Morro do Moreno: Desde 1535
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Mr. Jacarandá, o senhor das matas

Com seu exército de motosserristas ele devastou todas as florestas que encontrou pela frente. Foi o carrasco das florestas tropicais, embora tenha cortado árvores até em países de clima gelado, na antiga Cortina de ferro. Só de Mata Atlântica derrubou 60 milhões de árvore – durante 75 anos não fez outra coisa na vida.

Estamos falando de Rainor Grecco, um descendente de italiano que nasceu no distrito de Matilde, em Alfredo Chaves, em 1926. Afirmo certa vez que “o madeireiro é tão perigoso quanto um assassino vulgar: ele mata e mata muito”. Como um bárbaro redivivo, Rainor deixou um rastro de destruição por onde passou, tornou-se um mito entre os madeireiros do país por ter sido o pioneiro de quase todos os ciclos de extração de madeira iniciados nas décadas de 50 e 60 do século XX.

A PARTIR DE 1958, Rainor liquidou com as reservas de jacarandá no norte do Espírito Santo, sul da Bahia e leste de Minas Gerais. O jacarandá era, na época, a madeira mais cobiçada do planeta – usavam-na para enfeitar palácios e luxuosas residências mundo afora. Rainor exportou 57,7% do que existia desta espécie vegetal. A fortuna arrecadada permitiu –lhe fazer extravagâncias, como a de alugar, durante três dias, para si e seus convidados, uma das mais famosas boates do mundo, a Moulin Rouge, de Paris, a 16,5 mil dólares por noite.

Nos anos 1970, em entrevista concedida ao Jornal do Brasil, Rainor Grecco, analisando a repercussão de seus atos, foi taxativo:

 

“Nas conseqüências eu nunca pensei. A conseqüência foi sempre o lucro e, depois, o hábito do lucro. Homens como eu deveriam ser eliminados da face da Terra.”

 

Com o estigma de ter sido o maior destruidor de árvores de todos os tempos, Rainor Grecco morreu, desolado e amargurado, em junho de 2001. Foi enterrado fora do Espírito Santo, em Itabuna, no sul da Bahia. O fim do rei da devastação das florestas lembra bem um personagem de Mil e uma noites que perseguia obstinadamente um tesouro sem saber de seus efeitos malignos – ele acarretava o mal às pessoas que o encontravam (...)

 

 

Fonte: História da Espírito Santo – Uma Abordagem didática e atualizada 1535-2002
Autor: José P. Schayder
Apud Rogério Medeiros. “Vida e morte do Senhor das Matas”. Revista Século, Vitória, nº 17, pp. 6-17 – adaptado por Schayder
Compilado por: Walter de Aguiar Filho, abril/2012 

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