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IEMA assume comando de três parques

Cachoeira da Fumaça

Desde o último dia 3 de setembro, o gerenciamento dos parques estaduais do Forno Grande e Mata das Flores, ambos em Castelo, e da Cachoeira da Fumaça, em Alegre, que ficam dentro da área de abrangência da Bacia do Rio Itapemirim, foi transferido ao Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).

A mudança ocorreu de fato no último dia 3 de julho, com a sanção da Lei nº 8.589/2007, de autoria do governador Paulo Hartung, mas durante o período de 60 dias vigorou o prazo para a regulamentação, o que expirou no início deste mês.

Até então, as unidades eram gerenciadas pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo. Com a mudança, será possível centralizar num mesmo órgão as decisões, evitando pareceres diferenciados, ao mesmo tempo em que viabiliza a criação de um Sistema Estadual de Unidades de Conservação.

"Como a decisão ainda é muito recente, o lema está mobilizando as comunidades no entorno das unidades para que elas participem de sua gestão", conta a analista de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e coordenadora do Grupo de Áreas Protegidas do lema Rita Mendes.

Dos três parques, os da Cachoeira da Fumaça e o de Forno Grande já possuem plano de manejo — documento que contém um diagnóstico do número de espécies, endemismo, zoneamento (áreas liberadas para uso econômico), dentro outros aspectos — e estão abertas à visitação pública e pesquisa científica.

Já o da Mata das Flores ainda não dispõe de infra-estrutura para receber os visitantes.

De acordo com Rita, como o período ainda é de transição, as unidades não dispõem de um conselho gestor, o que deverá ser formado em breve e contará com a participação de membros da sociedade civil e poder público.

"Estamos estimulando a participação da comunidade para que ela possa ser parceira do meio ambiente. As pessoas precisam estar conscientes de que o patrimônio natural é de todos. Sem conscientização não há preservação. O fiscal é o cidadão", destaca.

Frade e a Freira: monumento

Outra importante ação com objetivo de preservar os recursos naturais na Bacia do Rio Itapemirim foi o decreto do governador Paulo Hartung, assinado no último dia 8, que eleva "O Frade e a Freira" à categoria de Monumento Natural.

Com a medida, o mais importante cartão postal do Sul Estado terá minimizado os impactos ambientais causados pela mineração em seu entorno, além de serem trabalhadas novas práticas de manejo na região, principalmente aquelas voltadas para as atividades de ecoturismo e agroturismo.

“O trabalho agora é de mobilização junto à comunidade para reconhecimento de lideranças. A idéia é compor um conselho gestor para unidade. Posteriormente, será elaborado um plano de manejo", informa a analista de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e coordenadora do Grupo de Áreas Protegidas do lema Rita Mendes.

O Frade e a Freira está localizado no limite dos municípios de Rio Novo do Sul, Cachoeiro de Itapemirim e Vargem Alta. Por uma estrada de terra chega-se ao pé do monumento, a uma altitude de 670 metros e a três quilômetros da BR-101 Sul.

A escalada dura 60 minutos e é acessível a qualquer pessoa. O final é no topo do Frade. Lá no alto, em meio à vegetação rasteira e ao assobio dos pássaros, dá para apreciar o mar e as cordilheiras do Caparaó.

A lenda

Duas montanhas formam a figura de dois religiosos. Conta a lenda que um padre apaixonou-se por uma freira. Como o amor entre eles era impossível, foram transformados em pedra para que esse amor fosse eternizado.

Caparaó, onde tudo começa

No Parque Nacional do Caparaó — localizado entre os municípios de Ibitirama, Irupi e Iúna — estão as principais nascentes da Bacia do Rio Itapemirim (BRI), com inúmeras cachoeiras de águas cristalinas, piscinas naturais, vales e mata atlântica intocável.

É essa característica natural que faz da BRI uma região potencialmente geradora de divisas e de grande potencial turístico.

Com uma área de 18.600 hectares, o parque tem terras no Espírito Santo (68%) e em Minas Gerais (32%). Nele está o Pico da Bandeira — o terceiro mais alto cume do País, com 2.890m, que fica do lado capixaba, no município de Ibitirama.

"A região dispõe de uma das maiores diversidades florísticas do País e muitas espécies endêmicas. A área é um refúgio ecológico para inúmeras espécies, especialmente para o macaco muriqui", conta a analista de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do lema e conselheira do parque, Maria Otávia Crepaldi.

Ela explica que, devido ao seu difícil acesso e ao distanciamento de centros urbanos e universidades, ainda há pouco conhecimento sobre toda a diversidade natural do parque, apesar dele ter sido criado em 1961.

Maria Otávia conta que uma equipe formada por 10 pesquisadores está concluindo a revisão do plano de manejo do parque, e que ele deverá ser entregue ainda este ano.

Cafundó: a 1ª reserva particular

Na Bacia do Rio Itapemirim está localizada a primeira Reserva Particular do Patrimônio Natural do Estado (RPPN), a da Fazenda Cafundó, em Cachoeiro de Itapemirim, que foi criada em 1998 e possui 500 hectares.

Nela foi encontrada uma variedade enorme de aves e mamíferos, a maioria ameaçada de extinção, e um considerável número de nascentes.

Próximo da fazenda está única reserva biológica do Sul do Estado, antes pertencente à Emcapa hoje Incaper, e transformada em Floresta Nacional (Flona), administrada pelo lbama, local que hoje está voltado para um harmonioso trabalho de biodiversidade, ecoturismo e educação ambiental.

Segundo a analista de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do lema Rita Mendes, a importância da RPPN está no fato de que, ao averbar uma área, o proprietário assegura que ela fique perpetuamente protegida, independente da venda ou passagem por meio de herança.

"Como 90% do que sobrou da mata atlântica está em área particular, esse tipo de categoria garante a preservação área averbada", explicou.

 

Fonte: A Tribuna, Suplemento Especial Navegando os Rios Capixabas – Rio Itapemirim - 23 de setembro de 2007
Expediente: Joel Soprani
Subeditor: Gleberson Nascimento
Colaborador de texto: Flávia Martins
Diagramação: Carlos Marciel Pinheiro
Edição de fotografia: Sérgio Venturin
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2016



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