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Geração de energia elétrica começou no ES em 1903

Cachoeiro e Ponte da Ilha da Luz.

Antes da inauguração da primeira usina elétrica, em 1903, em Cachoeiro de Itapemirim, a iluminação noturna das cidades do Espírito Santo era feita com azeite de peixe, óleo de mamona e querosene. A iluminação pública a gás, por exemplo, foi inaugurada em Vitória em 1879, mas este tipo de iluminação se mostrava bastante oneroso, tanto que no último ano do Império, em 1899, o governo capixaba determinou que o serviço somente funcionaria nas noites sem luar.

Mas a primeira iluminação pública de geração elétrica do Estado, e décima no país, aconteceu em 1903, em Cachoeiro. Por iniciativa de Bernardo Horta, presidente da Câmara municipal, construiu-se a "Ilha da Boa Esperança", que mais tarde passou a ser conhecida como "Ilha da Luz", que utilizava a força hidráulica do rio ltapemirim.

Antes disso, porém, Vitória já conhecia a utilização da iluminação elétrica setorizada. O teatro Melpomene, inaugurado em primeiro de maio de 1986, era iluminado por lâmpadas elétricas alimentadas por um gerador. O Palácio Anchieta, contudo, nesta época permanecia iluminado a querosene.

Em 1908 assume o cargo de presidente do Estado (governador) Jerônimo Monteiro, que em seu plano de governo previa a entrada do Espírito Santo na era industrial. Para isso, ele assina vários contratos destinados a construção de fábricas de tecidos, de montagem de máquinas agrícolas, aproveitamento de fibras têxteis, usinas de açúcar, cimento, óleo vegetal, papel e uma serraria. Mas para a concretização destes projetos era necessária uma infraestrutura energética à altura. O governo anterior, de Henrique da Silva Coutinho, havia ensaiado as primeiras tentativas de instalação de serviços públicos de energia elétrica sob regime de concessão. Contudo, não obteve êxito.

Coube mesmo ao governo Jerônimo Monteiro efetivar a construção da primeira usina hidrelétrica do Estado. Foi escolhido o Rio Jucu, na altura do quilômetro 35 da Estrada de Ferro Leopoldina, e no dia 25 de setembro de 1909 ela foi inaugurada com capacidade para gerar 720 KW. Com o funcionamento da Usina de Jucu, a cidade passou a se aproveitar de outros benefícios da energia elétrica, como o serviço de esgotos, e os bondes, que antes funcionavam com tração animal, em 1912 passaram a ser elétricos. Depois, vieram os serviços de telefonia em Vitória.

Foi em 1910 que a energia elétrica alcançou Vila Velha e Cariacica, que puderam desta forma inaugurar seus serviços de transporte integrado de bondes e lanchas. Em seguida à construção de Jucu, foi erigida a hidrelétrica de Fruteiras, para atender o parque industrial que se pretendia instalar no Vale do ltapemirim, produzindo 3.000 KW.

Já no governo de Florentino Ávidos houve um estudo para aumentar a capacidade geradora da usina de Jucu, que já trabalhava com sobrecarga. Mas para montar uma nova unidade, era preciso paralisar uma das unidades da usina em funcionamento. Avidos entendeu que o custo da ampliação era muito alto. Por isto, decidiu instalar no centro de Vitória uma usina diesel de 720 KW. Vende em seguida os serviços reunidos de Vitória e ltapemirim à General Eletric, que em menos de dois meses transfere a concessão para a recém criada Cia. Central Brasileira de Força Elétrica. Com a compra dos serviços pela Companhia Central Brasileira de Força Elétrica.

Com a compra dos serviços pela Companhia Central Brasileira de Força Elétrica, em 1927, alguns melhoramentos foram implantados: reconstruíram-se as antigas linhas de bondes e prolongaram-se os ramais, a posteação passou a ser feita através de ferro fundido, fez-se nova subestação transformadora com linha de transmissão de 22 mil volts, efetivou-se a interligação Jucu-Fruteiras e o número de telefones chegou a duzentos.

Nessa época o Estado tinha uma população em torno de 450 mil habitantes distribuídos em 31 municípios. Onze usinas elétricas estavam em operação produzindo 5.400 KW e inúmeras cidades do interior ainda utilizavam o querosene para a iluminação doméstica.

Na década de trinta, Vitória tinha menos de 400 telefones instalados para uma capacidade de 800 oferecidos pela Central, que estimulava o aumento do consumo de energia elétrica, ao ponto de vender eletrodomésticos à prestação, nos escritórios da própria Companhia. Mas com a Segunda Guerra Mundial as condições econômicas do país foram modificadas e o consumo cresceu vertiginosamente.

Era necessário pois construir novas usinas. A Central Brasileira preocupou-se então em realizar a ampliação da capacidade das usinas de Jucu e Fruteiras, o que acabou não se concretizando por uma série de razões. Vendo-se pressionada, a Companhia comunica ao governo estadual, em 1948, haver encontrado solução para atender às reclamações dos consumidores; comprara um motor a diesel de mil KW, montado na capital. Depois desta, cinco outras unidades de igual potência foram instaladas, repetindo-se desta maneira a fórmula de Florentino Ávidos em 1926: geração a alto custo e fonte de energia inadequada.

A insatisfação dos consumidores cresce na proporção que aumentam as tarifas. Em Cachoeiro e Vitória surgem movimentos populares com o objetivo de conseguir o barateamento das contas de energia elétrica com equiparação aos preços cobrados nos demais Estados. Na década de 50 é acentuado o processo de urbanização de Vitória e diversas outras cidades, exercendo então forte pressão sobre os serviços públicos existentes: energia elétrica, telefones, transportes e outros.

Era imperioso gerar mais energia a custos compatíveis. Através do "Plano Estadual de Eletrificação", o governo Jones dos Santos Neves realiza concorrência para estudo técnico do pontencial energético do rio Santa Maria. A proposta vencedora, de uma empresa alemã, recomendou a construção de quatro usinas hidrelétricas naquele rio: Rio Bonito, Timbui Seco, Suíça e Santa Leopoldina.

Optou-se inicialmente pela construção da usina de Rio Bonito, que deveria gerar 16.800 KW, cujas obras prosseguiram durante todo o período de governo seguinte até ser iniciada a fase de operação em 1960. No segundo mandato de Carlos Lindenberg, iniciado em 1958, a solução do problema energético recebeu novo impulso: a hidrelétrica de Rio Bonito, entra em operação e começaram as obras da usina de Suíça, um ambicioso programa que daria ao Estado mais de 30KW.

Em janeiro de 1965 a usina de Suíça é inaugurada, entrando em operação em março proporcionando um acréscimo de mais de 100% na geração de energia elétrica no Espírito Santo. Mas com o advento militar de 1964 a situação energética no Estado passa a merecer novo tratamento por parte do governo federal.

Nesta época, para atender às necessidades de consumo de parte do território capixaba, operavam duas empresas de energia elétrica: a Cia Central Brasileira, de capital estrangeiro, concessionária da distribuição e a Escelsa, estadual. Foi também em 1965 que o então Presidente da República, Castelo Branco, atendendo a pedido do governo e do povo capixaba, determina às Centrais Elétricas Brasileiras S/A — Eletrobrás, a encampação da Central Brasileira.

Dispondo de novos recursos a nova Central Brasileira interliga-se a Furnas através do sistema CEMIG e constrói quatro novas subestações: Carapina, Campo Grande, Praia e a de Vitória. Data desta época a conversão de freqüência de 50 para 60 Hz e inaugura-se o primeiro fornecimento para o Porto de Tubarão, com demanda inicial de 6 mil KW.

Com a encampação da Central Brasileira pela Eletrobrás, surge entre os governos federal e estadual, no governo Christiano Dias Lopes Filho, um entendimento no sentido de ser promovida a fusão das duas empresas. Esta era a melhor solução para resolver, de uma vez, a necessidade crescente de energia elétrica solicitada pelo impulso industrial que se registrava no Estado, notadamente na Grande Vitória.

Data de primeiro de julho de 1968 a assembléia geral conjunta das duas empresas e a fusão é então concluída. Surge então a nova Espírito Santo Centrais Elétricas S/A — Escelsa, empresa subsidiária da Eletrobrás, com participação acionária do governo do Espírito Santo.

 

Fonte: A Gazeta, 10/04/1986
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2015

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