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Jucutuquara - Por Adelpho Monjardim

Estádio Governador Bley - Abertura dos Jogos Estudantis, anos 50

Saint-Hilaire, Voyages sur Le littoral du Brésil,  dá fiel e pitoresca descrição de Jucutuquara da segunda década do século XX.

Sente-se palpitante ainda a poesia nostálgica da formosa aléia de mangueiras que do Cruzamento ia ter à Casa Grande, residência senhorial do capitão-mor Francisco Pinto Homem de Azevedo.

No morro fronteiro a senzala enfileirava-se, desbordando os seus socalcos. As plantações de fumo, milho, mandioca, algodão e cana, bem cuidadas, cobriam as encostas onde os negros enxameavam, como abelhas, num vai e vem contínuo, na faina laboriosa  e progressista. As lavouras eram bem administradas e os métodos os melhores, segundo o grande naturalista, a exemplo dos jesuítas, hábeis agricultores.

Não desmentindo as tradições de progressista, Jucutuquara evolveu com o surto renovador que rejuvenesce as terras e os povos que se não deixam estagnar. Renovou-se no que não lhe era peculiar e fundamental. Vestiu-se de roupagens novas. Desapareceram as senzalas; os engenhos; as lavouras e as mangueiras ornamentais ao sopro renovador do progresso. Belos rebanhos surgiram nos prados e as antigas roças se transformaram em pastagens, mas se na Casa Grande as gerações se sucediam, ela, entretanto, estacionara. É ainda a que viram Saint-Hilaire, Feijó e Vergueiro. É o solar que o Serviço do Patrimônio Histórico Nacional considerou monumento histórico.

Jucutuquara moderna é uma pequena cidade; o mais populoso e importante bairro da capital, sob o ponto de vista econômico. O casario, denso, ocupa toda a planície que se estende entre as montanhas e galgando-as forma com os seus telhados vermelhos contraste com os altos cimos verdejantes, por vezes sombreados pelo sépia vigoroso das rochas. Ao norte, austero e bizarro, avulta o Frei Leopardi, com as pupilas vazias voltadas para a amplidão.

Jucutuquara é uma colméia de trabalho. Nas suas ruas se agita, febril, a multidão aplicada a misteres diversos, consciente dos seus deveres e de sua contribuição honesta, patriótica à coletividade, à comunhão, que é o Estado. A importante fábrica de tecidos – Jucutuquara Industria Ltda -, é atestado de sua pujança econômica, assim como a Escola Técnica de Vitória, sentinela avançada dos seus domínios, é eloqüente realidade do amor que dedica ao trabalho e ao saber. É ainda aí que se pode admirar o Estádio Governador Bley, dos melhores e mais modernos do país.

Jucutuquara justifica o aforismo: Mens sana in corpore sano.

 

Fonte: Vitória Física, 1995
Autor: Adelpho Monjardim - Prêmio Cidade de Vitória, 1949
1ª Edição: Revista Canaan Editora, 1950
2ª Edição: Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Vitória, 1995
Prefeito Municipal de Vitória: Paulo Hartung
Secretário Municipal de Cultura e Turismo: Jorge Alencar
Diretor do Departamento de Cultura: Luiz Cláudio Gobbi
Editor Executivo: Adilson Vilaça
Produtora Executiva: Silvia Helena Selvática
Projeto Gráfico: Ivan Alves
Editoração Eletrônica: Edson Maltez Heringer
Foto e Capa: Léo Bicalho
Revisão: Reinaldo Santos Neves
Chefe da Biblioteca Municipal Aldelpho Poli Monjardim: Ligia Maria Melo Nagato
Bibliotecárias: Elizete Terezinha Caser Rocha e Cybelle Maria Moreira Pinheiro
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro de 2014

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