Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Nacionalização do ensino no ES

Capa do livro de José Teixeira de Oliveira, 1951

Sob orientação do professor Fernando Duarte Rabelo – então secretário da Educação e Saúde – o Estado do ES iniciou uma campanha visando a nacionalizar o ensino nas zonas de colonização estrangeira.

Ainda em 1940 – quando do Recenseamento Geral – os funcionários que percorreram aquelas zonas surpreenderam populações inteiras que ignoravam o idioma nacional.

“As escolas elementares são uma lástima; a maioria dos professores alia a uma incompetência desanimadora uma grosseria e brutalidade revoltantes. Raríssimas são as exceções a esta regra. Temos municípios, especialmente os de Santa Leopoldina e Santa Teresa, onde as escolas estrangeiras, quase todas dirigidas por alemães, causam mais dano que os priores males reunidos. O seu corpo docente é alemão, os seus livros e cadernos de exercícios escolares tratam de assuntos estranhos ao nosso meio; a decoração de suas paredes de aula, e até mesmo os quadros que ornam as suas salas são todos calcados em motivos alemães: - nada ali se vê de brasileiro. A língua usada, tanto em aula como em recreio, é a alemã e – o que sempre acontece – o ensino da língua portuguesa é entregue à direção de um professor alemão, que muito mal fala e quase sempre procura explicar-se em língua de sua nacionalidade. Percorrem-se essas escolas e não se encontrará uma bandeira nacional, um quadro de um brasileiro notável. A atmosfera que ali se respira é alemã; a criança que ali entra, embora nascida no Brasil, dali sai alemã no coração e no espírito. O alemão, como se vê, tem profunda aversão às nossas escolas.”

Confira relatório outro relatório que data de 1921:

“Escolas estrangeiras funcionam no território pátrio com o fim único de ensinar aos filhos dos colonos a língua, a geografia e a história de seus respectivos países, porque sabem os seus professores que tais conhecimentos constituem os mais fortes vínculos do cidadão para com a pátria. Zonas encontrei eu em minha viagem onde a língua dominante é, ora a italiana, ora a alemã, não sabendo as crianças nascidas sob o céu do Brasil uma palavra sequer de português.

Visitando a escola alemã do lugar denominado “25 de Julho”, no município de Santa Teresa, tive mais uma oportunidade de assistir a um desses espetáculos que muito me impressionaram. Dos 19 alunos presentes, apenas uns 4 se exprimiam em português. Os restantes, ao serem por mim argüidos fixaram-me olhares interrogadores por não me compreenderem.

O livro usado em classe era escrito em língua alemã. Diante dessa irregularidade, achei de bom alvitre intimar o respectivo professor a fazer o ensino da língua pátria. Essa escola, entretanto, é subvencionada pelo município de Santa Teresa, o que é simplesmente ridículo e impatriótico. A disposição que prescreve aos colégios particulares o ensino da língua portuguesa encontra nas escolas estrangeiras o seu ludíbrio e ineficácia...”

 

Fonte: História do Estado do ES
Autor: José Teixeira D. Oliveira, 1951
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2013 

 

História do ES

Muralha Capixaba

Muralha Capixaba

A descoberta de ouro no interior do Brasil criou um grande empecilho ao desenvolvimento do Espírito Santo. Por Antônio de Pádua Gurgel.

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Cidade dormitório

Aos jovens que completavam o curso primário e aspiravam o primeiro emprego só restava procurá-lo em Vitória

Ver Artigo
A Mata Virgem – Por Auguste François Biard (Parte IV)

Tinham me falado, várias vezes, desde que chegara ao Brasil, de uma terrível cobra, a maior das trigonocéfalas, conhecida pelo nome de surucucu

Ver Artigo
Por que Morro do Moreno?

Desde o início da colonização do Espírito Santo, o Morro do Moreno funcionava como posto de observação assegurando a defesa de Vila Velha e de Vitória

Ver Artigo
A Ilha de Vitória – Por Serafim Derenzi

É uma posição privilegiada para superintender, como capital e porto, os destinos políticos e econômicos do Estado de que é capital

Ver Artigo
A história do Jornal A TRIBUNA

Conheça a história do jornal A TRIBUNA, publicada na resvista da Associação Espírito-Santense de Imprensa (AEI) em 12/2008

Ver Artigo