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José Alberto Fontana

José Alberto Fontana

O futebol é o esporte das multidões, enchendo os estádios, eletrizando torcidas, fascinando adeptos que carregam para os campos bandeiras multicoloridas, símbolo de seu próprio sonho de glória, realizando-se no triunfo de sua equipe ou frustrando-se em suas derrotas. Num País onde o futebol se tornou o esporte mais popular, reúne em si mesmo uma poderosa gama de forças incontroláveis, transformando os craques da pelota em verdadeiros heróis intocáveis, que ora são endeusados, ora esquecidos.

Praticar futebol tornou JOSÉ ALBERTO FONTANA conhecido em todo o Estado tendo se consagrado campeão pelo Vitória F. C. (da Cidade e do Estado) e foi o futebol, ainda, que consagrou a família FONTANA dando ao Estado um dos integrantes da Seleção que conquistou a Copa do Mundo no México em 1970: ANCHIETA FONTANA, irmão de JOSÉ ALBERTO (falecido recentemente).

Mais conhecido por ZIG, ele nasceu em Santa Teresa, no dia 4 de agosto de 1933.

Seus pais, Frederico Fontana e Stael Encarnação Fontana, adotaram para os filhos um sistema de vida em que cada um adquirisse por si próprio personalidade, corrigindo-os quando necessário e trabalhando no sentido de que formassem uma família unida, amiga e fraterna, objetivo que, afinal, conseguiram.

JOSÉ ALBERTO FONTANA estudou no Colégio Salesiano, no Colégio Estadual e no Americano, onde cursou os princípios básicos do ensino, com os mesmos ideais de sua geração.

Tem os seguintes cursos:

Procedimento básico de atuação gerencial — Lamg-Baimberg; Gerência por objetivos — Lamg-Baimberg; Comunicações Administrativas (Fundação Getulio Vargas); Gerência Bancária (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro); Programa de Comunicação e Liderança Empresarial, administrado pela Caixa Econômica Federal.

Ele confessa que pessoalmente tinham poucos amigos, referindo-se a ele e sua família, mas que a "Amizade Verdadeira", cultivavam interiormente dentro de cada um, no seio dos 14 irmãos sendo 9 homens e cinco mulheres.

Falando de sua infância, JOSÉ ALBERTO FONTANA costuma referir-se à tal época com nostálgica melancolia pois, para ele, os costumes de hoje não são os mesmos do seu tempo, mais sadios e mais puros, voltados para a vivência da idade e não para as situações precoces que costuma ver atualmente. As brincadeiras simples de antigamente estão quase totalmente desaparecidas.

Um dos fatos que muito marcaram sua vida, foi a transferência de sua família de Santa Teresa para Vitória, onde ZIG sentiu-se como um "peixe fora d'agua", longe do ambiente natural e simples do interior, onde o espírito romântico da natureza prevalecia, a influência dos hábitos artificiais. Embora o fascínio da cidade grande pudesse excitar a curiosidade do menino FONTANA, ele não conseguia encontrar em parte alguma a alegria espontânea e humilde de sua terra natal.

Ele vinha de uma educação em que costumava valorizar bastante as coisas conquistadas, cultivando um grande respeito pelos mais velhos, pelos compromissos assumidos, à palavra empenhada, especialmente nos negócios, tendo por bandeira de civismo a família e a Pátria.

Com a vinda para a Capital, terminaram o encanto dos banhos de rio, o cenário bucólico do Vale do Canaã, onde costumava pegar canário ao pé da serra, as raízes deixadas no estádio do Teresense F. C. onde aprendeu a ser um craque de futebol, o suco de uva, o pão de casa, o muchá, feitos em casa por sua mãe e irmãs, a festa da Penha, relicário ainda hoje de suas recordações, o repicar dos sinos da Matriz cujo som perderam-se nas brumas do tempo e, que ele ouvia encantado todas as manhãs de domingos antes da missa.

Entre suas tristes lembranças, guarda como todo ser humano sentimental, a batida fúnebre e dolorosa do sino em seu lamento anunciando que alguém havia desaparecido.

O amor, como o desejo, são dois raios de luz necessários à perpetuação da espécie na enigmática viagem pela vida.

Para ZIG FONTANA, o amor é simplesmente o amor, não pode ser definido por ser indescritível.

O casamento para ele exige um bom relacionamento que deve funcionar com respeito Mútuo. A criação dos filhos é muito mais difícil do que antigamente, pois vivemos uma época em que todos querem se doutorar. Os que não conseguem ficam frustrados. Na sua opinião a qualidade do ensino de hoje caiu bastante e as pessoas que se formam geralmente possuem qualificação e capacidade discutível.

Como cidadão brasileiro, imbuído de todo civismo que aprendeu na sua mocidade, anseia por uma Pátria feliz, forte, organizada, cristã, onde imperem a igualdade e a justiça social, onde seus filhos participem, tenham o mesmo civismo que tem, que amem como ele amou, que sejam pontuais, disciplinados e otimistas. E diz isto com muita razão, porque na sua família ninguém enfrentou nada sozinho. Havia um otimismo comum, orientação, fé, vontade de trabalhar e de vencer.

Como quase todos os biografados deste livro, JOSÉ ALBERTO FONTANA é bastante pessimista com relação à amizade. Ele acha que a amizade se tornou algo muito raro, razão por que possui muitos poucos amigos, pois sendo a amizade uma coisa muito séria na sua concepção, não aceita "desculpas" e só floresce em meio a muita sinceridade.

Ele acha muito importante para si mesmo a pessoa humana, por todos os motivos que fizeram a Humanidade construir de modo racional e inteligente a Civilização.

O seu maior objetivo pessoal, confessa-o: Galgar postos máximos na empresa à qual se acha vinculado, no caso a Caixa Econômica Federal, exercer cargos em sua Diretoria, porque a isso se propôs, trabalhando com afinco e honestidade.

ZIG FONTANA já foi grande criador de equinos e pretende no futuro voltar a esta atividade.

Acreditar em si mesmo é uma disciplina à qual se impôs e que transmite a seus filhos: José Eustáquio, Gyseli, Tardin, Gustavo e Rodrigo.

A sua filosofia para vencer na vida se resume em acreditar em si próprio, ter persistência em seus objetivos, servir e ter muita fé. Para JOSÉ ALBERTO FONTANA ter dinheiro facilita as coisas, porém atualmente misturam, confundem pessoas ricas com pessoas cultas. A cultura é uma riqueza que nem sempre beneficia o favorecido, ao passo que o dinheiro torna tudo mais fácil até para quem não tem cultura alguma. Daí a cultura está abandonada, os valores não são reconhecidos, os verdadeiros "homens de bem" são pouco aproveitados. E com certa ironia ele comenta: Por esta razão há que se aceitar como oportuna e certa a frase de Rui Barbosa: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".

Para vencer na vida ZIG FONTANA trabalhava de dia e estudava à noite. Durante três anos trabalhou na Texaco (José Ribeiro Coelho — Navegação). Ingressou na Caixa Econômica como praticante de escritório, passando a escriturário, depois a caixa. Foi Gerente de Agência, Inspetor, Chefe de Loterias Federal e Esportiva, Assistente da Gerência-Geral, Gerente de Habitação e Hipoteca e Gerente-Geral. É profissional em caixa bancária.

Para chegar onde se encontra, teve que sacrificar durante muitos anos seus fins-de-semana, indo para o interior, trabalhando com terra, gado e cavalos.

Uma das manias era conhecer a vida de grandes personalidades, assimilando seus atos, decisões, conceitos, atividades e virtudes. Isto porque, no seu entender, atitudes e fatos na vida se repetem, o que é uma realidade comprovada pela História Universal. Para fazer suas pesquisas frequentava assiduamente bibliotecas ou lia livros emprestados. As personalidades históricas que mais o impressionaram foram: Jesus Cristo, Napoleão, Lincoln, De Gaule, Mao-Tsé-Tung, José Bonifácio, Hitler, Patton, Montgomery, Juscelino, Duque de Caxias, Castro Alves, Ghandi e Barão de Mauá.

Seu grande desejo: Conhecer o Brasil até não poder mais, só depois o Exterior.

Sendo realista e um otimista, JOSÉ ALBERTO FONTANA daria aos jovens da atual geração o seguinte conselho: "Acreditem em si próprios, na família e no futuro da nossa Pátria, num progresso mais medido, numa vida mais real, mais simples e mais humana, além de mais objetiva".

Eis como se apresenta a personalidade de ZIG FONTANA, um homem cujo ideal é como um sol a iluminar sempre os dias felizes de sua vida.

 

Fonte: Personalidades do Espírito Santo. Vitória – ES. 1980
Produção: Maria Nilce
Texto: Djalma Juarez Magalhães
Fotos: Antonio Moreira
Capa: Propaganda Objetiva
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2020

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