Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

João Calmon

João Calmon - Personalidade do ES

A história dos predestinados há de ser sempre uma competição entre os desafios vencidos e os próximos que estarão sempre por acontecer. Estes homens que fogem á comum rotina da vida não foram feitos de barro, mas esculpidos pelas mãos de aço do destino em resistente madeira de lei ou pelo bronze de ligas indestrutíveis.

Na riqueza destas vidas não existe oportunidade para o lugar comum. Elas reluzem por longo tempo e quando se apagam os seus contemporâneos repetindo Hemingway ao serem indagados por quem os sinos dobram tão forte, respondem: Eles dobram por um imortal que inesperadamente  desapareceu. Entretanto eles ressurgem nos alvores das madrugadas, nas linhas distantes do horizonte porque são eternos.

Como Deuses da Criação, dos quais nos falava James Joyce, eles se levantarão do fundo dos seus mistérios, atrás ou acima de suas obras, invisíveis, clarificados, fora de toda existência.

Assim se pode classificar JOÃO DE MEDEIROS CALMON, menino pobre nascido dia 7 de setembro no distante em 1916, em Baunilha município de Colatina. Filho de Augusto Pedrinha Du Pin Calmon e dona Virgínia de Medeiros Calmon.

Uma longa distância separa hoje o menino JOÃO, do ex-deputado federal mais votado pelo Espírito Santo em 1962, do Presidente do Condomínio dos “Diários Associados”, fundado por Assis Chateaubriand, do senador eleito por voto direto, do senado biônico escolhido pelo Governo por seus méritos, especialmente pela sua incansável luta em favor da Educação, a única meta que no entender dele e de muita gente poderá na realidade tornar este País viável.

JOÃO DE MEDEIROS CALMON começou seus estudos na escola publica de Baunilha, que freqüentou até 1927, ano em que se transferiu para Vitória capital do Estado, onde foi matriculado no Ginásio São Vicente de Paula. Em 1933, terminou o curso ginasial, seguindo, então para o Rio de Janeiro, a fim de cursar a Faculdade Nacional de Direito, mas na realidade atraído pela foca irresistível do seu destino.

No ano de 1937, ele formou-se finalmente em Direito, no mesmo ano em que entrou para os “Diários Associados”, começando a trabalhar como repórter No “Diário da Noite”, do Rio de Janeiro, extinto anos depois como uma das vítimas da colonização estrangeira que vem sofrendo a nossa imprensa, diante da passividade dos próprios brasileiros que não entendem que estão perigosamente entregando ao monopólio internacional o controle de direito dos nossos meios de comunicação, fato que atenta para a própria Segurança Nacional e por ele denunciada tantas vezes.

No inicio do ano de 1938, por designação do próprio Assis Chateaubriand, foi dirigir o “Correio do Ceará”, no nordeste, tendo iniciado sua escalada como um dos líderes dos “Diários Associados” ao comprar e incorporar á Rede Associada o matutino “Unitário”, de Fortaleza. Desde então tornou-se  andarilho, percorrendo o nordeste e extremo norte do País, fundando e adquirindo para os “Diários Associados” novas empresas, jornais e estações de radiodifusão. Graças a este esforço a Rede Associada estendeu-se ao Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Rio Grande Do Norte, Paraíba e Pernambuco.

A década de 1940 marcou profundamente e o capixaba JOÃO DE MEDEIROS CALMON, vendo-se eleito em 1943 presidente do Aeroclube do Ceará e diante do altar, no dia 25 de novembro de 1944, para receber sua futura esposa, Sra. Maria Terezinha Santiago Calmon, de tradicional família cearense, filha do Sr. Felipe Santiago Lima (já falecido) e de Dona Adélia Chaves Santiago. Em 1946 era diretor de 13 empresas “associadas” em seus Estados do Norte e Nordeste.

Sua passagem pela região nordestina deixou profundos laços e realizações, através de campanhas de benemerência, tendo trabalhado pela construção de Maternidade que inaugurada a 14 de dezembro de 1963, tem o nome oficial de “Maternidade Escola Assis Chateaubriand”, uma das mais bem montadas do País.

De tal sorte JOÃO CALMON destacou-se no nordeste como empresário e líder da imprensa, em 1955 quando dirigia em Recife, as empresas do grupo associado do Norte e Nordeste, foi chamado ao Rio de Janeiro por Assis Chateaubriand que lhe entregou a direção a Rádio Tupi, Rádio tamoio e a Televisão Tupi. Um salto que haveria de fazer tocar o sino de sua predestinação embora ainda sob a indiferença dos demais.

Quatro meses depois de sua chegada ao Rio de Janeiro, assumiu a Direção Geral dos “Diários Associados”, atingindo a organização. Subordinado apenas a Assis Chateaubriand, continuou com o apoio dele, a expandir a rede de jornais e emissoras, fundando e adquirindo novos veículos de divulgação. Dedicou-se em especial a ampliar o número de televisão, instalando emissoras de TV em várias  cidades do País: Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém e Vitória. Em 1962 já havia incorporado aos “Diários Associados” 38 novas empresas entre jornais, estações de rádio e televisão, inclusive a Rádio Vitória, no Espírito Santo, sua terra natal.

Foi o primeiro Vice-Presidente da organização presidida pelo seu fundador Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, exercendo esta função na direção da Comissão Plenária do Condomínio Acionário das Emissoras e Diários Associados, órgão supremo que controla todas as empresas do grupo. Foi eleito para a Vice-Presidência por unanimidade de votos de seus 21 companheiros de Condomínio.

Em 1962, atendendo aos apelos dos partidos políticos do Espírito Santo, candidatou-se a uma cadeira na Câmara dos Deputados, tendo sido eleito na legenda do Partido Social Democrático com a maior votação jamais recebida por um candidato a deputado federal no Espírito Santo, em toda a sua história política. Foi reeleito deputado federal em 166 ainda liderando a votação da legenda e também reeleito Presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), entidade que congrega todas as empresas de radiodifusão e de TV no Brasil. Comandou em 1962, a batalha que resultou na derrubada dos vetos opostos pelo Governo Federal ao projeto do Código Brasileiro de Telecomunicações. Esta Vitória de JOÃO CALMON garantiu a sobrevivência da liberdade de informação no País, através das emissoras de radiodifusão e de TV. Foi ainda JOÃO CALMON presidente de Secção Estadual da Arena no Espírito Santo; Presidente do Sindicato das Empresas de Radiodifusão do Estado da Guanabara; Membro do Conselho Administrativo da Associação Brasileira de Imprensa.

Em outubro de 1963, pressentindo a guinada para a esquerda dos agitadores que assessoravam o presidente João Goulart, lançou a idéia, logo concretizada o presidente da “Rede da Democracia”, poderosa cadeia de mais de cem emissoras de todos os Estados Brasileiros, transmitindo diariamente programas políticos em defesa do regime. Em novembro de 1964, visitou a Alemanha Ocidental, a convite do governo alemão. Antes em 24 de fevereiro de 1964, teve seu nome homologado por unanimidade na Convenção Nacional do Partido Social Progressista como candidato á Vice-Presidência da República nas eleições que ocorreriam em 1965, como companheiro de chapa do falecido Adhemar de Barros. Em 1965, ainda, foi biografado por David Nasser num livro intitulado “JOÃO SEM MEDO”. Em janeiro de 1966, iniciava JOÃO CALMON a grande campanha nacional contra a infiltração de capitais estrangeiros na imprensa, no rádio e na televisão do Brasil, luta que vem mantendo até hoje sob impiedoso esmagamento dos dólares  que invadiram os nossos meios de comunicação, buscando o criminoso assassinato covarde da imprensa livre do País, sob a omissão das grandes lideranças nacionais que, no futuro, serão vítimas ou se transformarão em simples marionetes ao sabor da vontade dos patrões estrangeiros.

Em 1966, no mês de abril, foi JOÃO DE MEDEIROS CALMON indicado pelo Marechal Costa e Silva  numa lista de quatro nomes da Arena entre os quais deveria ser escolhido o candidato á Vice-Presidência da República. Publicou no referido ano dois livros importantes: “Duas Invasões” e “O livro Negro da Invasão Branca”, ambos narrando a história de suas lutas, primeiro contra a invasão vermelha dos tempos de João Goulart e Leonel Brizola, e depois contra a infiltração de capitais estrangeiros na área (proibida pela Constituição) do rádio, da televisão e da imprensa.

Seria fastidioso, talvez citar todos os títulos, honrarias e missões recebidas e vividas por JOÃO CALMON. A vida de um predestinado não o seria sem esta avalancha de fatos e acontecimentos que enriquecem sua passagem pela terra. Em 16 de abril de 1968, eleito Presidente do Condomínio Acionário dos Diários e Emissoras Associadas pela unanimidade de seus membros, substituía honrosamente ao primeiro Presidente e fundador do Grupo Associado. Assis Chateaubriand, falecido em 4 de abril do referido ano deixando um claro irreparável no idealismo tupiniquim e um exemplo admirável de coragem e amor á sua Pátria, em cuja defesa se empenhou até a morte.

Desde então, JOÃO DE MEDEIROS CALMON, senador e Presidente do Grupo criado por Chateaubriand transformou-se novamente num andarilho, representando o Congresso e suas empresas em vários pontos do Mundo, defendendo reses e idéias, como a fundação da campanha da Década da Educação, em 22 de maio de 1969, ao receber do Lions Internacional, em Recife o troféu HUMANITARIAN AWARD outorgado ao Embaixador Assis Chateaubriand, realizando aquilo que o senador falecido faria de coração se ainda pudesse caminhar pelo mundo dos vivos. Foi uma homenagem á memória de Chateaubriand, mas foi também o grito de guerra de JOÃO CALMON em favor de maior ensino, num País carente de Educação para emergir de fato no seio das Grandes Nações.

Em 1° de fevereiro de 1971, tomou posse no senado federal para o período de 1971-1979 eleito por 157.887 votos. No dia 4 de abril do mesmo ano, foi reeleito Presidente do Condomínio Acionário do Grupo Associado para o triênio 4 de abril de 1971  a 4 de abril de 1974. Em 27 de novembro de 1974, lançou em Brasília, para todo o Brasil, o seu livro A EDUCAÇÃO E O MILAGRE BRASILEIRO, publicado pela Editora José Olympio, tendo a segunda edição sido publicada pela Empresa Gráfica O CRUZEIRO S/A. Este livro se entregou pessoalmente em audiência privada ao então Presidente da República General Ernesto Geisel.

Em 18 de julho de 1977, em reunião da Comissão Executiva do Condomínio Acionário das Emissoras e Diários Associados, foi indicado por unanimidade para o cargo de Presidente das empresas jornalísticas “associadas” em São Paulo (S/A Diário de São Paulo e S/A Diário da Noite), vago em decorrência da renúncia do Sr. Edmundo Monteiro. Em seguida foi eleito também por unanimidade Presidente das empresas jornalísticas “associadas” S/A Diário de São Paulo e S/A Diário da Noite, sediadas em São Paulo.

Em 15 de dezembro de 1977, JOÃO CALMON, em solenidade realizada na Escola Naval, na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, que contou com a presença do Presidente Ernesto de Guerra, recebeu o Diploma Honoris Causa da Escola Superior de Guerra por sua “participação ativa, enriquecida por valiosas contribuições e pelo constante interesse pelos estudos desenvolvidos na Escola Superior de Guerra”.

Mantendo-se na atividade política, viu-se eleito Senador indireto pelo Colégio Eleitoral do Espírito Santo, em 1° de setembro de 1978.

JOÃO MEDEIROS CALMON POSSUI as seguintes medalhas: Olavo Bilac, Ordem do Mérito Militar, no grau de Comendador, Mérito Educacional do Amazonas, Sílvio Romero, Mérito da Radiodifusão, Mérito Naval, no grau de Grande Oficial, Ordem de Rio Branco, Mérito Universitário, Mérito da Cidade de Recife, Ordem do Mérito Educativo no grau de comendador, Cruz de Mauá, Estrela do Acre no grau de Grande Oficial.

É cidadão honorário de Fortaleza (a primeira personalidade a receber o título), Cidadão do Ceará, Cidadão de Belo Horizonte, Cidadão de Salvador, Cidadão de Petrópolis, Cidadão de Vila Velha, Cidadão de Aimorés, Cidadão de Goiás, Cidadão de Campos, Cidadão de Natal, Cidadão de Campina Grande, Cidadão de Juiz de fora, Cidadão de Recife, Cidadão de Vitória, Cidadão de Alagoas, Cidadão de Teresina. Cidadão de Aracruz, Cidadão de João Pessoa, Cidadão de Pernambuco, Cidadão de Anápolis, Cidadão de Cariacica, Cidadão de Souza, Cidadão de Belém, Cidadão de Palmeira dos Índios, Cidadão de Minas Gerais e Cidadão da Paraíba.

Foi convidado e deverá receber ainda os seguintes títulos de cidadania: cidadão do Rio Grande do Norte, Cidadão de Pesqueira (Pernambuco) e cidadão de Guarapari (ES).

Diante da imensa luz que constitui a vida de JÕAO DE MEDEIROS CALMON, inegavelmente um membro nato da família dos predestinados só nos restaria dizer ou repetir, o que imortalizou Robert L. Stevenson: “O homem que venceu na vida é aquele que viveu vem, riu muitas vezes e amou muito: que conquistou respeito de homens inteligentes e o amor das crianças; que preencheu um lugar cumpriu uma missão: que deixa o mundo melhor do que o encontrou, seja com uma flor, um poema perfeito ou salvamento de uma alma. que procurou o melhor nos outros e deu o melhor de si mesmo”.

 

Fonte: Personalidades do Espírito Santo, 1980
Autora: Maria Nilce
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2013

Personalidades Capixabas

Clementino De Barcellos

Clementino De Barcellos

Em 14 de novembro de 1914 – aos 23 anos de idade - assumiu por nomeação do Governo Federal o cargo de sinalizador do posto semafórico localizado no Morro do Moreno, em substituição ao seu falecido pai, que naquela época exercia a mesma função

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

O Tribunal de Contas – Por Eurico Rezende

Cogitada desde o início do Império, a criação de um órgão de controle orçamentário e financeiro só se verificou em 1890, mercê do gênio de Ruy Barbosa

Ver Artigo
Liberalismo e Solidarismo – Por Eurico Rezende

Estão registrados, quer em passado remoto, quer em época recente, antes de encerrar minha carreira eleitoral

Ver Artigo
Sobre armas e milk shake – Por Antônio Carlos Neves

As doze horas e quarenta minutos do dia primeiro de abril de 1964, neste momento a Fafi foi invadida

Ver Artigo
O brilho da metade do céu – Movimento Feminista

As feministas iniciaram sua organização no estado, mais precisamente em Vitória, nos anos 80

Ver Artigo
Prestando Contas – Por Eurico Rezende

Hoje, neste mês vestibular de 1988 coloco-me na longa esteira de recordações do trabalho inovador que desenvolvi no preparo da Constituição em vigor

Ver Artigo