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Fundação Cultural

Governador Christiano Dias Lopes Filho

A Funação Cultural surgiu em uma época em que cultura, do ponto de vista do governo, era assunto ligado estritamente ao sistema educacional, haja vista que existia a Secretaria de Educação e Cultura. Em um estado que nem sequer conseguia executar política educacional com sucesso, as atividades e órgãos ligados à cultura (em seu sentido mais amplo) ficavam desamparados. Christiano, que dedicava grande parte de sua vida à questão educacional, imprimiu a seu governo uma marca forte tanto na educação quanto na cultura. Mas, para ele, ao contrário do que amplamente difundido na época, cultura não podia se limitar ao sistema escolar tradicional. Era, pois, um elemento complementar à educação formal, fazendo mesmo parte da identidade de um povo. Por isso, fomentou uma política cultural envolvendo o rádio, a televisão, o cinema, o museu, a revista e o teatro.

Para gerenciar esses instrumentos com características tão diversas, que necessitavam  de uma coordenação dinâmica e eficiente, o governo instituiu a Fundação Cultural do Espírito Santo, integrada pelo Tetro Carlos Gomes, pela Rádio Espírito Santo, pela Biblioteca Pública Estadual, pelo Museu de Anchieta e pelo Museu do Colono e por outros órgãos destinados a serviços editoriais e de arte.

A admiração pelo grande estudioso da cultura popular capixaba, desde os tempos do Colégio Estadual, o seu professor Guilherme Santos Neves, certamente havia marcado sua formação intelectual e criado uma sensibilidade forte pelos temas locais. Ninguém amaria tanto o Espírito Santo sem reverenciar sua cultura. Mas o tempo de jovem acadêmico pertencente à Academia Capixaba dos Novos e o valor da cultura disseminado por esta também não foram esquecidos pelo agora Governador. A iniciativa de instalar uma Fundação para gerir os órgãos ligados à cultura foi fundamental, originando diversas medidas cujo alcance é percebido até os dias em que se escreve este trabalho. A Fundação Cultural coordenou a criação do Museu do Colono localizado em Santa Leopoldina, como uma forma de resgatar a história de vários municípios do interior do Espírito Santo cuja colonização ocorreu por intermédio dos imigrantes, principalmente de origem italiana e alemã.

A restauração do Teatro Carlos Gomes foi outra medida que, mais do que valorizar a cultura encheu os capixabas de orgulho e esperança de um protagonismo cultural do Estado que sempre sofreu grande influência do Rio de Janeiro. Depois de 16 meses de trabalho de recuperação, foi inaugurado no dia 15 de dezembro de 1970, o monumento arquitetônico e centro cultural Tetro Carlos Gomes. O evento contou com a presença do professor Arthur Cezar Ferreira Reis, presidente do Conselho Federal de Cultura, representando o Ministro Jarbas Passarinho. O Governador Christiano Dias Lopes Filho ressaltou, na ocasião, o papel do Teatro na motivação de criação artística estadual.

As obras no Teatro foram executadas pelo Departamento de Edificações e O Brás, sob a direção do engenheiro Carlos Alberto Benevides, e a decoração ficou por conta de Ângela Oliveira Santos. Tudo isso sob a supervisão minuciosa da Primeira Dama Aliete, que foi a grande incentivadora da reforma do Teatro. Tanto cuidado devia-se à importância da restauração devido à situação calamitosa em que se encontrava o Teatro naquele momento, estando nas mãos da iniciativa privada que o havia transformado em um modesto cinema. Tal situação era incompatível com a missão atribuída à Fundação de zelar pelo patrimônio cultural do Estado. Mais do que a restauração sob a vigilância atenta da equipe técnica do governo tratou-se de reestruturar o Teatro com os equipamentos mais moderno da época. Com a assistência técnica do Serviço Nacional do Teatro, as obras no Carlos Gomes o impeliram para o rol dos teatros mais imponentes da década de 1970, tendo 527 lugares (311 na platéia e 216 nos camarotes), com sistema central de ar condicionado, aparelhamento de som e sistema de iluminação que permitia à casa receber qualquer tipo de espetáculo.

As mudanças mais significativas se fizeram sentir na Rádio Espírito Santo. O veículo de comunicação  que até poucos anos antes exercia um papel central na sociedade local estava em franca decadência, com prejuízos intermináveis devidos à desorganização administrativa. A rádio vetor os inúmeros programas que espantavam os ouvintes e as transmissões esportivas, fonte de constantes prejuízos, e implantou uma linha baseada em notícias, informações e músicas.

Depois dessas modificações, a Rádio voltou a ser rentável, e com seus lucros foi possível comprar dois carros para a Fundação Cultural. A atuação do diretor da Rádio refletiu, em grande parte, o comportamento que Christiano exigia de sua equipe. Relembremos a analogia estabelecida por Cariê Lindenberg, Christiano era um maestro, que, como tal, conduz sua equipe para alcançar a harmonia, ou seja, Christiano buscava incentivar os membros do governo a realizar um trabalho movido pelo mesmo sentimento que o dele, o sentimento de desenvolver o Espírito Santo.

Nas lembranças de Adam Emil, Christiano ficou guardao como um Governador que Trabalhava. O Christino não tinha hora de descanso... e fazendo planos e levantamentos, e mantendo contato com prefeito, com coisa que precisa, como é que tem que ser feito, começou a construir estradas aí por esse estado todo e a colocar luz elétrica, e colocar telefones e escolas e enfim, foi um período muito ativo, que eu diria até que a gente poderia dividir o Espírito Santo em duas partes: antes e depois de Christiano, porque realmente ele fez um governo muito, muito ativo, muito interessado em resolver os problemas. Ele cochilava dentro do carro, tinha uma almofadinha, botava e dormia dentro do carro, e tal, porque a barra era pesada.

 

Fonte: Memória do Desenvolvimento do Espítito Santo - Grandes Nomes - Chistiano Dias Lopes Filho, 2010
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2012

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