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JOGOS DE SALÃO

Os jogos ou brinquedos de salão construíam as atrações principais para as reuniões com os amigos. Era um modo agradável de distrair as visitas, muito usado também nas reuniões de aniversários e casamentos. Nestes, como ainda não era costume as viagens de lua de mel, os noivos ficavam sentados no sofá e também participavam dos brinquedos.

Alguns desses jogos chamavam-se “prendas” porque as pessoas que neles tomavam parte, quando perdiam, ficavam na obrigação de pagar uma prenda que deveria ser qualquer objeto de uso pessoal: anéis, pulseiras, brincos, cintos, carteiras, etc. Estas prendas eram colocadas dentro de um chapéu que ficava com o “mestre de cerimônias”. Para reaver o perdedor teria que cumprir a sentença que lhe era imposta pelos demais participantes. Eram diversos os tipos de sentenças: cantar, dançar, declamar, “lampião de esquina”, “espelho”, etc.

“Lampião de esquina” – o sentenciado ficava imóvel no meio do salão. Cada um dos jogadores aproximava-se e colocava o “lampião” na posição desejada: mais alto, mais baixo, num pé, curvado, etc.

“Espelho” – também em pé no meio do salão ficava o “espelho”. Cada pessoa ao olhar-se no “espelho” fazia macaquices, no que era imitada pelo “espelho” que não podia nem sorrir.

“São Bento” – o condenado ficava em pé no canto da sala e cada um vinha ajoelhar-se aos seus pés pedindo estas palavras:

“Meu senhor São Bento,

aos vossos pés me ajoelho,

sem rir, sem chorar,                bis

sem chorar, sem rir.”

Enquanto o “São Bento” fazia gaiatices para provocar o riso da pessoa ajoelhada. Se esta risse ficaria no lugar do “São Bento”.

Ninguém excusava-se de pegar sua prenda Mem deixava de cumprir sua sentença.

Muito interessante era a brincadeira do “Sonâmbulo”. Dentre os participantes, um que desejasse ser o “sonâmbulo”, retirava-se para outra dependência da casa, de onde não ouvisse o que se falava na sala. Combinava-se, entre os presentes, a tarefa que o “sonâmbulo” deveria executar, como: apagar a luz, escolher um par e dançar, colher uma flor e ofertá-la a uma determinada pessoa, etc.

Ao chegar na sala todos os seus movimentos eram controlados pelo ruído de uma faca batendo numa garrafa. À proporção que o “sonâmbulo” se aproximava ou se afastava do que devia fazer, o “mestre de cerimônia” batia na garrafa com maior ou menor intensidade. E assim, sempre orientado pelas pancadinhas, o “sonâmbulo” executava as mais difíceis e extravagantes tarefas. Quando acertava era saudado com palmas e quando não conseguia pagava uma prenda.

 

Fonte: Vila Velha de Outrora - Vitória,1990
Autora: Maria da Glória de Freitas Duarte
Foto: Copiada e modificada da Agenda XXI de Vila Velha,julho/2004

 

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