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Jerônimo Monteiro - Capítulo XIV

Aspecto do salão Domingos Martins, do palácio do governo, no dia da instalação do Congresso das Municipalidades (1908-1912)

Estava o povo espírito-santense verdadeiramente impressionado com a "Plataforma" de 15 de janeiro de 1908. Contudo, feito um exame nos "Relatórios" dos chefes de repartições públicas, para conhecer de perto a situação geral do Estado, o Dr. Jerônimo resolveu "dias depois de assumir a Administração, divulgar melhor seu programa, especialmente, para reafirmar a diretriz que pretendia seguir".

A 10 de junho, publicou seu "Manifesto Inaugural", que tratava, novamente, do seu plano de obras e iniciativas, em favor do progresso do Estado e benefício do povo.

Aproveitou o otimismo decorrente desse documento para congregar energias latentes, desavindas, porém, sob rivalidades políticas. Assim, enquanto atendia à Reforma do Ensino, já referida no Capítulo anterior, coordenava as bases de um grande Partido Político, de modo que se estabelecesse um ambiente de paz necessário à seleção de elementos capazes de contribuir, com seus dotes, para o desempenho seguro de cargos de maior responsabilidade.

Foi certamente este o fator principal das realizações do seu Governo — a escolha de auxiliares competentes, laboriosos e dignos.

A 4 de dezembro de 1908, no salão da Escola Normal do Estado, realizava-se o ato político de maior relevo no período inicial daquele quadriênio, a fundação do Partido Republicano Espírito-Santense, que reunia todas as correntes partidárias do tempo. Estavam ali compenetrados e solenes os chefes tradicionais do eleitorado espírito-santense: Domingos Vicente Gonçalves de Souza, Narciso Araújo, Barão de Monjardim, Torquato Moreira, Aristides Guaraná, Antônio Aguirre, Antônio Ataíde, os Presidentes das Câmaras Municipais, Deputados, funcionários públicos, etc. A convite do Dr. Jerônimo, assumiu a Presidência o Dr. Paulo de Melo, em obediência "ao fato de ser S. Exa. o Presidente de uma corporação que, mais de perto, representa a soberania do povo, o Congresso Legislativo Estadual".

Organizada a mesa, o Dr. Jerônimo pediu a palavra e proferiu belo discurso do qual destacamos o seguinte trecho:

“A patriótica atitude dos vários elementos políticos do Estado, concorrendo com o seu esforço, com a sua boa vontade, para auxiliar o Governo no trabalho da Administração, representa valiosas contribuições dignas de nossa maior gratidão e para os quais só temos palavras de louvor e de agradecimento.

Ao invés das lutas intensas de Partidos, os quais tanto agitaram nosso Estado, vemos, com prazer, reinar a paz em nosso meio, reunidos todos os elementos em torno de um programa, abrigados por uma bandeira e empenhados em um só combate: o nosso engrandecimento. Poucos meses após o início da atual Administração, um bom número de cidadãos distintos, que se alinhavam nas fileiras do Partido Republicano Federal deste Estado, sob a direção do ilustre Deputado Federal, Dr. Torquato Moreira, veio, espontaneamente, incorporar-se às forças que a prestigiavam, para, unidos aos nossos esforços, mais facilmente colimar nosso objetivo.

Recentemente, os membros da antiga oposição, dirigidos pelo respeitável compatriota Sr. Barão de Monjardim, atendendo às instruções do seu digno chefe e acudindo ao apelo que, por vezes, tenho feito a todos os cidadãos para auxiliarem o Governo, na elevada cruzada de promover o desenvolvimento do Estado, vieram dispensar-nos sua útil colaboração.

Estes fatos permitiram podermos hoje presenciar a situação de paz e tranquilidade, que tanto pode concorrer para o melhor resultado dos nossos trabalhos.”

Conclui o Dr. Jerônimo seu discurso num convite àquela brilhante assembleia a

“sopitar quaisquer sentimentos de hostilidade e de paixão particular do passado, lançando sobre esse o véu do esquecimento e, possuídos de ânimos nobres e elevados, encarar todos como membros de uma só e mesma legião combatente pelo progresso do Espírito Santo.”

Em seguida ao discurso do Presidente do Estado, o Dr. Diocleciano de Oliveira leu o Programa, já elaborado:

 

Programa

 

O Partido Republicano Espírito-Santense adota para seu programa os seguintes princípios:

I. Manter, em suas bases fundamentais, os princípios estatuídos na Constituição Federal.

II. Promover, com afinco, o desenvolvimento da instrução primária e secundária do Estado, de acordo com o espírito da Constituição Estadual.

III. Zelar pela ativa e exata fiscalização das rendas públicas, aplicando-as de modo a evitar déficits orçamentários, quer do Estado quer dos municípios.

IV. Propugnar pela autonomia dos municípios cercando-os de prestígio, que devem ter essas associações básicas do regímen republicano, de forma a que estejam, sempre, sob a administração dos mais dignos e competentes.

V. Desenvolver a indústria particular, auxiliando-a por meios diretos e indiretos, de modo a aproveitarem-se todos os esforços individuais ou coletivos, em benefício do Estado.

VI. Respeitar a verdade eleitoral, garantindo em todos os pleitos a representação das minorias, implantando no espírito do povo a convicção de que todos os poderes são oriundos do seu mandato e que, por isso, não deve abster-se de manifestar sua vontade soberana pelas urnas.

VII. Esforçar-se pelo levantamento do crédito do Estado, fazendo persistente propaganda das vantagens naturais, para o cultivo do seu solo, aproveitamento de suas águas, para a indústria, facilidade de adaptação para imigrantes e condições de vida fácil e proveitosa.

VIII. Cooperar para a execução de melhoramentos materiais do Estado, pelo desenvolvimento de suas vias de comunicação e obras indispensáveis à comodidade e bem-estar dos habitantes do Estado.

 

IX. Trabalhar pelo levantamento da lavoura, disseminando o ensino agrícola moderno, promovendo, nos municípios e centros populosos a criação de escolas do ensino técnico da agricultura.

X. Cercar do maior respeito os poderes constituídos do Estado, pugnando pela sua harmoniosa autonomia e independência, no sentido de sua mais fácil e eficaz colaboração, em bem da comunhão espírito-santense.

 

Levantaram-se, então, diversos oradores sucessivamente. O primeiro foi o Sr. Domingos Vicente, importante mandatário de Viana. Rememorou sua atuação política, no sentido da tolerância e do respeito aos direitos e opiniões do povo, e declarou "não ter a menor dúvida em oferecer o seu apoio franco, leal e desinteressado, em seu nome e no dos amigos que o acompanhavam".

O Dr. Narciso Araújo — o poeta solitário do Itapemirim — retrospectou, igualmente, seu passado político; afirmou sua solidariedade à nova ordem, e propôs fosse o Dr. Jerônimo aclamado chefe do Partido, no que foi franca e unanimemente apoiado pela augusta Convenção.

Completou-lhe a iniciativa o Dr. Antônio Aguirre com a sugestão de que não fosse a chefia limitada ao período presidencial.

Com a distinção que o caracterizava, o Barão de Monjardim hipotecou, em seu nome e dos seus amigos, apoio e solidariedade, tanto ao manifesto — o programa do Partido — quanto à proposta de Narciso Araújo.

Ergue-se, majestático, o Dr. Torquato Moreira, a fim de falar "amplamente, para que seu silêncio não se prestasse a falsas interpretações!" — Como poderia ficar muda uma voz tão poderosa?! E continuou S. Exa. (Torquato) que "não tinha motivos para opor-se ao congraçamento dos diversos elementos políticos do Estado, embora sua experiência e seu conhecimento dos homens e coisas do seu tempo lhe fizessem confiar pouco nas vantagens de um Partido sem outro que a ele se opusesse".

Segue-se com a palavra o Dr. Aristides Guaraná, para fazer a apologia da Paz e exaltar o congraçamento dos elementos políticos do Estado.

 

Parecia ter havido um ensaio prévio do conclave, tal a perfeição de suas sequências, até que apareceu um orador inesperado, porém, talvez, o mais realista dos convencionais: — O Sr. José Cândido de Vasconcelos. Depois de analisar as finalidades da política e dos partidos, terminou com a maior franqueza:

“Não compreendia política sem abnegação partidária. Alcançava os intuitos de S. Exa. — oxalá esses politicões que quase sempre se apresentam nestas ocasiões, trazendo no bojo grandes interesses pessoais, interesses esses que alimentam eternamente, saibam entendê-lo, do mesmo modo que ele, aceitem e cumpram até o fim o patriótico Governo que tanto se há esforçado, para o progresso moral e material deste futuroso Estado.”

e, assim, levantava um viva, ao Dr. Jerônimo Monteiro.

Falaram, ainda, o Sr. Domingos Ramos, o Dr. José Horácio Costa, Dr. Antônio Ataíde e, finalmente, o Dr. Paulo de Melo, que encerrou a sessão.

Alguém "gozou" — "Foi um interessante coquetel político, multicolor e multicolorido".

(Quem poderia deter o espírito crítico dos vitorienses daquele tempo? Havia apelidos para todos os chamados políticos tradicionais: Vira-Folha, Girassol, Coqueiro, Dezenove, Tonitroante, Zaranza, Pinguinho, Saracura, Transparente, Boca-de-Bagre, etc. E o Dr. Jerônimo era o Conde, prova de incompreensão e de desprezo a uma distinção conferida a um espírito-santense).

Consolidou-se o Partido Republicano Espírito-Santense e possibilitou ao Governo estender sua política de fraternidade aos municípios, a exemplo do que fizera o Presidente Campos Sales, em relação aos Estados. E, como resultado notável da Convenção histórica de 4 de dezembro, organizou-se a chapa completa, para a renovação da bancada espírito-santense, na Câmara Federal, a 16 de janeiro de 1909, composta dos Srs. Barão de Monjardim, Torquato Moreira, Galdino Loreto, Bernardo Horta. E o Dr. Bernardino de Sousa Monteiro, para o Senado.

 

Deviam as eleições realizarem-se a 30 de janeiro.

O Dr. Graciano dos Santos Neves, então Deputado Federal, chegou a 12 de janeiro a Cachoeiro do Itapemirim, para a campanha de sua reeleição. A 16 de janeiro publicava no "Comércio do Espírito Santo": — "Sou candidato a Deputado Federal, no pleito de 30 de janeiro".

No mesmo jornal, dia 25, Monsenhor Pedrinha recomendava essa candidatura.

Realizadas as eleições, a 30 de janeiro, a 27 de abril a Comissão de Poderes da Câmara Federal apresentou o reconhecimento dos eleitos:

 

Barão de Monjardim.......7.776 votos

Torquato Moreira..............6.280 votos

Galdino Loreto...................5.077 votos

Bernardo Horta...............................4.547

 

 

O Dr. Bernardino de Sousa Monteiro foi eleito, para o Senado, com 8.539 votos.

O Dr. Graciano Neves não se conformou, embora tivesse pleiteado a eleição, por fora, porque todos os Partidos haviam-se fundido, no Republicano Espírito-Santense e, em consequência, extinguido a oposição ao Governo do Estado. A Comissão de Poderes da Câmara apurou-lhe 942 votos, apenas. Vimos atrás que o Dr. Jerônimo havia recebido a adesão dos próprios mateenses, pelo seu ilustre chefe político, o Dr. Constante Gomes Sudré.

A vingança foi cruel! Quem leu e guardou o "Estado do Espírito Santo" daquele tempo jamais poderá se esquecer dos artigos nos quais a ironia ao Conde papalino atingia igualmente o Bispo, que jamais tomava conhecimento de Partidos e eleições. Vivia para sua Igreja, em Visitas Pastorais difíceis e exaustivas, em vaporzinho costeiro, canoas ou a cavalo, em estradas primitivas. E, quando estava na Capital, voltava-se para a Santa Casa, os pobres, os órfãos, a educação de juventude! Nunca Dom Fernando deixou de dar ao povo a melhor assistência espiritual. E durante a Quaresma, no púlpito da catedral, suas prédicas preparatórias da Páscoa arrastavam gente de todos os cantos da Vitória, desde magistrados, professores, deputados, etc., até os humildes da Fonte Grande, do Moscoso, da Vila Rubim. O templo ficava lotado! E o movimento religioso era o melhor conforto para sua alma cruciada!

Vejamos um trecho:

“Dois sacerdotes irmãos, um conde e outro príncipe do Vaticano, um governador e outro bispo, superintendem, ferreamente, ad majorem Dei gloriam, as atividades temporais e espirituais do rebanho espírito-santense.

Muito repimpadamente instalados dentro deste novo regímen republicano, que se presume ter separado a Igreja do Estado, os dois governadores complementares, dispondo de numerosa e disciplinada cleresia, não encontram grandes dificuldades em executar seus planos de predomínio perpétuo.

Não é preciso contar aqui a maneira harmoniosa pela qual se entendem esses dois Presidentes conexos, como eles mutuamente se amparam, como repartem fraternamente as suas atribuições, de tal sorte que ninguém percebe, às vezes, se um ato emanado de um deles é governamental ou episcopal.”

Entretanto o Dr. Graciano devia saber que a chapa de deputados havia sido organizada, com a colaboração de seus próprios correligionários políticos, como o venerando Barão de Monjardim. Apresentou-se, portanto, sozinho. E não pensou, de certo, que, ao atacar o Conde, incorria em criticar seus próprios companheiros de tantos anos: "O modo pelo qual o Sr. Conde Jerônimo Monteiro instituiu o Partido, de que é, declarada e oficialmente, chefe, é um primor de hipocrisia, aliás desajudada de inteligência".

E assim continuou. Desceu ao ponto de referir-se, negativamente, à cultura do Dr. Jerônimo, que escrevia com precisão e clareza; encantava e convencia, quando conversava; discursava fluente e corretamente.

Esquecera-se, aliás, o Dr. Graciano de que tinha sido um dos oradores, no banquete oferecido a Dom Fernando, em 1902, quando chegou a Vitória, para assumir a Diocese, como primeiro Bispo Espírito-Santense e segundo, nesse elevado cargo.

                                     * * *

Seria exaustiva a transcrição das colunas do "Estado do Espírito Santo". Entregamo-las a Deus, como Dom Fernando e o Dr. Jerônimo as entregavam. Veremos, porém, que o Dr. Graciano teve a oposição dos seus próprios companheiros da véspera. Na Comissão de Poderes da Câmara Federal, por exemplo, Bernardo Horta discursava:

“A política do Espírito Santo harmonizou-se, pelo único meio possível, — a organização do Partido Republicano Espírito-Santense. A esse Partido aderiram quase todos, senão todos, os chefes políticos do Estado.

O Exmo. Sr. Dr. Jerônimo de Sousa Monteiro, eleito por unanimidade, Presidente do Estado, iniciou e tem praticado uma política de conciliação, etc...”

Em consequência do falecimento do Dr. Galdino Loreto em abril de 1909, foi apresentado o Dr. Paulo Júlio de Melo para preencher a vaga, na Câmara Federal. O Dr. Graciano dos Santos Neves, mais uma vez, apresentou-se à eleição marcada para 17 de outubro do mesmo ano. Não se conformou, porém, com a vitória do candidato do Partido, que reunia todas as correntes políticas do Estado, e foi à contestação, apesar da grande inferioridade dos votos obtidos. Mas o Parecer da Terceira Comissão de Inquérito da Câmara Federal deu como resultado:

Paulo Júlio de Melo.........................6.083 votos

Graciano dos Santos Neves.......1.789 votos

Afastado o Dr. Graciano da política, o "Estado do Espírito Santo" continuou, por outros "inconformados", a ofensiva contra o Bispo e o Presidente. Até o Pastor Loren Reno, em lugar de limitar-se ao seu trabalho evangélico, metia-se na imprensa, para dizer que: — "O Espírito Santo iguala-se à República Dominicana; neste infeliz Estado, governa a sotaina negra; o Governador é apenas, um "pai-paulino", nas mãos do seu irmão, o Bispo da Vitória". Esquecia-se do Sermão da Montanha!...

Vazados em linguagem rude e injusta, os artigos de Medeiros e Albuquerque eram divulgados no Rio de Janeiro. "O Século" atacava a direção do Ginásio Espírito-Santense confiada a uma Congregação religiosa, embora fosse reconhecida a cultura dos padres do Verbo Divino, dedicados à educação da juventude. Formados na Alemanha e na França, tinham cursos especializados em ciências físicas e naturais, matemática e diversos idiomas. E o Ginásio estava sob fiscalização federal. Igualmente, o Sr. Coelho Lisboa entrava no que se dizia "Caso do Espírito Santo" e atacava o Dr. Jerônimo. O "Comércio do Espírito Santo", de 13 de janeiro de 1909, publica o discurso do Senador João Luís Alves, em defesa do Presidente.

Sempre que Dom Fernando chegava das Visitas Pastorais, o Dr. Jerônimo aparecia, à noite, para visitá-lo e saber notícias da saúde. Ajoelhava-se, para beijar o anel do irmão Bispo (Nunca os Monteiros desprezaram esse dever de consideração à dignidade episcopal. Para todos, mesmo Dona Henriqueta, tratava-se do Sr. Bispo!) — Via-se, em ambos, a dor íntima, pelas injúrias da imprensa. Entreolhavam-se, fraternalmente, sem uma palavra de revolta ou de ressentimento! Sofriam com dignidade! E o Capitão Hortêncio Coutinho que, nos dias piores, estava sempre ao lado do Presidente e não o deixava sair sozinho à noite, a tudo assistia, com aquele ar de ingenuidade, mas arguto e sincero. Homem íntegro, a toda prova, quantas vezes tinha lágrimas contidas nos olhos?!...

Mas o Dr. Jerônimo achava, sempre, um jeitinho de disfarçar o próprio sofrimento e distrair o irmão: — lembrava-se de uma "história" divertida. Acabavam animados, riam-se a valer, enquanto o Presidente esfregava as mãos, num gesto que lhe era característico.

Numa Quarta-feira de Cinzas, por exemplo, chegou muito sério ao escritório de Dom Fernando e, depois dos preliminares da visita, começou, demonstrando irredutível firmeza: "Não vou fazer a Páscoa neste ano".

Dom Fernando, silencioso, abriu a Breviário e continuou a leitura. Conhecia já as "zangas" do irmão.

— NÃO... VOU!..."

Perante o prolongado silêncio, Jerônimo continuou: — "Bem, Sr. Bispo, vou fazer a Páscoa; mas para confessar-me, arranje-me um padre que não saiba falar português". E logo esfregando as mãos, gozava o "susto" passado ao piedoso Bispo.

Dom Fernando olhou-o, por cima dos óculos: — "Muito bonito!"

No dia seguinte, o Presidente estava na catedral, conforme veremos noutro capítulo.

E nós jamais nos esqueceremos das palavras do Cel. Henrique Coutinho, na sua "Mensagem" final: — "A esponja do tempo tudo consome, tudo apaga; porém é impotente para extinguir, no coração humano que se preza, o ataque à probidade".

Adiante: — "A pena do homem público não deve ser o poste de Pasquim onde se adapta fácil e irresponsavelmente. Quem atrever-se a macular a honra alheia deve ter a coragem de sujeitar-se às consequências do seu procedimento, assim como quem é vítima das injúrias nunca as deve esquecer, embora as perdoe".

Mas — dirá o leitor — onde estão os jornais oposicionistas daquele tempo? — Não se encontram nas bibliotecas!...

Nós o diremos: — "Foram destruídos pelo Morcego, decantado na poesia de Augusto dos Anjos. Certo jornalista, que movera a mais injusta, cruel e pertinaz campanha contra o Dr. Jerônimo e Dom Fernando, ao sentir-se na despedida da vida, recolheu todos os exemplares que pôde encontrar do "Estado do Espírito Santo", de "A Tarde" e outros, e os destruiu, "para não deixá-los ao conhecimento do futuro". E, certo dia, desabafou-se: — "Combati o Dr. Jerônimo! Hoje reconheço que somente ele poderia consertar isto! (Referia-se ao Espírito Santo. E já na Segunda República).

Augusto dos Anjos foi autêntico. Mas, no caso em apreço, não foi preciso levantar-se uma parede; o fogo acalmou o Morcego.

 

Nota:

 

A presente obra da emérita historiadora Maria Stella de Novaes teve sua primeira edição publicada pelo Arquivo Público do Estado do Espírito Santo -APEES, em 1979, quando então se celebrava o centenário de nascimento de Jerônimo Monteiro, um dos mais reconhecidos homens públicos da história do Espírito Santo.

Esta nova edição, bastante melhorada, também sob os cuidados do APEES, contém a reprodução de uma seleção interessantíssima de fotografias da época — acervo de inestimável valor estético-histórico, encomendado pelo próprio Jerônimo Monteiro e produzido durante o seu governo — que por si só, já justificaria a reimpressão, além do extraordinário conteúdo histórico que relata.

 

 

Fonte: Jerônimo Monteiro - Sua vida e sua obra
Autora: Maria Stella de Novaes

2a edição Vitória, 2017 -  Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (Coleção Canaã Vol. 24)
Compilação: Walter de Aguiar Filho, julho/2019

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