Morro do Moreno: Desde 1535
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Ensaios Sobre os Alagamentos do Município de Vila Velha

Ponte da Av. Champagnat que foi arrastada pela enchente de 1960 - Acervo Edward DAlcântara

Para falarmos sobre os alagamentos em Vila Velha, precisamos primeiro conhecer sua situação em relação ao nível do mar. O ponto mais elevado da planície está no cômoro da praia e não deve ultrapassar os cinco metros, e, o resto não passa dos dois metros (Geografia do Espírito Santo – Cícero Moraes IHGES – Coleção Renato Pacheco 2 – Ano 2004).

 

Vejamos os seus limites:

Ao Norte, a Baía de Vitória colidindo com a Pedra do Farol Santa Luzia, a Enseada de Santa Luzia, a Praia do Ribeiro, o Morro do Moreno, a Barrinha (embocadura do Rio da Costa), a Praia de Piratininga, o Morro do Ucharia, a Prainha (propriamente dita), a Pedra de Nossa Senhora da Penha (ou do Cruzeiro), a Praia de Inhoá, a Praia da Ponta Formosa (Inácio Leal), o Morro de Jaburuna, a Praia da Glória, a Pedra d’Água, o Estuário do Rio Aribiri, o Morro do Penedo, a Praia de Capuaba, o Morro Atalaia, a Enseada de Paul, a de Argolas e a de São Torquato.

Ao Sul divisa com Guarapari pelo Riacho Doce, cuja bacia representa apenas 0,14% da área de bacias do Estado.

Ao Leste com o Oceano.

Ao Oeste com o Rio Marinho e parte da BR 101.

Como vemos, além do maciço rochoso ao norte, temos alguns poucos promontórios no interior que os nossos ascendentes ao verem um afloramento cercado de brejos o chamavam de ilha. Exemplo: Ilha dos Aires, Ilha dos Bentos, Ilha dos Frades, Ilha de Itapuera, Ilha da Conceição, etc.

Pelo exposto, podemos considerar Vila Velha município de planície e como tal possui pequenos regatos que nasce dentro de seus limites.

Os chamados rios da Costa, Aribiri e Marinho, são na verdade uma extensão natural de um braço de mar que adentra a planície formando os manguezais e servindo de escoamento das águas da planície, e essas águas, são provenientes das chuvas e de pequenas nascentes que afloram a superfície, formando as lagoas e os alagados (brejos), que hoje ainda podemos encontrar na zona rural.

Em vários pontos do município a cota é inferior a marca zero centímetros.

Depois de sucessivos aterros, a Rua Francisco Coelho está a um metro acima do nível do mar e seu sistema de esgoto não funciona quando a maré está alta. O mesmo acontece com a maioria das áreas urbanas do Município levando-se em conta que as nossas marés vão além de um metro acima do nível do mar.

O Riacho Doce, divisa de Vila Velha com Guarapari, nasce num alagado e vai direto ao mar e representa apenas 0,14% da área de bacia do Estado.

Representando apenas 4,35% da área de bacia do Estado, o Rio Jucu foi o único rio que sempre teve influência nas enchentes de Vila Velha. Nasce nas serras do Estado e ao atravessar diversos municípios recebendo diversos rios e córregos, recebe ainda na planície as águas do Rio Formati, Caçaroca, Santo Agostinho, pequenos córregos e as águas dos alagados Jabaeté, Tapera, Camboapina, Pecembape, Tanque e outros.

 

AS ENCHENTES:

Com certeza, mesmo antes do Brasil Colônia, Vila Velha sempre foi palco de sucessivas enchentes.

O Rio da Costa, com o vai e vem das marés, sempre teve a sua barra assoreada, fato observado em 1860 pelo Imperador D. Pedro II quando aqui esteve em visita ao Convento da Penha.

Assim descreve: “Rio da Costa, que entulha de areia o porto, entre a Penha e o Moreno – é preciso dar-lhe saída para o lado de fora do Moreno, e há pouco o que rasgar: o plano do Drummond é do Capitão do Porto Gama Rosa, que importa em 9 contos e tanto, exige um açude que não será talvez preciso, podendo-se deitar pedra da Penha e do Moreno dentro do Rio”.

Os jesuítas, proprietários das Fazendas Araçatiba e Coroaba também conheceram de perto as enchentes causadas pelas cheias do Rio Jucu que ao transbordarem invadiam suas lavouras de várzea em Viana e as baixadas de Vila Velha.

Quase todos os anos quando chovia torrencialmente nas cabeceiras do Rio Jucu havia enchente na baixada de Vila Velha.

Conhecedor desse fato, Doutor Antonio Athayde ao elaborar o plano cadastral de Vila Velha no ano de 1894, delimitou as proximidades da Rua Sete de Setembro como o limite da região não alagada.

O Rio da Costa conhecido pelos antigos moradores como “a maré”, durante as cheias não conseguia dar vazão ás águas que invadiam as várzeas até as cercanias da Rua Sete de Setembro e levadas lentamente ao mar.

O Rio da Costa conhecido pelos antigos moradores como “a maré”, durante as cheias não conseguia dar vazão a essas águas que invadiam as várzeas até as cercanias da Rua Sete de Setembro e levadas lentamente ao mar.

A maior enchente, segundo antigos moradores foi a enchente do “Centenário da República”, ocorrida em 1922, quando as águas atingiram as proximidades do Grupo Escolar Vasco Coutinho. Tal fato ocorreu exatamente nos primórdios do desenvolvimento de Vila Velha, quando já havia moradores nas baixadas (várzea).

Outras enchentes causadas pelo Rio Jucu ocorreram em 1938 e em 1940.

Para evitar novas enchentes, o Governo Federal através do extinto DNOS executou obras de drenagem no vale do Rio da Costa.

Iniciada na antiga Barrinha (entre os morros do Moreno e da Penha), a dragagem seguiu pela Rua São Paulo até ser interrompida por um rochedo na mesma rua. Deixando obstruída a passagem, a dragagem seguiu em frente em direção ao sítio da família Batalha e Emília Tesh Mascarenhas.

O canal obstruído, a expansão imobiliária e as invasões do manguezal do Rio da Costa começaram a obstruir o escoamento das águas pluviais no período das cheias.

Cenário para uma grande tragédia estava para acontecer e em março de 1960 ela chegou causando enorme prejuízo aos moradores mais humildes do Município.

Em março de 1960 uma tromba d’água desabou sobre as cabeceiras do Rio Jucu na região serrana de Domingos Martins e Marechal Floriano causando graves prejuízos aos moradores de Viana.

As águas durante algum tempo ficaram represadas pela BR 101, formando um imenso lago. As olarias de lajotas soçobraram, uma ponte mal projetada e estreita na BR sobre o Rio Jucu não conseguia dar vazão, e, as águas ao atingir a altura do aterro abriram vários sulcos no asfalto e em avalanche levou o aterro e em menos de três horas já estavam nos arredores de Vila Velha. A ponte de concreto que existiu na Avenida Champagnat (atual Mac Donald) sobre o Rio da Costa não resistiu por mais dois dias, foi destruída e levada pela correnteza.

Esta enchente foi a maior tragédia já sofrida no município transformando centenas de moradores em “flagelados” (como ficaram conhecidos na ocasião).

Ficou assim, confirmado o diagnóstico do limite de alagamentos citado em 1894, pelo Dr. Antonio Francisco de Athayde na planta cadastral da sede do Município.

Eis na ocasião a manchete do jornal A Gazeta:

 

Manchete do Jornal A Gazeta (11/03/1960).

VERDADEIRA CALAMIDADE PÚBLICA EM VILA VELHA.

Dona Maria Lindenberg conforta flagelados.

 

Depois da tragédia, ainda em 1960, o DNOS construiu o dique de Santa Inês, ligando o bairro do mesmo nome ao bairro de Coqueiral de Itaparica.

Com o passar dos anos, novos bairros foram surgindo além-dique e, foram necessárias novas medidas de contenção a fim de evitar enchentes nesses bairros.

Hoje, existe um precário dique que acompanha a margem esquerda do Rio Jucu prevendo novas possíveis enchentes, sendo preciso proteger a margem direita do Rio Jucu que recebe vários afluentes.

 

Conclusão:

A falta de drenagem adequada é a causadora de todos os alagamentos em Vila Velha. Como exemplo, voltando no tempo, lembramos que Vitória era assolada por constantes alagamentos no entorno da Praça Costa Pereira e o problema só foi resolvido após a construção de galerias para o escoamento das águas pluviais que desciam do morro da Fonte Grande e Cidade Alta.

Edward, em 15/12/2009

 

Pesquisado e organizado por Edward Athayde D’Alcântara
Membro da Casa da Memória de Vila Velha


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