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Museu de Biologia Professor Mello Leitão

Entrada do museu e uma das espécies de sua mata, a saíra azul

Desvendar segredos é da essência do Museu

Pedaço de terra capixaba de 7,7 hectares tem pesquisas reconhecidas no mundo todo

Seus 7,7 hectares já despertaram a atenção do mundo. Muitos dos segredos da Mata Atlântica foram desvendados neste pedaço de terra, conhecido como Museu de Biologia Professor Mello Leitão. Considerado internacionalmente como importante núcleo de estudos de flora e fauna, o museu abriga uma das maiores coleções de beija-flores do planeta. Cerca de 2.500 exemplares estão catalogados nos seus acervos.

Fonte de informações sobre o meio ambiente e as formas de preservá-lo, o Mello Leitão foi fundado pelo naturalista Augusto Ruschi em 1949. Praticamente, todo o trabalho do cientista, está no museu.

Situado em Santa Teresa, a 700 metros de altitude, sua área é uma pequena mostra das matas que já cobriram o Espírito Santo e outros estados brasileiros. Mais da metade do terreno (4,5 hectares) é coberta por floresta de encosta, um remanescente da ameaçada Mata Atlântica.

A projeção internacional do Mello Leitão é conseqüência das pesquisas desenvolvidas na área de história natural, com destaque para os estudos sobre orquídeas, morcegos e beija-flores. O acervo tem cerca de 7 mil exemplares de aves, 1.300 exemplares de morcegos de 40 espécies, 700 exemplares de répteis e anfíbios e outras coleções de mamíferos e insetos, tudo destinado aos pesquisadores.

O laboratório — muito utilizado por Augusto Ruschi para pesquisas de animais e flora — reúne espécies de cobras, sapos e mosquitos, mantidos em vasilhames de vidros e conservados em álcool. Neste local, Ruschi teria estudado mais de 300 espécies de beija-flores.

Para o público em geral, há um pavilhão com 150 animais empalhados. Nos viveiros, são várias as espécies de pássaros e animais: araras, faisões, corujas, papagaios, tucanos e gralhas. Eles foram apreendidos pela fiscalização do Ibama e não tiveram condições de voltar para seus habitantes originais.

O acervo do museu possui também gravações de sons da mata atlântica – cantos de pássaros e rugidos de mamíferos. Na área externa, um parque formado por vegetação nativa ou deliberadamente cultivada atrai vários tipos de aves que sobrevoam a região. Somente nesta parte, a flora regional é representada por 307 espécies, em levantamentos preliminares, este número tende a aumentar em estudos mais aprofundados.

DOAÇÃO

Doado por Augusto Ruschi ao Governo federal em 1984, o museu é administrado pelo Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural (IBPC), Órgão ligado ao Ministério da Cultura. Mesmo com a troca de comando após a doação e a morte de Ruschi (1986), a Mata Atlântica continua no foco de preocupações do Mello Leitão.

Várias pesquisas estão em andamento. Uma delas é o comportamento de alguns grupos de animais, como os morcegos, roedores, primatas (macacos) e marsupiais (gambás e cuícas). No aspecto florístico, são estudados as palmeiras e realizado um levantamento sobre as espécies de plantas da região. Um convênio com o Centro de Primatologia do Rio de Janeiro e a Aracruz Celulose permite ainda o desenvolvimento de um projeto de reintrodução do sagüi-da-cara-branca na região.

Além de servir de apoio para pesquisas científicas de instituições brasileiras e estrangeiras, o museu desenvolve atividades com educação ambiental. Só no ano passado, 17 mil pessoas visitaram o local. Para reforçar este trabalho, são produzidos posters, folders, jogos ecológicos e exposições dentro da temática ambiental.

Duas Organizações não governamentais (ONG's) apóiam os projetos do Mello Leitão: a Sociedade de Amigos do Museu de Biologia Mello Leitão e o Instituto de Pesquisa da Mata Atlântica. A Prefeitura de Santa Teresa empresta um funcionário para acompanhar a visitação pública. A Universidade Federal do Rio de Janeiro mantém um funcionário para a vigilância e manutenção da Estação Santa Lúcia.

Os variados recantos do paraíso ainda possível

Um jardim de borboleta. Uma praça do sol. Uma casa de orquídeas e bromélias. O paraíso é possível no Museu Mello Leitão. Suas divisões são uma viagem ao mundo dos sonhos e da ecologia.

Sala de zoologia e pavilhão de ornitologia — reúne coleções representativas da Mata Atlântica do Espírito Santo. Nesta sala, estão os principais acervos científicos sobre a fauna: 6 mil peles de aves e 1.500 de morcegos.

Entre as mais de 2 mil peles de beija-flores, muitas são de espécies coletadas nas Américas Central e do Sul.

Biblioteca — A Biblioteca Dr. Fernando Lee reúne 2 mil volumes e 100 títulos de período sobre botânica, zoologia e ecologia.

Viveiro — O acervo zoológico vivo tem cerca de 150 exemplares de diversas espécies de aves. São mantidos nos cativeiros somente os animais sem condições de viver em liberdade. Eles são destinados a estudos científicos e à reprodução. Está em formação uma coleção de cobras peçonhentas com objetivo de torná-las mais conhecidas do público.

Praça do Sol ou Jardim Rupestre Espaço ao ar livre para a permanência do visitante. O sol, a água, as plantas típicas de ambientes pedregosos e os animais atraídos pelo local valorizam esta área.

Casa das epífitas — Ela abriga cerca de 100 espécies de bromélias, orquídeas e outros grupos da Mata Atlântica: É um acervo vivo de flores.

Herbário — Fica localizando no pavilhão de botânica florestal. Ele reúne mais de 5 mil exemplares de plantas divididos em três coleções — fragmentos secos de ramos com folhas, flores e frutos; flores em meio liquido (álcool) e amostras de madeira.

Jardim das Borboletas — A área foi projetada para extrair e fixar colônias das principais espécies da região, além de divulgar informações sobre as borboletas e suas associações com outras plantas.

O museu ainda tem laboratório, casa de tratamento de animais, e casas para hóspedes.

 

Fonte: A Gazeta, Projeto Educar – Reservas Ecológicas, 07 de junho de 1994
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2016



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