Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Mercados e Feiras

APRESENTAÇÃO DO LIVRO ESCRITOS DE VITÓRIA - MERCADOS E FEIRAS

Entreposto de vida nas cidades. Os mercados e feiras fazem a ligação, do campo para a cidade, do pão nosso de cada dia. É onde a cidade vai buscar o seu alimento.

É bem verdade que a freqüência nesses mercados de fontes de vida já não é a mesma dos dias passados. Mas, apesar de quilões e supermercados, as feiras e os mercados têm seu espaço garantido em Vitória. Pois, além da função vital de garantir o alimento, eles nutrem o imaginário cultural da cidade. É onde a cidade se encontra. É onde todos se igualam pela necessidade do alimento. Muito da história de Vitória cunhou-se entre os cheiros, os gritos, as bancas e os estreitos caminhos de feiras e mercados.

Os mercados de Vitória são o da Vila Rubim, construído em 1928; o de São Sebastião, em Jucutuquara, fundado em 1950; o da Capixaba, erguido em 1926; e o Hortomercado, na Praia do Suá. Atualmente, as feiras são 14.

O mercado de São Sebastião, em Jucutuquara, recentemente reformado pela Prefeitura de Vitória, é o único sob a administração do município. Construído em 1949 e inaugurado no ano seguinte, esse mercado é ponto tradicional da cidade. Para mim ele é especial. Ele foi fonte de alimento e de muitas emoções durante minha infância. Quando criança, eu e meu pai, Paulo, fazíamos compras lá. O mercado de São Sebastião deu boas-vindas marcantes ao garoto recém chegado do interior.

Dos mercados de Vitória, um já não vende peixes, frutas, verduras, secos e molhados. O Mercado da Capixaba foi desativado há quase 30 anos, processo iniciado com a construção de novos galpões do mercado da Vila Rubim, no final dos anos 60. Antes de o prédio do mercado da Capixaba ter sido tombado em 1983, os peixes, as frutas e verduras já haviam dividido o espaço com a Rádio Espírito Santo, a Feares (atual Deares) e a Junta do Serviço Militar.

Atualmente, o prédio está sendo recuperado pela Prefeitura de Vitória para sediar a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e uma galeria de arte. Com as obras de restauração do mercado, iniciadas em maio de 1995, serão restabelecidas as característica ecléticas do prédio que tinha o mar a lhe banhar as costas. As ondas foram afastadas eternamente pelo aterro e pelo asfalto, mas o prédio que ocupa uma quadra entre as avenidas Jerônimo Monteiro e Princesa Izabel e as ruas Araribóia e Desembargador D`Reilly voltará a emanar vida com a restauração.

O Mercado da Vila Rubim, que ainda continua vendendo alimentos para a vida, é o que mais marcou e ainda marca a cidade, seja pelo seu vigor, seja pela sua tragédia, seja pela realidade que transita nas suas ruas e vielas.

A história do mercado da Vila Rubim, pode ser dividida em três etapas: o início, na década de 20; o meio, com a construção dos novos galpões, no final dos anos 60; e a transição, com o incêndio, em 1994. Digo transição, pois a tragédia que tanto marcou a cidade não significou o fim, sim, a necessidade de se buscar novos caminhos.

O Mercado da Vila Rubim foi aberto em 1928. Ele se localizava originalmente, entre as avenidas Marcos de Azevedo e Pedro Nolasco, onde hoje encontra-se uma praça de bancas de frutas e verduras. O prédio original do mercado tinha administração e aproximadamente 20 mercadorias na parte alta, que dava frente para a Marcos de Azevedo. Na parte baixa, do lado da Pedro Nolasco, instalaram-se açougues e bancas de hortigranjeiros.

Como a expansão do comercio na região foi intensa, criou-se, no final da avenida Pedro Nolasco, um aglomerado de aproximadamente 40 biroscas para a venda de peixei, frutas, verduras e legumes. Pela desorganização e violência do local, apelidou-se aquela área de comércio de Coréia. Corriam os anos 50.

Já na década de 60, quando o espaço da avenida Alexandre Buaiz ainda era mar, começaram os aterros, visando ao atendimento da demanda de espaço por parte de comerciantes da grande Vitória e Região Serrana. No final dos anos 60, foram construídos os três galpões do mercado.

O poder dos explosivos marcou uma nova fase do mercado da Vila Rubim, com as explosões e o incêndio em 1º de julho de 1994. A força comercial e cultural do mercado – que, para muitos foi simbolizada pela resistência da imagem de Iemanjá que parecia flutuar no mar de chamas do incêndio – sobreviveu e nos levará e uma nova fase do comércio na Vila Rubim.

Prefeitura, associação de comerciantes, governo do Estado, entre outros, estão empenhados em reestruturar o mercado, tornando-o compatível com as necessidades de nossa população e com a tradição cultural da cidade. Ao reerguermos o mercado, não podemos esquecer os erros do passado e, muito menos, as nossas tradições. A prefeitura já assinou convênio com o governo do Estado visando ao repasse de verbas para a reconstrução e está disposta a assumir e administração do novo mercado.

As feiras em Vitória também colecionam uma rica história. A feira de Gurigica, a primeira da cidade, nasceu pelas mãos dos comunistas do Partidão, no início dos anos 40. Conta-nos seu Clementino Dalmácio Santiago, um dos criadores da feira e morador antigo do bairro, que a feira de Gurigica foi montada como alternativa à carestia e à distância que exigia dois bondes para as compras no Mercado da Vila Rubim.

Dona Judite, já falecida, então esposa de seu Clementino, e seu movimento de mulheres, a equipe da Folha Capixaba e demais membros do Partidão mobilizaram a instalação da feira. De início, eram 12 bancas feitas com madeira dos caixotes de mercadorias das lojas de Vitória. Apesar de ser rotulada como obra de comunista, conta seu Clementino, a feira teve apoio do então prefeito Américo Poli Monjardim. Seu Clementino, orgulhoso, sempre comenta: “A feira de Gurigica é a mãe das feiras”.

Assim como o Mercado de São Sebastião, a feira de Gurigica também marcou a minha vida. Quando mudei-me para Vitória, nos anos 60, fui morar na rua Bruno Becacici, em Nazareth. Íamos às compras na feira de Gurigica.

Atualmente, a cidade conta com 14 feiras que atendem a todas as regiões de Vitória, da Grande São Pedro à Praia do Canto. De terça a domingo, 1.122 feirantes montam suas bancas, das cinco da manhã ao meio dia.

As emoções, as visões, os cheiros e o cotidiano desse particular mundo das feiras e mercados estão expostos nas páginas a seguir. É um livro que, como as feiras e os mercados, tem muita vida a oferecer. Viva as feiras e os mercados.

Fonte: Escritos de Vitória – Uma publicação da Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Vitória, ES – 1995.
AUTOR: Paulo Hartung - Prefeito Municipal de Vitória - 1995.

LINKS RELACIONADOS:

>> O incêndio no mercado da Vila Rubim
>> Mercado de Jucutuquara  
>> Mercados de Vitória
>>
 
Mercado da Vila Rubim



GALERIA:

📷
📷


Matérias Especiais

O Primeiro Clube Republicano do ES - Por Newton Braga

O Primeiro Clube Republicano do ES - Por Newton Braga

Em setembro de 1888 reunia-se em Cachoeiro o Primeiro Congresso Republicano do Espírito Santo, vindo representantes de toda a Província

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Jerônimo Monteiro - Capítulo XVI

Fazia-se o desembarque de passageiros, em escaleres e lanchas pequenas que atracavam às escadas dos navios

Ver Artigo
Jerônimo Monteiro - Capítulo II

Na foto ilustrativa, o casal Francisco de Sousa Monteiro e Henriqueta Rios de Sousa, pais de Jerônimo Monteiro (fim do séc. XIX). APEES — Coleção Maria Stella de Novaes

Ver Artigo
Saudações - Fernando Antonio de Oliveira

Carta endereçada ao escritor Walter de Aguiar Filho, autor do livro "Krikati, Tio Clê e o Morro do Moreno", pelas lembranças que nos traz sobre Vila Velha de outrora e pelo alerta sobre a identidade e cultura do canela-verde. Confira!

Ver Artigo
Estudos sobre a descoberta da Província - Parte VIII (FINAL)

Cristóvão Jaques foi o único que fez reconhecimentos e assentou padrões, conforme estão de acordo todos os cronistas e historiadores, estando por isso provado ser ele o primeiro que reconheceu a costa da província do ES

Ver Artigo
Estudos sobre a descoberta da Província - Parte VII

Com a chegada e desembarque, na província do Espírito Santo, do donatário Vasco Fernandes Coutinho, a 23 de maio de 1535, temos finalizado a notícia dos navegantes que tocaram ou não nas costas desta província

Ver Artigo