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História de Itaúnas

Itaúnas - Duna que dá acesso à praia

Quem caminha sobre as dunas de Itaúnas, pequena vila em Conceição da Barra, norte do ES, entre o mar e a região alagada pelo rio, está passeando sobre a história de uma vila que foi, aos poucos, sendo coberta pela areia fina até desaparecer. Bastam algumas horas de conversa com moradores mais antigos, para entender por que o local é cercado de lendas.

Até a década de 50, era lá que viviam os primeiros moradores. Eram apenas duas ruas - a "de cima" e a " de baixo" - e pouco mais de 100 casas, a maioria de estuque, construção feita com madeira e barro.

Uma das principais atividades econômicas era a produção de farinha, feita nas dezenas de farinheiras espalhadas pelas propriedade, e levadas para Conceição da Barra através do rio. Também havia pescadores e algumas pessoas viviam do comércio do que produziam, às margens do rio Itaúnas.

A partir de 1952, os moradores começaram a ser explusos pela força da areia e a mudar para o outro lado do rio, onde fica a vila atual. As dunas chegam a atingir 30 metros acima do nível do mar.

Restaram poucos moradores da vila antiga para contar a história. Um deles é Ângelo Camilo, o "Caboquinho", figura emblemática do vilarejo.

Ele garante que, embora muitos pensem que a areia soterrou tudo o que encontrou pela frente, estão enganados.

"Ela veio aos poucos. Não foi agressiva não. Foi pedindo licença para aterrar. Ficava dois, três anos na porta da gente, jogando areia sobre as casinhas de estuque. Muita gente acha que tem tesouros debaixo da areia, mas as pessoas foram tirando tudo".

O primeiro a desaparecer sob as dunas foi o cemitério da vila. Em seguida, a Igreja de São Sebastião foi soterrada. O biólogo André Luiz Campos Tebaldi explicou que o principal motivo para a formação das dunas foi a destruição da vegetação de restinga.

Ele ressaltou que o movimento da areia continuou com o tempo. Hoje as dunas estão mais baixas em alguns pontos. Exemplo disso é que as ruínas e o mastro da igreja já despontam em meio às montanhas de areia.

 

Fonte: A Tribuna (29/7/2007)
Compilação: Walter de Aguiar Filho, abril/2012



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