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Desembargador Ferreira Coelho - O falecimento, desse ilustre magistrado

Desembargador Ferreira Coelho

As letras jurídicas nacionais acabam de perder um dos seus cultores mais dedicados e brilhantes, com o falecimento ontem, quase inesperado do desembargador Antônio M. Ferreira Coelho.

Ainda há poucos dias, mesmo durante a semana passada, entregava-se o desembargador Ferreira Coelho ao trabalho paciente e erudito da confecção do livro a que vinha dedicando, desde anos ininterruptos, os fulgores da sua inteligência e da sua cultura.

Referimo-nos ao Código Civil Brasileiro comentado e comparado, obra vastíssima e de inestimável valor, de que já foram publicados vinte e quatro volumes.

Toda sua vida, cheia de ensinamentos, foi dedicada à Justiça a que serviu com a firmeza e a retidão do seu caráter e com o cabedal do seu saber jurídico.

Foi, assim, um dos juízes mais íntegros com que contou a magistratura nacional. Do seu livro sobre o Código Civil restam ser pubicados ainda oito volumes, segundo o plano geral que concebera.

Nascido em Pernambuco, a 21 de setembro de 1860, estudou em Recife, formando-se pela Faculdade de Direito dessa capital, em 1883.

Depois de haver exercido a sua profissão de advogado, em seu Estado natal, seguiu para o Rio Grande do Norte, onde iniciou a sua carreira pública, como oficial de gabinete e depois secretário do desembargador Altino Corrêa de Araújo, quando governador do Rio Grande do Norte.

Deixando aquele Estado exerceu a magistratura em Alagoas, depois em Santa Catarina e finalmente no Espírito Santo, onde chegou à presidência do Superior Tribunal de Justiça daquele Estado. No governo do Coronel Henrique Coutinho organizou o Código Processual do Estado.

Representou o Estado do Espírito Santo no Congresso de Geografia por diversas vezes e com muito brilhantismo e cultura fez salientar o nome daquele Estado no III Congresso Jurídico Pan Americano, reunido nesta Capital, discutindo, pela primeira vez no país, a questão do divórcio.

Os trabalhos do desembargador Ferreira Coelho nesse congresso foram de tal monta, que os congressistas estrangeiros, além de lhe oferecerem um banquete, deram-lhe o diploma de membro efetivo, sendo os seus trabalhos base de discussão em outras reuniões.

Organizou o Código Processual do Estado do Espírito Santo, e coadjuvou o do Processo Criminal.

O ilustre magistrado patrício, que faleceu aos 73 anos de idade, era viúvo, deixando uma filha, a Sra. Maria da Penha Coelho Ferreira, esposa do Sr. José Ferreira, e quatro filhos, os Srs. José, Elias, Francisco e Demétrio Ferreira Coelho; e uma irmã, a Sra. Maria Clara Coelho de Souza, progenitora dos Drs. Silvano e Oscar Coelho de Souza, este alto funcionário da Policia Marítima.

Dos filhos do extinto, o mais velho, o Dr. José Ferreira Coelho, advogado, que já tem exercido cargos na magistratura pernambucana, é nosso colega de imprensa e um dos prestimosos auxiliares da Empresa Pereira Carneiro & C. Ltda, (Companhia Comércio e Navegação). O enterramento do saudoso magistrado realiza-se hoje, às 9 horas e 30 minutos, no cemitério de S. João Batista, saindo o féretro da residência da família enlutada, à Rua Icatú n. 68, onde se verificou o óbito.

 

(Do Jornal do Brasil, do Rio, de julho de 1933)

 

 

Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo – Número 07 Março de 1934
Arquivo Público do Estado do Espírito Santo - Biblioteca Digital
Compilação: Walter de Aguiar Filho, maio/2020

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