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Decepção com o golpe - Gil Vellozo

Gil Vellozo e Tuffy Nader inaugurando escadaria em Ataíde, ano 1960

Antes de ter um mandato, Gil Vellozo difundia seu pensamento político em diversos jornais, inclusive O Continente, editado por ele em Vila Velha. O ex-deputado federal Oswaldo Zanello recordava que em 1950, “apenas quatro jornais representavam as vozes e os anseios de renovação política no Espírito Santo”. Essa renovação significava tomar o poder do PSD, que dominava a política capixaba. E Zanello apontava onde estavam esses jornais:

“Em Vitória era A Tribuna a trincheira da oposição; no Sul, em Cachoeiro de Itapemirim, O Arauto era o porta-voz da rebeldia contra o Governo Estadual; no Norte, em Colatina, a Folha do Norte sustentava a luta contra os detentores do poder. Em Vila Velha, criado pela obstinação e pelo patriotismo de Gil Vellozo, O Continente completava a pequena cadeia de jornais com a responsabilidade de levar a todos os cantos e recantos do Espírito Santo a voz da oposição”.

Para se entender a posição dos adversários, é preciso retornar à conjuntura política da época. Na primeira metade da década de 1950, Jones dos Santos Neves governou o Espírito Santo, eleito por uma aliança PTB/PSD – dois partidos aparentemente antagônicos criados pela esperteza política de Getúlio Vargas. O primeiro abrigava as classes trabalhadoras, tuteladas por uma CLT inspirada na Carta del Lavoro e nas ideias de Benito Mussolini, ditador italiano; o segundo foi feito sob medida para as oligarquias conservadoras.

A UDN de Vellozo tinha no antigetulismo sua principal bandeira política. E, na oposição a Getúlio ou a qualquer força política inspirada no ex-ditador, a sua prática era golpista. Como jornalista da UDN capixaba, Gil Vellozo usou o poder da imprensa contra os grupos políticos adversários de seu partido. Seus escritos e discursos eram caracterizados pela oposição raivosa e pelo denuncismo próprio dos udenistas. O próprio Juscelino Kubitschek foi vítima desse denuncismo de Vellozo num banquete em sua homenagem no Clube Vitória. Em A Tribuna de 1º de março de 1966, o jornalista Djalma Juarez Magalhães lembrou que Gil Vellozo “quebrou o protocolo, atirou fora o bom senso e, levantando-se, disse o diabo na cara da alta figura – discordando das loas que eram reunidas ao insigne construtor de Brasília”.

Antigetulista como seu líder Carlos Lacerda, Gil Vellozo era contra o presidente porque ele fora eleito, em 1955, por meio de uma coligação PSD/PTB, criados por inspiração de Getúlio. Embora Juscelino nada tivesse a ver com o PSD de Getúlio ou com o trabalhismo getulista que, no entanto, resolveram apoiá-lo. Juscelino foi eleito, e os udenistas passaram a fazer oposição, vendo nele um continuador da política de Vargas, ainda mais porque João Goulart era o seu vice. Chegaram a tentar impedir a sua posse.

 

Fonte: Coleção Grandes Nomes do Espírito Santo - Antônio Gil Vellozo, 2013
Texto: Roberto Moscozo
Coordenação: Antônio de Pádua Gurgel/ 27-9864-3566
Onde comprar o livro: Editora Pro Texto - E-mail: pro_texto@hotmail.com - fone: (27) 3225-9400



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