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Expulsão dos Jesuítas – Por Luiz Serafim Derenzi

Marquês de Pombal

No cenário do Brasil Colônia, a Capitania do Espírito Santo foi sempre obscura, por isso, não constituía problema para o governo metropolitano.

Não se havia formado uma consciência política de modo a criar dificuldades com suas exigências. As poucas vezes em que sua pobre população reclamava, fazia-o com humildade. Suportava todas as restrições que o Reino lhe impunha com resignada obediência.

Se conspirações houve, ficaram no subconsciente: a emigração para as Gerais e a garimpagem do Castelo foram pequenos episódios sem conseqüências maiores.

Os jesuítas eram queridos e respeitados, nunca faltaram aos colonos com assistência religiosa e material. Foram a L.B.A. de hoje, sem demagogia e sem preferências.

Desentendimentos houve, mas, de segundo plano, com os que teimavam em escravizar os índios de cuja liberdade os jesuítas se fizeram paladinos intimoratos em todas as capitanias. Não é de surpreender, portanto, o acabrunhamento causado pela missão do Dr. João Pedro de Souza de Siqueira, vindo do Rio de Janeiro, em 4 de dezembro de 1759, secretariado por José Pereira de Brito e guarda numerosa. Vinha prender os padres jesuítas e levá-los para o Rio de Janeiro, segundo carta de prego exibida ao Capitão-mor da Capitania, Gonçalo da Costa Ribeiro.

Não nos cabe historiar as causas invocadas pelo Marquês de Pombal para induzir o pusilânime D. José I a permitir a expulsão dos Jesuítas de Portugal e suas Colônias. Outros já o fizeram. A matéria, contudo, ainda hoje comporta estudos e pesquisas.

Escapa, porém, à dimensão desta modesta biografia. O fato pertence à história. As controvérsias, que dominaram os historiadores do século passado, na apreciação da Carta Régia de 21 de julho de 1759, perderam o colorido e o conteúdo. Nada se provou, não obstante o confisco dos bens, biblioteca e arquivos dos jesuítas no mundo inteiro. Por cerca de um século, ficaram os inacianos sem direito à defesa. Nem assim foram aniquilados. O tempo é grande filtro não só para o pensamento como para as paixões humanas. Os anos apodrecem a mentira e mumificam a verdade, permitindo, ao bisturi do anatomista histórico dissecá-la sem o perigo de contágio maligno.

Expulsando os Jesuítas, Pombal diminuiu-se na sua obra de reconstrução do Reino e sublimou a Companhia de Jesus pelo sofrimento e martírio.

Pombal foi relâmpago fortuito na história, feriu o céu português em determinado instante. Os Jesuítas avolumam-se no tempo e no espaço pela sua obra educativa, pelo fervor da fé, pela defesa, na primeira linha, da civilização cristã.

Como epílogo da expulsão dos Jesuítas registram-se as seguintes datas: Em 3 de setembro de 1753, rebenta um motim em Lisboa, de protesto contra o monopólio do vinho e D. José sofre um atentado. Culpam os jesuítas do motim. Era fácil fazê-lo sob o regime despótico do Marquês, embora seus esbirros nada tivessem apurado. Em 3 de setembro de 1759, no mesmo dia e mês, numa como devoção ao Rei, publica-se o decreto exilando os jesuítas de Portugal e seus domínios, tachando-os de traidores, rebeldes, adversários e proibindo a qualquer pessoa de ter "com ele; correspondência verbal ou por escrito, sob pena de morte e confisco de bens." Que respeito à liberdade humana!

A Carta Régia, de 21 de janeiro de 1761, confisca-lhes os bens e os incorpora à Coroa.

 

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A ordena dada por Gomes Freire, Conde de Bobadela e Vice-Rei do Brasil, com data de 10 de novembro, ao Desembargador Siqueira Ferraz determinava-lhe que "... passasse sem perda de tempo à capitania do Espírito Santo e, sendo nela, fosse imediatamente ao Colégio dos Jesuítas e pusesse logo cerco com a guarda que levava consigo e mais gente se fosse preciso."

A tarefa foi fácil. O Reitor P. Silvério Pinheiro reuniu seus irmãos espalhados peias Aldeias distantes, em número de dezessete, entre eles o P. Manuel da Fonseca, escritor de nomeada, e embarcaram, no dia 22 de janeiro do ano seguinte, para o Rio, a se munirem aos companheiros em caminho dos cárceres, uns e do exílio, outros.

Levaram como bagagem capa e crucifixo. O povo, em lágrimas, assistiu ao embarque no cais Padre Inácio. Iam-se os missionários humilhados pelo governo ao qual serviram, por duzentos anos, na conquista da terra, na catequese e pacificação dos índios e na defesa do solo contra estrangeiros.

 

Fonte: Biografia de uma ilha, 1965
Autor: Luiz Serafim Derenzi
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2017

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