Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Geognosia e metalurgia na Província do ES

Mestre Álvaro visto do Morro do Moreno

No reino mineralógico pode-se dizer ser a província do Espírito Santo uma das primeiras do Brasil, e, à exceção da de Minas Gerais, julgamos não existir outra mais abundante em regra de proporção.

Entre os naturalistas que parcialmente estudaram-na podemos citar Saint-Hilaire, Tomás Lindley, Henrique Koster, João Mawe, Selous, Achille Lenois, Sellow, Descourtilz, Capanema e Linger, não falando em outros.

Existem na província riquíssimas minas de ouro nas serras do Canudal e na do Garrafão, no distrito da vila de São Pedro do Cachoeiro, assim como em quase todas as montanhas que margeiam os rios Castelo e Caxixe, como neles próprios e no mesmo município; outrora nessas paragens os mineiros extraíram em abundância ouro granulado de vinte dois a vinte três quilates, tendo aquelas minas o nome de minas de Santana do Castelo. Ainda há ouro nas montanhas interiores, como seja na da Flecheira ou Caparaó, na estrada de São Pedro de Alcântara; nas do Muqui do Sul; nas da estrada de Santa Teresa; nas margens do rio Guandu; na montanha do Mestre Álvaro, no município da Serra; na montanha da Fonte Grande, nesta capital; na da Califórnia, na colônia de Santa Leopoldina, nas serras do Muqui do Norte e Sul e na Lavrinha e serras do rio Pardo. Contém ainda minas de ferro magnético. Há indícios de minas de cobre e prata no mesmo rio Pardo, há amostras riquíssimas de cristais de rocha preto, branco e rosa, encontrados na Colônia do Rio Novo, Salgadinho, Fruteira e estrada de São Pedro de Alcântara. Há notícias de haver sal, gema, gneiss e gesso na montanha do Mestre Álvaro. No rio de Santa Maria, na cachoeira da Farinha, já encontraram-se diamantes de pequeno tamanho, e na freguesia de Itabapoana, em tempos idos, também foram encontrados no rio Muqui do Norte e cabeceiras do rio Itabapoana diamantes, topázios, águas marinhas e pingos d’água de boa qualidade pelo engenheiro mineralogista Dr. Capanema, pai do atual diretor dos Telégrafos, o qual, vindo de Minas Gerais, com outro companheiro, investigou aquelas paragens. Desde tempos passados que Sebastião Tourinho e posteriormente Diogo Martins Cão, por alcunha o Montante Negro, e mais tarde o capitão Marcos de Azeredo Coutinho e filhos, não só declararam a existência de esmeraldas e outras pedras preciosas nas adjacências do rio Doce e seus confluentes, como trouxeram amostras dessas pedras e as mostraram aos capitães-generais da Bahia e governadores do Espírito Santo.

Desde a serra dos Aimorés, atravessando o interior a sair no município do Cachoeiro de Itapemirim, passando pelos distritos dos terrenos denominados Fruteira, Salgado, Salgadinho, São Felipe e Muqui, atravessa uma mina de pedra calcária da melhor qualidade e paralela uma outra de cristal em uma extensão, talvez, de 250 quilômetros.

Em quase todos os rios e córregos da província como, por exemplo, o de São João e da Crimeia, se notam pedras especiais de configuração octaédrica que denotam a existência de pedras preciosas.

Existem ainda granitos de diversas qualidades, pirites, pórfiro, mica, quartzo, diorito, espécies de tabatingas e outros.

O Dr. César de Rainville, o Dr. Linger e o Dr. Gabriel Emílio da Costa também em seus estudos sobre os próprios terrenos que têm percorrido dão notícia de minas de diversos metais e de que possuem até belas amostras.

Nós mesmos, que temos ido a muitas das localidades apontadas, possuímos algumas amostras que certificam a existência da riqueza mineralógica da província.

 

Fonte: Província do Espírito Santo - 2ª edição, reeditado na Adm. Paulo Hartung, SECULT/2010
Autor: Basílio Carvalho Daemon
Compilação: Walter de Aguiar Filho, julho/2018

Curiosidades

Viajantes Estrangeiros ao ES – Barão de Humboldt

Viajantes Estrangeiros ao ES – Barão de Humboldt

Basilio Daemon refere-se à possível passagem do Barão de Humboldt, no ano de 1800, pelo Espírito Santo

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Relação dos terrenos distribuídos aos casais de ilhéus na povoação de Viana

Decreto de 19 de maio de 1818, confirmando as datas de terras concedidas a casais de ilhéus, estabelecidos na antiga povoação de Santo Agostinho na vila de Viana e na Pimenta da mesma vila

Ver Artigo
Geognosia e metalurgia na Província do ES

Nas margens do rio Guandu; na montanha do Mestre Álvaro, no município da Serra; na montanha da Fonte Grande

Ver Artigo
A Lagoa Juparanã – Por Monsenhor Pedrinha, em 1891

Juparanã, Juparanã, deu-te tudo a natureza, só te não deu lágrimas para chorares o desprezo dos teus!...

Ver Artigo
Viajantes Estrangeiros ao ES – Wied, Freyreiss e Sellow

Pouco antes de iniciarem excursão pelas províncias do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia, chegou à Corte, em meados de junho de 1815, Maximiliano Alexandre Philipp, Prinz von Wied-Neuwied

Ver Artigo
Os açorianos em Viana/ES – Favores fiscais

A povoação foi oficialmente instalada a quinze de fevereiro de 1813

Ver Artigo