Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

IVAN REIS, talento capixaba

Capa CD Ivan Reis - 2011

Saiba um pouco da carreira desse talentoso artista

Cantor e compositor, Ivan Reis nasceu em Vila Velha (ES), a 9 de julho de 1945. Aluno dedicado e apaixonado pelas aulas de Matemática e Geografia, nunca dispensou ser o primeiro da classe. Passou bastante tempo num colégio como seminarista. Anos depois compôs as músicas Aula de Matemática (sua primeira composição) e Geografia do Amor.

Desde criança, Ivan Reis possuía boa voz. Em 1961, levado por uma tia à rádio Espírito Santo, cantou no programa Boris Castro Comanda o Espetáculo. Na época, sua maior inspiração era a bossa nova. Embora não recebesse cachê, atuou na emissora oficial do Estado por algum tempo.

Dois anos depois (1963), Ivan Reis concorreu pela primeira vez num concurso carnavalesco promovido pela rádio ES, classificando-se em quarto lugar. Em 1965, venceu o concurso com a marcha Martin Pescador. A classificação foi muito importante para o início da sua carreira, pois a partir daí passou a dedicar-se inteiramente a música. Ivan formou, então, o conjunto vocal Os Super Boys, que incluía Sidney Pórfiro e Lusimar. O conjunto se apresentou em Vitória e seguiu para o Rio de Janeiro, onde logo se desfez. Mas Ivan permaneceu na capital carioca, onde deu continuidade ao seu trabalho.

A primeira gravação de uma música sua ocorreu em 1967, quando a cantora Meire Pavão lançou um compacto que incluía Depois que a Banda Passou (uma espécie de resposta a A Banda, de Chico Buarque de Hollanda, grande sucesso daquele ano), e O Vovô e a Vovó, pela gravadora Polydor. Naquele ano Ivan Reis participou do Programa do Chacrinha e venceu o concurso  "Melhor Calouro do Rio-São Paulo".

Em 1968, retornou ao Espírito Santo, dedicando mais ainda à música, participando de todos os festivais capixabas e fluminenses de música popular. Em Vitória, liderou os conjuntos Ciclone, Lonelies Heart Soul (banda dos corações solitários) e Mary Crazy, do qual participavam ainda Hélio Jorginho e Beto Paco Roco, considerado por Ivan o maior baterista da cidade naquele momento.

No I Festival Capixaba de MPB, realizado no Ginásio Wilson Freitas, em 1968, Ivan Reis inscreveu a música Prece de um Nordestino. Participou também do II Festival e classificou quatro músicas: Quem me dera, O Astronauta, Reencontro e A Canção e o Vento (parceria com Heraldo Brasil). Em 1970, venceu o Festival Capixaba de Cachoeiro de Itapemirim com a música 237. Várias revistas da época, incluindo Manchete, Internacional e Sétimo Céu, abriram espaço para noticiar as vitórias de Ivan, que venceu ainda no Rio de Janeiro os Festivais de Bom Jardim e Universitário de Niterói, além de outros no interior do Estado.

Nessa época, Ivan Reis utilizava um visual baseado no colorido das roupas e nos cabelos longos. Nas apresentações do conjunto Mary Crazy, em Vila Velha, chegou a utilizar um macaco, vomitar macarão no palco e fazer muitas loucuras que mais tarde seriam comuns nos espetáculos de heavy metal e punks.

Paralelamente às apresentações exóticas do Mary Crazy, Ivan desenvolveu um trabalho sério de compositor. Em 1975 foi apresentado por Carlos Imperial ao compositor Fernando Casar, antigo parceiro de Maurício de Oliveira e Altemar Dutra. Fernando ensinou ao compositor capixaba uma lição que desde então passou a ser o conceito mais importante utilizado em seu trabalho de criação artística: "O difícil é fazer o fácil". A partir desse contato, Ivan tornou-se um compositor "mais completo, mais maduro", como ele mesmo admite. Aprendeu que mesmo fazendo música romântica, deveria "trabalhar com seriedade e eficiência".

Mais tarde conheceu o compositor Neneo, que se tornou seu parceiro em várias composições, entre as quais Reencontro, gravada por Márcio Greyck e utilizada na novela Louco Amor, da Rede Globo, por muito tempo em primeiro lugar nas paradas de sucesso, obtendo doze discos de ouro por vender 1200 mil cópias. Outras gravações:

Pesadelo e Eu Queria Você Pra Mim, com Neneo, pela RCA em 83: Você Veio, Márcio Greick, pela RCA em 1983. Ao Cair das Folhas, com a colombiana Isadora, em Medellín, 1985; Óculos Escuros e Ela Podia Entender, por Fernando Mendes, na Odeon, em 1986; e Flor e Paixão, por Gilliard, na gravadora 3M, em 1988.

Além desses discos, Ivan fez também sambas enredos criados para a Escola de Samba Mocidade Unidos da Glória (MUG), incluídos nos discos carnavalescos.

O artista lamenta que todo esse sucesso não tenha resultado em bom retorno financeiro. Apesar dos discos venderem um número imenso de cópias, "o sistema de arrecadação de direitos autorais no Brasil é falho, privilegiando o cantor e não o compositor", diz.

Atualmente Ivan Reis ensaia com seu novo grupo musical, que deverá apresentar seu trabalho de compositor. Dele fazem parte também o cantor Fábio Salles e o violonista Edson Bortolon. Ivan espera que as emissoras de rádio e a imprensa local divulguem com mais freqüência os trabalhos capixabas, "para que não aconteça o mesmo que ocorreu com a música Reencontro, gravada por Marcio Greyck: fez sucesso em todo o Brasil, menos em Vitória".

 

Fonte: Painel Informativo Cultural julho-agosto/1989 - Ano IV, nº 6
Publicação: Departamento Estadual de Cultura
Texto: Elaborado a partir de depoimento prestado à Divisão de Memória do DEC por Júlia Maria Moneque
Compilação: Walter de Aguiar Filho em abril de 2011



GALERIA:

📷
📷


Personalidades Capixabas

Gil Vellozo, o anticomunista

Gil Vellozo, o anticomunista

Gil foi prefeito de Vila Velha e deputado estadual revolucionário anticomunista, homem simples e de coração generoso (A Tribuna)

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Personalidades de Vitória – Por Wanda Camargo

Escolho, para falar aos Escritos de Vitória, uma personalidade essencial. Muitos a conheceram e poucos, como eu pois falo de um mineiro, nascido em Itaúna, a 9 de fevereiro de 1909...

Ver Artigo
Annette: Uma patrona de honra – Por Maria das Graças Neves

Anna de Castro Mattos, pseudônimo — Annette, mulher de fibra, garra e prestígio. Capixaba de nascimento de Mimoso do Sul e vitoriense por título concedido pela Câmara Municipal de Vitória, em 1967

Ver Artigo
Cinquentenário de uma persona grata – Por Marcos Tavares

Se é que é possível desvincular biografia e obra de um artista, eu diria que mais conheci o homem do que o notável ficcionista de O Sol no Céu na Boca

Ver Artigo
Maria Ortiz, heroína inesperada

O prazer de Maria Ortiz era rolar pela ladeira do Pelourinho dentro de uma ancoreta vazia. Tinha nove anos nessa época. Seu pai, o espanhol Juan Orty y Ortiz, veio para o Espírito Santo em 1621

Ver Artigo
Pauta para Sussen – Por José Irmo Goring

E olha que o Elmo foi figura sempre presente e atuante no movimento cultural de Vitória. Membro da AEL e do IHGES, escreveu alguns livros

Ver Artigo