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Gil Vellozo - Início da militância política

Gil Vellozo

Pode-se dizer que a vida política de Antônio Gil Vellozo começou a ser construída no período de abertura democrática que se seguiu aos 15 anos da Era Vargas (1930-1945). Com o fim do Estado Novo (1937-1945) veio a Assembléia Nacional Constituinte, e o general Eurico Gaspar Dutra, apoiado por Getúlio, de quem fora ministro da Guerra, foi eleito presidente da República.

Dutra tomou posse em janeiro de 1946, quando o Brasil ganhou uma nova Constituição, que incorporou em seu texto as conquistas sociais implantadas por Vargas assim como as garantias civis e políticas incluídas na Carta de 1934.

Os novos tempos tiveram seus reflexos no Espírito Santo, onde foram fundados nove partidos políticos – cinco dos quais tiveram maior expressão. A maior força política do Estado estava no PSD (Partido Social Democrático), que foi criado por inspiração de Getúlio Vargas para abrigar correntes conservadoras e que reunia os grandes proprietários rurais – especialmente produtores de café, principal produto capixaba.

Também se destacava o PRP (Partido de Representação Popular), marquise para os egressos da extinta Ação Integralista Brasileira, de inspiração fascista, fundada por Plínio Salgado que, em 1938, tentou um desastrado golpe contra Getúlio Vargas, golpe esse que ficou conhecido como Levante Integralista. O PRP capixaba era formado por pequenos proprietários rurais e núcleos urbanos do interior.

Alguns segmentos urbanos (notadamente os emergentes profissionais liberais) eram representados pela União Democrática Nacional (UDN, antigetulista). As outras siglas eram o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB, também de inspiração e de apoio aos ideais de Vargas) e o Partido Social Progressista (PSB). As duas siglas agregavam forças tanto no meio urbano quanto no meio rural.

Além desses partidos, surgiram no Estado, durante os anos 1940, o PR (Partido Republicano), o PDC (Partido Democrata Cristão), o PSB (Partido Socialista Brasileiro) e o PCB (Partido Comunista Brasileiro). Os dois últimos tiveram vida curta: seus registros foram cassados pelo Tribunal Superior Eleitoral em 1947.

Foi em plena redemocratização nacional que Carlos Lindenberg assumiu o Governo do Espírito Santo, em 1947, com o apoio da coligação PSD/UDN. Na Assembléia, 33 deputados foram eleitos para a Constituinte Estadual: 15 pertenciam ao PSD, seis à UDN e quatro ao PR. O PDC, o PTB e o PRP ficaram com duas cadeiras cada um, enquanto o PRD e o PCB conseguiram preencher uma cadeira cada um.

Antônio Gil Vellozo era uma das principais estrelas de uma UDN, cuja origem no Estado foi a chamada Esquerda Democrática, formada após uma entrevista do ex-governador da Paraíba, José Américo, ao Jornal Correio da Manhã, do Rio de Janeiro. Essa entrevista, que falava da redemocratização, forçou o ditador Getúlio Vargas a fazer uma série de concessões políticas.

A Esquerda Democrática capixaba foi fundada, em Vitória, na Casa do Estudante, que funcionava em cima do antigo Mercado da Capixaba, na Avenida Jerônimo Monteiro. Antônio Gil Vellozo esteve presente à reunião de fundação junto com Eurico Rezende, Fernando Lindenberg, Argeo Lorenzoni, Rosendo Serapião, Eurico de Oliveira Neves, Adhemar de Oliveira Neves, José Cupertino Leite de Almeida e João Calazans.

Os integrantes desse grupo acabaram por fundar o semanário Folha Capixaba, que repicava no Estado uma campanha pela anistia geral de presos políticos, principalmente do líder comunista Luiz Carlos Prestes.

Veio a anistia aos presos políticos, o fim da ditadura Vargas e a redemocratização do País, com a formação de diversos partidos. Integrada por jovens idealistas, a UDN do Espírito Santo acabou sendo fundada no escritório do advogado Fernando Lindenberg (irmão do pessedista e governador Carlos Lindenberg), numa reunião da qual fizeram parte o próprio Gil Vellozo, Eurico Rezende, Mileto Rizzo, Benjamim Barros, Evaldo Gomes, Dulcino Monteiro de Castro e Argeo Lorenzoni.

Vellozo foi um dos responsáveis pela fundação do diretório municipal do partido em Vila Velha, sendo seu primeiro presidente. Ao mesmo tempo, ocupava a secretária-geral do diretório regional. Quando o regime militar de 1964, que havia sido apoiado pelos próprios udenistas, extinguiu os partidos, Gil Vellozo era o presidente estadual da UDN.

 

Fonte: Coleção Grandes Nomes do Espírito Santo - Antônio Gil Vellozo, 2013
Texto: Roberto Moscozo
Coordenação: Antônio de Pádua Gurgel/ 27-9864-3566
Onde comprar o livro: Editora Pro Texto - E-mail: pro_texto@hotmail.com - fone: (27) 3225-9400

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