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Enchentes causam prejuízos na Bacia do Itabapoana

Enchentes do Rio Itabapoana: inundações trazem prejuízos aos moradores da região

As condições climáticas adversas e a ação direta do homem sobre o meio ambiente têm resultado numa fórmula desastrosa para muitos municípios da Bacia do Rio Itabapoana: a ocorrência de enchentes, que destroem plantações e invadem casas e o comércio, causando enormes prejuízos.

Freqüentes nas cidades de Bom Jesus do Norte e Mimoso do Sul, as cheias do rio ocorrem porque o ciclo hidrológico da região não é bem distribuído ao longo do ano, havendo uma concentração de chuvas fortes no período do verão, o que contribui para que a bacia tenha um pico de vazão diferenciado nessa época do ano.

"É uma bacia que os eventos hidrológicos não são tão homogêneos. Nos momentos de chuva, a vazão máxima fica bastante dilatada e a área não consegue drenar toda a água em pouco tempo", explica o analista de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do lema Robson Monteiro.

Além disso, segundo ele, outras ações contribuem como o problema do pisoteio do gado: à medida que o animal pisoteia o pasto, o peso compacta o solo dificultando a infiltração, o que eleva o escoamento superficial. Nas áreas urbanas, as ocupações irregulares ao longo do rio acabam por aumentar a possibilidade de inundações.

"Todo o rio tem o que chamamos de leito maior, que na verdade nada mais é do que uma adaptação natural aos eventos críticos. Como boa parte do período esse leito maior não está ocupado, isso leva as pessoas a imaginarem que se trata de uma área segura. Na ocorrência do evento crítico (cheia), a área acaba inundada", analisa.

O gerente de Recursos Hídricos do lema, Fábio Ahnert, defende que, para resolver o problema das enchentes, é preciso conscientização.

"São necessárias ações integradas. Os proprietários rurais precisam manter as matas ciliares. O solo exposto favorece a erosão e o assoreamento dos rios. Com as chuvas pesadas, ocorrem as inundações. já a prefeitura tem de fazer o planejamento da cidade, por meio do Plano Diretor Municipal (PDM), evitando os loteamentos irregulares", aconselha.

ANA prepara monitoramento

O diretor da Área de Regulação da Agência Nacional de Águas (ANA), Oscar Cordeiro Neto, informou que a instituição, que é responsável pelo gerenciamento da Bacia do Rio Itabapoana, prevê a implantação do Projeto "Rede de Alerta" na região.

Trata-se de um sistema de monitoramento de cheias, que medirá as vazões da água na cabeceira do rio e, em parceria com a Defesa Civil dos municípios, vai avisar à população quando ele começar a subir muito.

"Estamos discutindo a aplicabilidade do projeto na Bacia do Itabapoana. Como agimos em parceria com o Tema, no Espírito Santo a instituição deverá estar à frente da iniciativa junto aos municípios atingidos", explicou Cordeiro, sem definir data para implantação do projeto.

Mimoso do Sul tem projeto

O problema das enchentes é agravado em Mimoso do Sul, uma cidade construída às margens do Muqui do Sul, um importante tributário do rio Itabapoana. A existência dos córregos da Serra, Santa Marta e Bel Monte, que desembocam nas áreas urbanas, eleva a possibilidade de alagamentos.

De acordo com o engenheiro civil da Prefeitura de Mimoso do Sul José Renato Rodrigues, a cidade chega a ser inundada duas vezes por ano. Na última cheia, os alagamentos atingiram 70% das casas e, no Centro, a prefeitura teve salas em que a água chegou a 70cm de altura.

Segundo ele, para reverter o problema, está sendo elaborado um Projeto de Macrodrenagem, que na sua primeira etapa vai propor solução para o "cotovelo", curva longa que represa o rio, alagando a parte acima da cidade, próximo à Cooperativa de Laticínios de Mimoso do Sul (Colamisul).

Num segundo momento, explica, será retirada a areia do rio, haverá a limpeza das margens e plantio de mata ciliar. O projeto será entregue até o final do ano e as obras devem ocorrer no ano que vem.

Outra iniciativa é a elaboração do Plano Diretor Municipal, que está a cargo da Fundação Ceciliano Abel de Almeida, e deverá ser entregue em breve. Nele, haverá maior controle das construções às margens do rio e nas encostas. A prefeitura também está preste, a concluir um aterro sanitário na localidade de Boa Esperança.

Outros problemas da bacia

ESGOTO “IN NATURA”

Os principais aglomerados urbanos estão em Campos dos Goytacazes, Bom Jesus do Itabapoana, Porciúncula (RJ), Mimoso do Sul, Guaçuí (ES) e Espera Feliz (MG).

DÉFICIT HÍDRICO E DESERTIFICAÇÃO

Se por um lado as cheias são responsáveis por alagamentos que causam prejuízos em Mimoso do Sul, por outro existe um problema de déficit hídrico em Presidente Kennedy, ocasionando áreas de desertificação.

"Esse déficit é tão significativo quanto o que ocorre no extremo Norte do Estado. Em épocas secas, é comum pragas dizimarem pastagens e plantações", explica o professor de Engenharia Ambiental da Ufes Antonio Sérgio Ferreira Mendonça.

EROSÃO COSTEIRA

Um outro sério problema da região é a erosão costeira, que já destruiu um distrito inteiro de Campos dos Goytacazes (RJ) e já trouxe prejuízos consideráveis a municípios litorâneos capixabas.

"Tudo que acontece na bacia acaba se refletindo no seu baixo curso, que tem de se ajustar às mudanças de seus regimes de transporte de águas e sedimentos. E, quase sempre, com níveis de poluição", analisou o professor de Geografia da UERJ Jorge Soares Marques.

ESTRADAS MAL PLANEJADAS

A maioria das estradas vicinais de terra atua como difusoras de irreversíveis danos ambientais. Mal planejadas, elas coletam e transportam as águas da chuva por grandes extensões, degradando o trecho.

As enxurradas ocasionam erosões, retirando vastas áreas de solo. São fontes, também, de assoreamento, o que reduzo potencial hídrico regional e compromete a utilização da água.

CONSTRUÇÕES IRREGULARES

Restrito à faixa litorânea, o desenvolvimento de atividades turísticas tem sido encarado como um problema sério para os cursos d'água. Os loteamentos, hotéis e construções -ilegais ou não - não dispõem de locais adequados para a deposição de lixo nem de Estação de Tratamento de Esgoto. Além disso, na Bacia do Itabapoana é comum perceber cidades "dentro" do rio.

DESMATAMENTO, PECUÁRIA E AGROTÓXICOS

O desmatamento, a pecuária e a larga utilização de agrotóxicos são alguns dos responsáveis pelos grandes problemas ambientais da região, que tendem a se agravar por falta de infra-estrutura e de uma política ambiental adequada.

Outro problema na bacia diz respeito à erosão e ao desmoronamento de encostas. Também há destruição dos mangues e os desmatamentos dos poucos remanescentes de mata ciliar.

Problema vira mestrado na universidade

O problema das cheias na Bacia do Rio Itabapoana deu origem ao primeiro mestrado de Defesa e Segurança Civil pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ), numa parceria com a Secretaria Nacional de Defesa Civil do Ministério da Integração Nacional.

De acordo como coordenador do mestrado, professor Airton Bodstein, que também coordena o Projeto Managé na Bacia do Itabapoana, o objetivo é aumentar a massa crítica dos profissionais em segurança civil no País, principalmente nas prefeituras, órgãos estaduais e nas empresas que atuam na área.

"Cabe lembrar que mais de 50% dos desastres no País estão associados a recursos hídricos. Nada adianta pensar em desenvolvimento sustentável se as populações, principalmente as mais carentes, estão vulneráveis a acidentes de grandes proporções", avalia.

A primeira turma do mestrado, composta de 15 alunos, teve início em agosto deste ano e a próxima iniciará os estudos em março de 2008. Informações: mestrado©defesacivil.uff.br ou pelos telefones (21) 2629-5580/5493.

 

Fonte: A Gazeta – Especial – 07 de outubro de 2007
Autor: Gleberson Nascimento
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2016

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