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Garoto, um pouco de história

Logo antiga da Garoto

Nem sempre foi doce o sonho do Sr. Henrique Meyerfreund, fundador da Garoto. Para conhecer melhor a história da empresa, acompanhe a cronologia abaixo:

1901 - Nasce na região da Westfália, Alemanha, Henrique Meyerfreund, filho de agriculotres que cultivavam beterraba e que se tornaram produtores e fornecedores de melaço.

1901 - Após concluir o curso secundário e vendo o seu país economicamente desorganizado em consequência da Primeira Guerra (de 1914 a 1918), Henrique resolve imigrar para o Brasil, como tantos europeus no início do século XX.

Na viagem, Henrique conhece um agrimensor francês que trabalhava no norte do estado do Espírito Santo, na região de Pancas. O jovem começa trabalhando como auxiliar do francês na mesma região, onde contrai o impaludismo (Tipo de malária. Infecção parasitária grave, endémica em alguns países em desenvolvimento, transmitida pelo mosquito Anopheles. Caracteriza-se pelo tamanho do baço, febre episódica e anemia hemolítica). Com o agravamento da doença, Henrique deixa de trabalhar e é enviado para a Santa Casa de Misericórdia, em Vitória.

1922 - Nesse tempo, chega ao conhecimento do Sr. Wilhelm Meyer, também imigrante alemão e dono da Torrefação Teutonia, montada numa chácara localizada em Caratoíra, Vitória, que um jovem compatriota está seriamente enfermo na Santa Casa. Meyer apieda-se do seu estado e resolve ajudá-lo acolhendo-o numa dependência de sua chácara, onde o enfermo é cuidadosamente assistido pela família, em especial pela senhora Wilhelmine (conhecida na forma aportuguesada como Guilhermina). Nesse período, Henrique conhece a jovem Jeannette, filha de Meyer, com quem iria casar-se.

Restabelecido, Henrique trabalha na torrefação do amigo Meyer. É quando descobre que na região só existe a pequena Fábrica de Balas Central, de Inácio Higino.

1925 - Meyer e Henrique planejam trabalhar juntos no promissor ramo das balas doces. Com esse objetivo, compram algumas máquinas usadas na Alemanha. Devido a algumas divergências, a sociedade entre ambos não foi firmada e, após entendimentos, Henrique assume os equipamentos, ficando preservada a amizade.

1927 - As primeiras balas de Henrique foram feitas em Jucutuquara, na rua Paulino Muller, antiga Quinze de Novembro. Pouco depois, Henrique viaja para a Alemanha onde adquire melhores conhecimentos sobre a fabricação de balas doces.

1929 - De volta da Alemanha, Henrique arrenda e adapta um velho galpão da rua São Bento, nº 7, hoje, rua Bernardo Schneider, na Prainha, onde começa no dia 16 de agosto, a manufatura de balas de açúcar, produção inicial da Garoto.

Nos primeiros anos da década de 30, as balas Garoto são vendidas por meninos que as exibem em tabuleiros de madeira nos pontos de bonde. Em consequência da boa aceitação, as balas passam a ser vendidas também em casas comerciais e nas colônias do interior do ES.

1932 -No dia 5 de agosto, nasce em Vila Velha Ferdinand Meyerfreund conhecido por Fernando, filho de Henrique e Jeannette.

1934 - Henrique recebe de seus pais uma herança que é trazida da Alemanha em forma de máquinas usadas para a produção de chocolate. Todavia, o equipamento fica retido na alfândega, porque os impostos de importação são altos demais para as posses de Henrique. Para resolver esse impasse, Henrique conta com a ajuda de Eugênio Pacheco de Queiroz, que na época mantinha bom relacionamento com o governo estadual, em especial com o secretário da Agricultura, Carlos Fernando Monteiro Lindenberg, a quem apresenta uma solução para socorrer a fábrica. A solução chega quase dois anos depois, com a isenção da taxa imposta.

1934 - Lançamento da pastilha de hortelã.

1935 - No dia 5 de outubro, nasce em Vila Velha, Helmut Meyerfreund, filho de Henrique e Jeannette.

1936 - Henrique transfere a fábrica para a Glória, com a ajuda de Eugênio Queiróz, que intercede junto ao governador Punaro Bley na cessão do antigo prédio onde funcionara a fábrica de artefatos para a construção civil, e que estava desativada. A área é vendida a Henrique por um preço simbólico.

Assim, a empresa inicia a fabricação de bombons utilizando o cacau da região norte do Estado.

1940 - Eugênio Pacheco de Queiróz é escolhido para assumir a prefeitura de Vila Velha.

1942 - Segunda Guerra. O governo brasileiro lutava contra os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e houve um quebra-quebra promovendo destruição de patrimônio dos imigrantes alemães e italianos.

Henrique e seus familiares são alojados no presídio da polícia de Vitória, em Maruípe. A torrefação Teutonia é destruída, fato que contribui para a morte de Meyer por derrame cerebral. Nessa ocasião, o prefeito Eugênio de Queiróz, em atitude de coragem, insta junto ao Interventor Punaro Bley para que o comandante do 3º Batalhão de Caçadores proteja a fábrica de bombons Garoto, por tudo que ela representa para o Estado, para o município e para as famílias que dependem dela. O pedido é imediatamente atendido e a fábrica é guardada por uma companhia de cerca de 200 soldados do exército.

Após o Segunda Guerra, Henrique adquire máquinas novas da Inglaterra que modernizam todo o seu processo fabril.

1949 - Lançamento do bombom Serenata de Amor.

1962 - O filho Helmut Meyerfreund retorna da Alemanha, onde estudou Engenharia Mecânica.

1973 - Morre Henrique Meyerfreund. A presidência da empresa é entregue ao filho Helmut.

1976 - É lançado o chocolate Batom.

2002 - A Chocolates Garoto passa a pertencer ao grupo Nestlé.

 

Fonte: Vila Velha - onde começou o Espírito Santo, 1999
Autor: Jair Santos
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2013



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História do ES

Pedra DÁgua

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