seu lado morava Francisco Escariotti, casado com dona Lulu, e seus filhos eram Sebastião e Oswaldo. O Sr. Escariotti foi por muitos anos tesoureiro da CCBFE—Companhia Central Brasileira de Força Elétrica. Completando, a Praça do  Trabalho obteve tal nomenclatura devido ao fato de abrigar a estátua comemorativa ao trabalhador e era representada por um monumento que trazia um homem com uma marreta na mão direita e um ponteiro na mão esquerda, como se estivesse trabalhando um granito. Esta praça chama-se hoje Manoel Monjardim, que era casado com dona Zindoca. Desse matrimônio nasceu Alcebiádes Monjardim, que era pai da famosa e saudosa cantora da música popular brasileira Maysa Monjardim e também do diretor de TV Jayme Monjardim, hoje na Globo. O Dr. "Duquinha", como era conhecido em Vitória, foi senador da República, tendo perdido o mandato em virtude do golpe de Getúlio Vargas em 1930. Morava na antiga Praça do Trabalho, onde funcionou até há pouco tempo a Capitania dos Portos de Vitória. O prédio onde funcionou a Academia de Comércio também era de sua propriedade. Mais tarde a Praça do Trabalho passou a ser chamada Praça Manoel Monjardim, logo após haverem retirado a estátua em homenagem ao trabalhador. Em seu lugar foi colocado o obelisco, doado pela família Oliveira Santos à cidade por ocasião das comemorações do seu IV Centenário, ocorrido em 1951. Sendo que primitivamente localizava-se na Praça Oito de Setembro, que tem esse nome devido à data comemorativa da colonização da cidade. Mas o interessante é que a Estátua do Trabalhador, que fora transferida para a praça da antiga prefeitura, não tem um nome alusivo ao que ela representa. O motivo é que, após a demolição da antiga prefeitura, a praça, construída pelo prefeito Chrisógono Teixeira da Cruz, que administrou o município durante o período de 05-04-71 a 13-03-75, passou a denominar-se Arnulpho Mattos; uma homenagem que um vereador resolveu prestar ao grande professor. Com isso, a Estátua do Trabalhador ficou sem um nome específico. Coisas de Vitória.

Distanciei-me um pouco das linhas do bonde, este maravilhoso meio de transporte que servia nossa ilha sobre o qual quero narrar mais umas curiosidades. Quando o bonde seguia rumo ao centro da cidade, nas imediações da antiga Praça do Trabalho, uma linha auxiliar ligava a linha da rua Henrique de Novais e com isso possibilitava o retorno sentido Centro—Praia do Canto. Isso ocorria por ocasião dos grandes eventos no centro, tais como: desfiles escolares, comícios e principalmente carnaval. Nós, garotos da época e moradores dali, vez por outra abríamos a chave que dava acesso ao desvio e o bonde ia para a linha auxiliar. Isso causava um transtorno danado aos motorneiros e condutores, pois tinham que subir na capota do bonde, virar a alavanca que passava junto ao fio trólei (pois este é que transmitia força energética para sua movimentação), dar um retrocesso no bonde através do outro motor (o bonde tinha dois motores, um em cada extremidade); após fazerem esta operação sob gritas dos passageiros, o bonde seguia. Nós nos escondíamos nas moitas das bagueiras e de cima do morro apreciávamos os sufocos. Outra forma de perturbar o pessoal dos bondes era passar sabão ou sebo nas linhas. Com isso, quando o bonde tentava subir a ladeirinha da rua, suas rodas deslizavam. A solução era parar o bonde deixar descer de volta e colocar areia nas linhas. Coisas da garotada de minha época.

 

Fonte: A Ilha de Vitória que Conheci e com que Convivi, vol. 6 – Coleção José Costa PMV, 2001
Autor: Délio Grijó de Azevedo
Compilação: Walter de Aguiar Filho, abril/2019

A Ilha de Vitória que Conheci e com que Convivi - Por Délio Grijó

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