Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Francisco Alberto Rubim

Francisco Alberto Rubim - Fonte da Foto: Paulo Stuck

Com o ouro escasseando em Minas, não havia mais motivo para se isolar a capitania do Espírito Santo. Porém, os efeitos desse isolamento não terminaram da noite para o dia. O governador da capitania, Antônio Pires da Silva Pontes, assina o Auto de Demarcação de Limites, em 1800, incentivado pela palavra do rei de Portugal. O soberano recomendava ao governo da capitania capixaba que se fizessem todos os esforços para traçar o maior número possível de estradas a fim de ligar o Espírito Santo a Minas Gerais. Nos planos do governador Silva Pontes, o potencial do Rio Doce seria amplamente explorado.

Um dos sucessores de Pontes, Francisco Alberto Rubim (governou de 1812 a 1819) resolveu investir no transporte por terra. Abriu um caminho ligando a baía de Vitória a Vila Rica (atual Ouro Preto). A estrada começou a ser feita em 1814 e só foi concluída seis anos depois. Seu trajeto era semelhante ao da atual BR 262. A estrada de Rubim possuía guarnições militares de três em três léguas para proteger os viajantes de salteadores e dos índios botocudos. A intenção era intensificar o comércio. A primeira boiada, vinda de Minas, chegou ao porto de Itacibá em julho de 1820.

A estrada não teve o sucesso esperado. O consumo de carne pela população de Vitória não justificava uma caminhada tão longa, nem os riscos enfrentados pelos tropeiros. Ao mesmo tempo, a venda do sal do mar capixaba para as cidades mineiras de Vila Rica e Mariana não era em grande volume. Assim, o transporte do produto não era regular. Diante desses fatores, a estrada foi perdendo importância e acabou sendo abandonada.

Apesar desse projeto fracassado, o governador Rubim se destacou por tirar Vitória de um certo marasmo. Combateu as epidemias, promovendo uma limpeza nas ruas, acabando com os terrenos alagadiços e dando o pontapé inicial nas obras do primeiro hospital, a Santa Casa de Misericórdia. Construiu pequenas calçadas na Cidade Baixa e fez reparos em igrejas, quartéis e fortes. Extremamente detalhista, Rubim torna obrigatória a limpeza e reparação das fachadas. A cidade lhe presta uma homenagem com o nome de Vila Rubim. 

Dois estrangeiros ilustres documentam as mudanças promovidas por Alberto Rubim: o príncipe Maximiliano e o naturalista Auguste Saint Hilaire. O monarca viajava com um séquito de botânicos e desenhistas e aportou em Vitória em 1816. Produziu gravuras que hoje se mostram raras já que revelam como era a Ilha naquele tempo. Uma delas, chamada "Pedra de Jucutuquara" mostra uma Vitória repleta de matas. Já o francês Saint Hilaire foi minucioso em seus relatos: "As ruas são calçadas, porém, o são mal, tem pouca lagura, não oferecendo nenhuma regularidade. Entretanto, não se vêem aqui casas abandonadas, semi-abandonadas, como na maioria das cidades de Minas Gerais. Entregues à agricultura, ou a um comércio regularmente estabelecido, os habitantes da Vila da Vitória não são sujeitos aos mesmos reveses dos cavadores de ouro, e não têm razão de abandonar a sua terra natal. Eles têm o cuidado do bem preparar e embelezar suas casas. Um número considerável dentre elas tem um ou dois andares. Algumas de janela com vidros e lindas varandas, trabalhadas na Europa..." 

 

Fonte: A GAZETA, encarte especial, Vitória 450 anos - 09/09/2001
Compilação: Walter de Aguiar Filho, julho/2012 



GALERIA:

📷
📷


História do ES

Em retribuição a Duarte de Lemos, uma ilha

Em retribuição a Duarte de Lemos, uma ilha

Rocha Pombo acredita que Duarte de Lemos tenha chegado ao Espírito Santo em 1536, ou, quando muito, em princípios do ano seguinte

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Movimento Estudantil ou AD USUM DELPHINI - Por Fernando Achiamé

Para se falar sobre movimento estudantil em nossa capital pode-se começar e terminar reproduzindo trechos do discurso proferido pelo padre diretor do Colégio Salesiano na formatura do curso ginasial em 1964

Ver Artigo
Minha FICHA - Por Eurico Resende

Sempre admiti que a partir de certo momento do primeiro governo revolucionário, não tinha a estabilidade da simpatia do "Sistema"

Ver Artigo
Carta de doação – Limites da capitania

Em Évora, a primeiro de junho de 1534, D. João III apôs sua real assinatura à carta de doação a Vasco Fernandes Coutinho

Ver Artigo
Juízes de direito na Província do Espírito Santo

Reunimos, pois, sob a forma de uma sinopse, aquilo que pode demonstrar à evidência a província do Espírito Santo, baseando assim em documentos e em trabalhos de própria lavra e que aqui descrevemos

Ver Artigo
Carta patente dada ao capitão de Infantaria, Francisco de Albuquerque Teles, e por el-rei D. Pedro, 1696

1696. Carta patente dada ao capitão de Infantaria, Francisco de Albuquerque Teles, e por el-rei D. Pedro, em que se provia[m] seus serviços na ilha do Funchal e na capitania de Cabo Frio, dando dela notícias históricas de muito valor

Ver Artigo