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Itaúnas

Parque de Itaúnas

Itaúnas: tombado pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade, esse parque tem 3.500 hectares e 25 quilômetros de praia, além de diversos ecossitemas, como manguezal, restinga e alagados, e espécies ameaçadas de extinção como preguiças, capivaras e lontras. É famoso por suas dunas que, com o desmatamento e a força dos ventos, se moveram e cobriram a antiga vila.

Imagine uma vila soterrada embaixo de dunas, cujo ponto mais alto chega a 30 metros, de onde se pode contemplar o melhor pôr-do-sol e nascer da lua do Espírito Santo.

Parece até uma história de outro mundo, mas é pura verdade. Trata-se de Itaúnas, um lugarejo escondido no município de Conceição da Barra, o último antes de chegar à Bahia.

Tudo começou com a interferência do homem branco na natureza que resolveu eliminar a vegetação de restinga da região. Quando já não restava mais nem um pedaço de verde, o vento começou a soprar a areia, que foi invadindo casa por casa, obrigando os moradores a construírem novas residências do outro lado do rio (onde hoje está instalada a atual vila). E assim, surgiram as dunas...

O que ninguém poderia imaginar é que uma história maluca como essa virasse – junto com as dunas – o principal cartão-postal de Itaúnas. Mas virou.

Hoje, além desse pequeno “deserto tropical”, o lugarejo, que só possui uma rua (de terra), vive em clima de forró pé-de-serra, que pega fogo com o Encontro Nacional de Forró, de 23 a 29 de junho, no Buraco do Tatu, e o Festival de Forró de Itaúnas, de 16 a 22 de julho, no Bar Forró.

Outra peculiaridade da vila de Itaúnas é o fuso-horário. No pacato lugarejo o dia começa à noite. Como? É simples: moradores e turistas vivem para o forró, que tem início depois da meia-noite e rola até o amanhecer. Hora de ir à padaria comer um pão com manteida e tomar um café.

Dormir, nem pensar! O destino é a praia, mesmo com o friozinho. Nem que seja para deitar na areia e cochilar. Nos intervalos, um petisco vai bem (existem quiosques no local).

Antes do pôr-do-sol, aproveite para “almojantar” ou “jantalmoçar” – de preferência a moqueca do restaurante da Tereza. Depois, volte para as dunas e veja o “astro rei” ir embora, o espetáculo misturado ao cenário dos alagados, ao vôo suave dos pássaros e à beleza das garças é, simplesmente, indescritível.

Caso seja noite de lua cheia, espere um pouquinho e contemple ela surgir de dentro do mar e clarear aquela imensidão de areia, a paisagem até lembra um quadro de Degas.

Finalmente, vá dormir. Isso mesmo, dormir! Até pelo menos às duas da madrugada quando chega a hora de ir para o forrobodó, o arrasta-pé, enfim, o bochicho. Depois, pela manhã, começa tudo de novo... sempre sob à benção de São Sebastião e São Benedito.

 

Não deixe de visitar:

>> Floresta Nacional do Rio Preto (Flona): Fica no Córrego do Artur, próximo ao distrito de Braço do Rio, a 53 quilômetros da sede do município.

>> Reserva Biológica do Córrego Grande: tem 1.504 hectares e está localizada a 71 quilômetros da sede do município – próximo à divisa com a Bahia.

>> Parque Estadual de Itaúnas: Com 3.674 hectares, reúne diferentes ecossistemas: praias, dunas, restinga, manguezal, Mata Atlântica de Tabuleiro, alagados e o rio Itaúnas. Abriga um Centro de Visitação, com exposição arqueológica. Monitores levam os turistas para um roteiro histórico-cultural, que passa pela comunidade Senhor Paulo Jacó e vai até a Praia da Itaúnas.

>> Praia de Itaúnas: Mar calmo, abriga as barracas do Itamar, Normal, do Coco e do Bernardino.

>> Soltura das Tartarugas: Só é permitido acompanhar as “tartaruguinhas” na sua luta para chegar ao mar com autorização do Projeto Tamar, cuja base fica no Centro de Visitação do Parque Estadual de Itaúnas, onde, às vezes, é possível ver uma tartaruga gigante.

>> Passeio de barco pelo rio Cricaré: É só contratar um dos pescadores que ficam ancorados no cais. Preço à combinar. O roteiro inclui as localidades de Meleiras e Barreiras, onde é possível comprar artesanato em madeira.

 

Fonte: Jornal A Gazeta - Texto de Rachel Martin
Compilação: Walter de Aguiar Filho, abril/2012

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