Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Imprensa e cidadania – Por Setembrino Pelissari

Sob as ordens de Chiquinho

O DIÁRIO não foi a minha primeira experiência em jornal. Comecei trabalhando em A Gazeta, quando era da UDN e dirigida pelo Dr. Olympio de Abreu, um político de Mimoso do Sul. Depois, A Gazeta foi vendida para o Dr. Carlos Lindenberg, do PSD. Como eu era de oposição a esse partido, parei de escrever no referido jornal.

Quando Dr. Chiquinho terminou seu primeiro mandato como governador do Estado, nós, que o apoiávamos e que participávamos do seu Governo (eu havia me formado em direito mas não advogava, porque era secretário particular dele), sentimos a necessidade de ter um jornal próprio. Era necessário defender o seu Governo, tendo em vista que havíamos perdido a eleição para o PSD, que voltava ao Palácio Anchieta agora com a eleição de Carlos Lindenberg.

Ao mesmo tempo, era necessário um jornal para sustentar a campanha pelo retorno de Dr. Chiquinho ao Governo, campanha essa que começou praticamente no mesmo dia em que ele deixou o Palácio Anchieta, quando fomos para Cachoeiro inaugurar uma obra que ele tinha realizado lá: a avenida que leva o seu nome e que liga a cidade à rodovia federal. Sentimos necessidade de ter um jornal para sustentar essa campanha e esse jornal foi O DIÁRIO, que passou a ser do Dr. Chiquinho.

Eu administrava o jornal 24 horas por dia, numa época em que os recursos para sua manutenção eram difíceis de conseguir. Chegamos, inclusive, a ter que andar com um "livro de ouro", pedindo dinheiro aos amigos e companheiros de partido, muitas vezes para comprar o papel no qual seria impressa a edição do dia seguinte. Era uma situação curiosa: sempre que estávamos em falta de papel para editar o jornal do dia seguinte, nos socorríamos exatamente do jornal oposto a nós, A Gazeta. Seu gerente era Eugênio Queiroz, e ele não misturava as coisas. Ele dizia: "Aqui somos colegas de imprensa, e então vamos nos ajudar".

A empresa estava em meu nome e em nome do filho do Dr. Chiquinho, o Renato Aguiar. Éramos proprietários das cotas. Eu nunca dirigi de fato O DI-ÁRIO, mas compunha um conselho de redação em que o diretor era o Plínio Marchini, e depois foi o Esdras Leonor.

Eu também escrevia, só não assinava. Escrevia sobre política e dava a orientação editorial. Dizia o que podia ou não ser feito, já que éramos um jornal partidário.

Isso era feito com muita tranqüilidade, porque tínhamos um extraordinário diretor, que era o Plínio, um jornalista de primeira linha cujos editoriais geralmente causavam grande repercussão. Quando terminou o mandato do Dr. Chiquinho, me afastei do jornal e fui exercer o cargo de prefeito de Vitória.

Também passou pelO DIÁRIO uma figura que hoje está no Governo, o Rogério Medeiros, cujo pai foi um dos líderes da Coligação Democrática e cujo tio, o general Carlito Medeiros, foi presidente da Coligação.

Este depoimento pode ter falhas porque lá se vão 40 anos. Mas quero ressaltar para os novos jornalistas e para toda a população a importância daquele jornal na época, quando ajudou não só a formar uma mentalidade política e de cidadania, mas também uma gama de jornalistas que venceram em outros jornais, começando num lugar pobre como a redação dO DIÁRIO, onde redigíamos ouvindo o barulho da linotipo. Aliás, quero registrar o nome de dois linotipistas da época: o Army e o Alemão, além do Dequinha, que era o paginador, e do Benedito, que era o impressor...

Eram homens que literalmente faziam o jornal, pois O DIÁRIO não era impessoal. Esse pessoal que trabalhava lá era reconhecido na rua. Fazer o jornal era uma epopéia que se vivia a cada edição. Mas fazíamos tudo por amor à causa. Foi compensador.

 

Fonte: O Diário da Rua Sete – 40 versões de uma paixão, 1ª edição, Vitória – 1998.

Projeto, coordenação e edição: Antonio de Padua Gurgel

Autora: Fernando Jakes Teubner

Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2018

Imprensa

Casa de doido – Por Eloy Nogueira da Silva

Casa de doido – Por Eloy Nogueira da Silva

Quando entrei a primeira vez no jornal onde passaria a trabalhar, a pedido do governador CHIQUINHO, tomei um grande susto 

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Carlos Tourinho - Jornalismo Regional: Mudanças à vista, 1996

A vida do jornalista é cercada por “sirenes”. Em vários sentidos, em diferentes configurações

Ver Artigo
A guerra do sete dias – Por José Costa

Viajei num raio ao passado e desci no jornal 7 Dias, onde conheci o estoicismo, cada edição era uma história, um desafio, uma prova de obstáculos

Ver Artigo
Seis meses sem escrever – Por Milson Henriques

NO DIÁRIO eu fui desenhista, crítico de rádio e TV, e levei o Jornaleco pra lá

Ver Artigo
Sociedade anos 60 – Por Hélio Dórea

Andando bem os trabalhos de construção da ponte de Camburi, um grande sonho de muita gente

Ver Artigo
A Longa Trajetória de O Diário – Por Marien Calixte

Mário Tamborindegui comprou o jornal para servir a Chiquinho

Ver Artigo